fbpx

QUEIMA DE ESTOQUE COM ATÉ 70% OFF

EU QUERO O MEU

A Epifania do Senhor

Tempo de leitura: 12 min

A Epifania, que significa “aparição” ou “manifestação” do Senhor no mundo, foi, em todo o tempo, reputada por uma das festas mais célebres e solenes na Igreja de Deus – tanto pelos três mistérios que se compreendem nessa solenidade quanto porque se considere como festa peculiar da vocação dos gentios à fé.

Três mistérios celebra a Igreja nessa única festividade, por ser tradição antiquíssima que sucederam no mesmo dia, ainda que não no mesmo ano: a Adoração dos reis, o batismo de Jesus Cristo, por São João, e o primeiro milagre que o Salvador fez, nas bodas de Caná da Galileia. Essa palavra grega Epifania, cujo significado é “aparição” ou “manifestação”, convém perfeitamente a todos esses três mistérios.

Manifestou-se Jesus Cristo aos Magos, que seguindo a estrela milagrosa o vieram reconhecer por seu Rei, por seu Deus, por seu Salvador, e Rei, Deus e Salvador de todo o gênero humano; manifestou-se a sua divindade no batismo, por meio daquela voz que do céu a declarou; Sua onipotência se manifestou no primeiro milagre que fez. Por terem sido esses os principais meios de que Deus se serviu para manifestar na terra a glória de seu Filho, a Santa Igreja compreende-os todos três no nome de Epifania, conquanto seja como o principal objeto do ofício da Missa e da solenidade presente a Adoração dos reis.

O Estrela-Guia

É muito provável que, ao mesmo tempo em que os anjos estavam anunciando aos pastores o nascimento do Messias na Judeia, a nova estrela o anunciava também no Oriente. Foi, sem dúvida, observada por muitos, porque seu extraordinário resplendor e a irregularidade de seu curso a faziam distinguir-se entre todas as outras; porém somente os Magos, esclarecidos por luz superior, conheceram o que significava aquele fenômeno, e em nenhum momento hesitaram em ir procurar aquele que a estrela anunciava.

Os orientais chamavam magos a seus doutores, como os hebreus os chamavam escribas, os egípcios, profetas, os gregos, filósofos e os latinos, sábios. A palavra mago, na língua persa, também significa sacerdote. Em todas essas partes eram sumamente respeitados pelos povos, que os tinham por depositários da ciência e da religião.

A Igreja dá o nome de reis a esses três homens ilustres, fundada naquelas palavras de Davi “Os reis de Társis e das ilhas; os reis da Arábia e de Sabá viram oferecer-lhe dons” como penhor de sua veneração, fidelidade e obediência. Funda-se, outrossim, em uma tradição antiga, a que não se pode assinalar a época. Pinturas antiquíssimas os representam como pessoas coroadas, com todas as insígnias de majestade real.

Os Padres falam dos Sábios

Acrescente-se a isso os testemunhos dos padres mais celebres da igreja, como Tertuliano, São Cipriano, Santo Hilário, São Basílio, São João Crisóstomo, Santo Isidoro, o venerável Beda, Teofilacto e outros muitos. É certo que as nações orientais, quando os reis eram eletivos, escolhiam-nos entre os filósofos; e se eram hereditários, procuravam instruir os príncipes nas ciências, de sorte que eles pudessem merecer o título de sábios. Assim o observa Platão, quando trata da educação dos príncipes da Pérsia, acrescentando que principalmente a Astronomia era estimada como a ciência mais digna dos soberanos.

Tendo os três reis, que alguns chamam Gaspar, Baltazar e Melchior, observado, no dia 25 de dezembro, uma estrela mais brilhante que as ordinárias, julgaram que era aquela a estrela de Jacó, anunciada pelo profeta Balaão, cujas predições conheciam bem, como sinal de um rei que havia de nascer para a salvação dos homens.

