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A arte sacra e a sua importância

arte sacra católica

Abrindo a série de artigos sobre a beleza da Tradição, hoje iremos nos debruçar sobre o quão importante é a arte sacra para a Igreja Católica. Chamada também de Evangelho dos Pobres, a nossa arte sacra já passou por diferentes contestações e em dado momento tentou-se bani-la da Igreja. Contudo, graças ao bom Deus, conseguimos mantê-la como sempre foi: bela e feita com o fito de nos aproximar da Divindade.

Não é idolatria?

Primeiramente, iremos responder a esta objeção que comumente enfrentamos vindas de pessoas afastadas da Igreja. É normal que aquela passagem de Êxodo 20 seja usada como forma de dizer que a arte sacra é idólatra. Contudo, quem chega a esta conclusão sofre de um grave problema de interpretação, principalmente se você simplesmente leu o resto da Bíblia. Leiamos ela, portanto:

“2.“Eu sou o Senhor, teu Deus, que te fez sair do Egito, da casa da servidão. 3.Não terás outros deuses diante de minha face. 4.Não farás para ti escultura, nem figura alguma do que está em cima, nos céus, ou embaixo, sobre a terra, ou nas águas, debaixo da terra.”

Ora, a própria nota de rodapé da Bíblia Ave Maria explica o sentido do versículo 4: “Escultura: de madeira ou de pedra, representando simbolicamente Deus sob a forma de um astro, de um pássaro, de um homem, de um animal, de uma planta ou de um animal aquático. O que Deus proíbe aqui não é a confecção de uma imagem religiosa qualquer (santos, querubins, serpente de bronze, etc.), mas somente a representação figurada de sua pessoa como objeto de adoração.”

No entanto, cumpre continuar a explicação.

O que são ídolos?

Existe uma grave falha na diferenciação do conceito de ídolo e de ícone vindas das pessoas que julgam a arte sacra idólatra. Este primeiro se refere ao culto a uma deidade que se reduz a uma estatueta, tal qual ocorria em Roma, na Grécia e também no Egito. Como, no livro do Êxodo, os hebreus estavam de fuga deste último país, era crucial que Deus informasse ao Seu povo que Ele não se reduzia a uma estátua tal qual se cria naquelas terras.

Imaginemos, por exemplo, as estátuas de Atenas na Grécia ou o bezerro de ouro que os próprios hebreus construíram: eles criam ser aquelas estátuas divindades em si, não meras representações das divindades. Ocorre de maneira semelhante na Índia moderna: as vacas são sagradas, são deidades por si próprias. Isto é clara idolatria, é a atribuição poderes divinos a algo que é meramente mundano.

O próprio Deus, contudo, ordena mais à frente aos hebreus que eles construam a Arca da Aliança com dois querubins de ouro. Leiamos a passagem de Êxodo, 25: “18.Farás dois querubins de ouro; e os farás de ouro batido, nas duas extremidades da tampa, um de um lado e outro de outro, 19.fixando-os de modo a formar uma só peça com as extremidades da tampa. 20.Terão esses querubins suas asas estendidas para o alto, e protegerão com elas a tampa, sobre a qual terão a face inclinada.”

Representação da Arca da Aliança. Note os querubins de ouro puro

E o que são ícones?

O próprio Deus nos traz, com isso, a diferença entre um ícone e um ídolo. O ícone é uma mera representação visível de algo invisível, ou de algo que não mais se vê. Uma fotografia de uma pessoa morta (ou seja, que não mais está ao alcance dos nossos olhos) tem o mesmo sentido de uma pintura da Antiguidade de Nosso Senhor Jesus Cristo: aqueles homens haviam visto o próprio Deus Vivo, e, para manter viva a Sua memória, fizeram gravuras d’Ele. E sim, trazemos provas de que os primeiros cristãos o faziam:

Estas imagens são de uma Bíblia datada do século I, escrita e ilustrada em couro. Foram desenterradas na Turquia e leiloadas por uma soma avultosa de 13 milhões de dólares. Observe: os primeiros dentre nós, ainda no primeiro século, os literais discípulos dos Apóstolos, já faziam isso. Porque não haveríamos nós de fazê-lo também? [Nota: É claro que no século I ainda não tínhamos uma Bíblia. Isto é, provavelmente, um manuscrito de algum Evangelho.]

A história em forma de arte

Com isso elucidado, é importante destacar aqui que, quando alguém não sabe ler, não existe melhor forma de contar uma história do que lhe mostrando. O ser humano, sendo extremamente sensitivo, consegue captar algo com imensa facilidade quando esta coisa lhe é mostrada. É por isso que os gregos criavam vasos que contassem seus mitos, que os indígenas esculpiam nas pedras em que moravam e que os “homens primitivos” pintavam suas cavernas.