Esclarecidos, ao mesmo tempo, por uma luz interior, pela qual conheceram que aquele astro haveria de servir-lhe de guia para encontrarem o Messias, tomaram o caminho da Judeia, onde sabiam que nasceria aquele Rei tão desejado de todas as nações. O Evangelho só nos diz que eles vieram do Oriente, isto é, de um país que era oriental com relação a Jerusalém e a Belém. A opinião mais verossímil tende a crer que eles vieram da Arábia Feliz, habitada pelos filhos que Abraão teve de Cetura, sua segunda mulher, a saber: Jecsã, pai de Sabá, e Madiã, pai de Efa.

O Cristo profetizado

Isso prognosticou Davi claramente, quando disse que o Messias seria adorado pelo rei dos árabes e de Sabá, os quais lhe ofereceriam ouro da Arábia. Isso mesmo tinha anunciado o profeta Isaías, dizendo que viriam de Madiã e de Efa sobre camelos, como também de Sabá para o reconhecerem, oferecendo-lhe incenso e ouro e publicando, por toda a parte, seus louvores. Não favoreceu pouco essa opinião as espécies de dons que os três monarcas ofereceram a Jesus, porque o ouro, o incenso e a mirra nascem principalmente na Arábia.

Foram guiados os Magos pela estrela durante toda a viagem, que foi de aproximadamente doze dias. Servia-lhes de guia esse luminoso astro, como outrora a coluna de fogo ia conduzindo os israelitas pelo deserto, quando saíram da escravidão do Egito para a terra da promissão. Logo, porém, que os três reis se aproximaram de Jerusalém, a estrela desapareceu. Por essa razão, entraram naquela corte, para se informarem do lugar onde havia nascido o novo Rei que eles vinham adorar, e cuja estrela tinham visto. Grande espanto causou ver uns homens daquele caráter, vindos de país tão distante, perguntarem por um novo Rei dos judeus, a quem os próprios judeus desconheciam, e cujo nascimento ignoravam inteiramente. Quem mais se assustou foi o rei Herodes, que quis vê-los, para se informar minuciosamente do motivo que ali os trazia.

Cioso de sua dignidade, e temendo perder a coroa que indignamente possuía, mandou logo que comparecessem ao palácio todos os sacerdotes e escribas da Lei, isto é, aqueles que tinham a obrigação de explicar ao povo as Escrituras, zelando por sua interpretação e vigiando para que não se introduzisse algum erro contrário a seu verdadeiro sentido.

Onde há de nascer o Salvador?

Bem conhecia ele que um rei cujo nascimento o céu anunciava com sinais tão extraordinários não podia ser outro senão o Messias, e, por isso, reunida a assembleia dos doutores, limitou-se a dirigir-lhes essas palavras: “Dizei-me: onde há de nascer o Salvador?” – Todos a uma voz responderam que em Belém, povoado humilde da tribo de Judá, segundo a profecia de Miqueias, quando assegura que a desconhecida aldeia de Belém, não obstante sua pequenez, teria a glória de que careceriam as cidades mais ilustres, de dar um Príncipe e um Governador geral a todo o povo de Israel. Não foi preciso mais nada para encher de perturbação o ânimo e o coração daquele ambiciosíssimo príncipe, cuja crueldade era igual à imensa ambição que o assoberbava.

Para logo resolveu mandar matar aquele Menino, e, chamando à parte os Magos, fez-lhes cem ardilosas perguntas. Rogou-lhes, principalmente, que o informassem com toda a exatidão do tempo em que lhes aparecera a estrela; e reconhecendo neles muita piedade, e não menos desconfiança, fingiu aprovar-lhes a devoção que mostravam e exortou-os a que prosseguissem em sua viagem.

— Ide, disse-lhes, ide em boa hora a Belém, pois é lá que há de nascer o Rei prometido, o Libertador de seu povo. Informai-vos de tudo o que diz respeito a esse Menino e fazei-me o obséquio de voltar à minha corte, onde vos fico esperando com impaciência, para que me participeis o que tiverdes observado, porque eu também quero ir adorar esse divino Monarca.

Desse modo, pretendia Herodes enganá-los artificiosamente, para os fazer cair no laço que lhes estava armando.