Fonte: Apaixonados por História

Através da arte, o homem é capaz de contar para seus descendentes aquelas histórias que irão viver para além dele. Aquelas que ele não estará lá para contar, mas que é crucial que seus filhos saibam. Com isso, perdura a memória de um povo, cria-se uma identidade nacional, a história de vida de nossos antepassados são mantidas.

É por isso, por exemplo, que existem tantos azulejos portugueses da batalha de Aljubarrota: ela foi crucial para a história de um dos maiores impérios do mundo. É por isso, também, que existem tantas imagens primitivas da parábola do Bom Pastor: é crucial que todo bom cristão a conheça.

O Senhor é o meu pastor

O Evangelho dos Pobres

A partir daí, surge aquilo que chamamos de Evangelho dos Pobres. A arte sacra, em sendo uma forma de contar histórias que não necessariamente requer que se saiba ler, é uma utilíssima maneira de evangelizar a população comum. Que forma mais eficaz de inspirar piedade e devoção do que, com seus próprios olhos, ver o quanto que o teu Deus sofreu pela salvação da tua alma?

Via Sacra no Convento Ipuarana, Lagoa Seca – PB

E é por ser o centro da nossa Fé que temos tantas imagens do Cristo crucificado. É Ele que nós pregamos, assim nos diz o Apóstolo. Contudo, temos também outras piedosíssimas imagens para nos inspirar devoção e também para nos contar tanto a história da nossa Igreja e dos nossos Santos quanto de Nosso Senhor:

Cristo na Tempestade do Mar da Galiléia de Rembrandt 

O barroco, com seus jogos de luzes, cores e tons, foi um movimento que nos trouxe o ápice daquilo que a arte humana é capaz de fazer, sem sombra de dúvidas. Na luz, recebendo destaque, temos os discípulos desesperados, tentando a todo custo pôr o navio em segurança. Enquanto isso, do lado escuro, Cristo Nosso Senhor, recém-acordado, é chamado a ajudar. A falta de cores onde Ele está indica a tranquilidade com a qual Ele dormia, fazendo contraponto à agitação dos Apóstolos. No entanto, nota-se também um leve halo de luz ao redor do Seu rosto: Ele é o próprio Deus, afinal.

A arte que leva a Deus

Por fim, sendo o homem um ser que tão facilmente se deixa influenciar pelo que vê, ouve e sente, notamos que a arte elevada é de imensa ajuda para elevar o nosso intelecto a Deus. É justamente esta, por exemplo, a proposta da arquitetura barroca: através do fascínio sensitivo, nos trazer para junto d’Ele.

Foto por Leo Caldas – Capela Dourada, Recife/PE

Através da doce contemplação do quão bela a arquitetura é, podemos com facilidade imaginar o quão mais infinitamente belo é o nosso Deus. Por nos sentirmos pequenos diante da grandiosidade das obras, entendemos como somos pequenos diante da divindade. Por fim, a ordenação de todas as coisas e a harmonia estética faz bem ao nosso cérebro: nos sentimos confortáveis em olhar e contemplar, pois tudo faz sentido e está onde deveria estar. A mente humana depende dessa harmonia, desse senso de proporção, para que se tranquilize e se sinta confortável.

É por isso, por exemplo, que o nosso canto gregoriano é tão bem projetado, seguindo as medidas clássicas, em ritmos lentos e acolhedores. No entanto, o gregoriano terá um artigo reservado para si mais à frente em nosso blog.

É por isso, também, que toda a estética católica é tão bem sopesada. As pinturas, as artes, as decorações, a arquitetura, até mesmo as capas dos livros. Tudo é feito com o fito de manter a ordenação das coisas, a manutenção das proporções e a mais singela beleza. Esta é a razão para a qual o homem tanto se atrai pelos grandes centros europeus, como o da cidade de Barcelona: tudo está exatamente onde deveria estar, o que traz um conforto mental e nos acalma.

Caso você queira observar exemplos desse nível de beleza e concluir por suas próprias experiências e sensações o quão importante é o ordenamento estético, o nosso blog parceiro, Católicos de Ribeirão Preto, nos traz uma sequência de postagens chamada “As Mais Belas Igrejas da FSSPX”. Neste primeiro artigo, eles trazem a Igreja de Notre Dame de Consolation, em Paris. Um legítimo deleite aos olhos!

Conclusão

Não é bela a nossa Tradição Católica? Não é fascinante o pensar que ela nos foi dada pelos nossos primeiros Padres Apostólicos e perdura até hoje? Procuraremos trazer às claras toda essa beleza que quase foi esquecida nos dias de hoje nesta série de artigos A Beleza da Tradição.

Por isso, caso tenha gostado deste artigo, não se esqueça de compartilhar com seus amigos para que mais pessoas se encantem com nossa Santa Mãe Igreja, e comente abaixo a sua opinião acerca de tudo aquilo que você leu!

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