A estrela reaparece

Logo que os Magos se despediram daquele príncipe e retomaram o caminho, o Senhor lhes tornou a enviar seu resplandecente guia. A estrela, que se lhes encobrira, mal tinham entrado na corte, deixou-se ver outra vez apenas dela saíram, e conduziu-os diretamente a Belém.

Não é fácil conceber o gozo que inundou os corações dos Magos, quando lhes reapareceu aquele astro, e muito principalmente ao verem-no deter-se perpendicularmente sobre o humilde presépio onde estava o novo Rei. Entraram e depararam com o que buscavam. Estava o Menino nos braços de sua mãe, e nenhum aparato, nenhum sinal exterior o diferenciava dos outros meninos. Contudo, a mesma luz interior que lhes deu a entender o que significava a estrela fez com que eles facilmente descobrissem, por meio daquela humildade exterior, a augusta majestade e a suprema dignidade daquele Deus feito homem.

Cheios de fé e respeito, prostraram-se em sua presença e o adoraram na qualidade de Senhor soberano do céu e da terra e na de Salvador dos homens; e como era costume de seu país jamais se apresentarem diante dos grandes com as mãos vazias, ofereceram-lhe o que lá havia de mais precioso: ouro, incenso e mirra. Então se cumpriu à risca o que Davi predissera do Messias, quando disse: Os reis da Índia, da Arábia e de Sabá virão oferecer-lhe presentes, em testemunho de sua fidelidade e obediência.

Planejavam os santos Reis voltar por Jerusalém, mas apareceu-lhes em sonhos um anjo do Senhor, aconselhando-os a que seguissem outro caminho e não voltassem a Herodes, cujos maus desígnios descobriram então.

Os gentios adoram a Cristo

Coisa estranha, que os estrangeiros venham de países tão remotos adorar o Salvador do mundo e que não o conheçam os judeus, no meio dos quais acaba de nascer! Poderiam ter eles indícios mais claros de sua vinda? Mas de que serve a luz aos que são voluntariamente cegos? Quem terá a culpa de que Herodes não conseguisse a mesma felicidade que os Magos? Envia-lhe Deus três príncipes estrangeiros para que lhe anunciassem o nascimento do Salvador do mundo na Judeia, e seus próprios doutores instruem-no com toda a clareza sobre o lugar onde o Messias nasceu.

E que efeito produzem todas essas instruções, todas essas graças em um coração ambicioso, irreligioso, ímpio? A perturbação, a velhacaria e a crueldade. Um coração puro, um coração religioso, mal vê a estrela, põe-se logo a caminho para adorar o que ela denuncia. Uma alma mundana, um hipócrita, faz servir a religião à sua política, à sua ambição, à sua avareza insaciável.

Oh, como é verdade que sempre encontra Deus quem de boa fé o procura! Se não houver estrela, nem por isso faltará guia – tudo depende da retidão de nossas intenções e da sinceridade do coração. Só a nossa malícia é que apaga ou inutiliza a luz da graça. Vãmente brilhará essa luz, se voluntariamente fechamos os olhos a seu resplendor. A região dos prazeres nunca foi a da virtude.

A perseverança dos magos

Apenas os Magos se retiraram da corte do ímpio Herodes, incontinenti descobrem outra vez a estrela que se lhes ocultara. É raro espaçar-se a volta da graça sensível. Não basta pôr-se a caminho, é preciso seguir avante, é necessário perseverar até o fim. Porém nunca apareçamos diante de Deus com as mãos vazias. A caridade, a mortificação, a piedade são oferendas muito de seu agrado, e o coração contrito e humilhado é sempre bem recebido por Ele.

Segundo a opinião mais comum entre os santos padres, os Magos chegaram a Belém treze dias depois do nascimento do Salvador. Era tempo suficiente para virem da Arábia. Se se tivessem demorado, com certeza não encontrariam o Senhor no presépio.

É verdade que Herodes mandou degolar todos os meninos que tivessem menos de dois anos, conforme o tempo de que se informara dos Magos. Porém isso só prova que aquele tirano cruel, não tendo tornado a ver os santos Reis, os considerou homens simples e visionários, que, envergonhados por não encontrarem o que de tão longe vinham procurar, não se atreveram a voltar a sua presença; mas chegando-lhe depois a notícia das maravilhas que operara no Templo um menino que se dizia ser o Messias, deixou-se encher de tal furor, que mandou passar à espada todos os meninos que tivessem nascido dois anos antes, em Belém e suas cercanias, para não deixar com vida aquele que os Magos lhe haviam anunciado.

A vocação dos gentios

Quase todos os Padres dos primeiros séculos são de opinião que a estrela era um astro novo, cujo resplendor, como diz Santo Inácio mártir, excedia a todos os outros, criado por Deus unicamente para o ministério de anunciar aos homens o nascimento do Rei dos céus.

Finalmente, é da tradição constante que aquelas primícias da gentilidade que vieram adorar o verdadeiro Deus eram verdadeiramente reis, isto é, príncipes soberanos de uma ou de muitas cidades, como os de Pentápolis, a quem o santo patriarca Abraão venceu e desbaratou.

Os mais célebres Padres da Igreja acreditam que o Batismo do Filho de Deus, o milagre da conversão da água em vinho e a adoração dos Magos ocorreram no mesmo dia, apesar de em anos diferentes. Por essa razão, a Igreja reúne esses três mistérios em uma só festa, fazendo como uma tríplice Epifania, ou seja, uma tríplice manifestação, celebrando: o dia em que Jesus Cristo se manifestou aos Magos por intermédio de uma estrela; aquele em que se manifestou a São João, pelo testemunho de seu Eterno Pai; e aquele outro em que se manifestou aos discípulos por meio de seu primeiro milagre.

Tão célebre tem sido, desde os primórdios da Igreja, essa tríplice festa, que achando-se em tal dia como este, em Viena da França, Juliano, o Apóstata, no ano de 361, não se atreveu a deixar de assistir aos ofícios divinos; e o imperador Valente, ainda que ariano, estando em Cesareia da Capadócia no dia da Epifania, julgou-se obrigado a assistir conjuntamente aos fiéis à Missa, persuadido de que se não o fizesse o teriam por ímpio.

O destino dos reis magos

Discorremos agora somente sobre o primeiro desses mistérios, reservando para os dias seguintes o falar dos dois restantes.

Voltando aos três Reis que tiveram a felicidade de vir adorar o Salvador do mundo, observaremos que é fácil compreender a abundância de graças e dons sobrenaturais de que foram cumulados, assim como a viva fé, a ardente caridade, o zelo puro e generoso com que regressaram a suas casas, onde, depois de terem anunciado as maravilhas de que haviam sido testemunhas, morreram morte de Santos. E, por certo, uma graça e vocação tão singulares e uma fidelidade tão exata não podiam deixar de conseguir semelhante sorte. Assim o crê a Santa Igreja, permitindo o culto que publicamente se lhes rende.

Assegura-se que as relíquias desses primeiros heróis do Cristianismo foram transportadas da Pérsia para Constantinopla, pelo zelo e piedade de Santa Helena; que, mais tarde, sob o imperador Manuel, se transladaram a Milão, onde estiveram, segundo Galesino, 670 anos; e que, finalmente, quando essa cidade foi tomada e saqueada por Frederico “Barba-roxa”, no ano de 1163, as transladaram para Colônia, onde se conservam ainda hoje, com particular veneração.

Adquira já a sua edição!

Acaso não são incrivelmente proveitosos e sublimes os escritos do Padre Jean Croiset?

Para ter acesso a mais outros, os três primeiros livros do box Ano Cristão já estão disponíveis para vender em nossa livraria.

E, caso tenha gostado deste texto, não exite em compartilhar com seus amigos, para que esta mensagem seja mais conhecida pelos fiéis católicos!

Compartilhe agora mesmo:

Você vai gostar também:

Para enviar seu comentário, preencha os campos abaixo:

Deixe uma resposta


*


*


Seja o primeiro a comentar!

JUNTE-SE A MAIS DE 100 MIL LEITORES

Entre para nossa lista e receba conteúdos exclusivos e com prioridade