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Benefícios de ter uma família numerosa

O amor mútuo dos pais pode-se desvirtuar e, destruindo a dedicação que lhe é o fundamento, arruinar, em seu germe, as disposições generosas da criança.

É o caso dos esposos que reduzem o número de filhos, sob pretexto de melhor pertencerem-se um ao outro.

Essa restrição voluntária, baseada no egoísmo, cria um ambiente familiar susceptível de prejudicar, grandemente, o desabrochar das qualidades morais infantis.

Não se pode comparar a influência espiritual, da casa do filho único, com a do que vive no meio de numerosos irmãos.

As condições necessárias à formação do caráter são desfavoráveis, quando o educando é sozinho, a aproveitar os benefícios da vida do lar. Facilmente, ele é levado a crer que tudo lhe é devido, pois sempre recebe, sem jamais partilhar. Torna-se, exageradamente, mimado por seus pais, que não repartem com outros seus cuidados e suas ternuras.

É da mais alta importância que o ambiente onde evolui a criança, permita a eclosão das boas e das más inclinações, a fim de que, conhecidas desde os primeiros anos, elas possam ser, facilmente, orientadas ou reprimidas.

Em uma família onde os filhos são numerosos, os caráteres manifestam, desde cedo, suas secretas tendências e cada um acha-se na obrigação de adaptar-se, corrigindo ou dominando seus defeitos. Se não o faz de modo próprio, as reações dos irmãos infligem-lhe, por bem ou por mal, lições salutares.

A repressão das paixões é facilitada pelo fato de os desentendimentos nascerem espontaneamente nas relações cotidianas da criança.

Graças aos choques dos temperamentos, podem os educadores descobrir, ao vivo, as tendências de cada um.

Bem longe de serem considerados simples distribuidores de benefícios materiais como, muitas vezes, os representa o filho único, os educadores simbolizam a autoridade encarregada de restabelecer a paz, quando esta é perturbada, juízes que atalham imparcialmente as contendas, castigando ou recompensando, segundo as circunstâncias.

Pelo contrário, o verdadeiro caráter do filho único permanece, muitas vezes, escondido e impenetrável. É uma água adormecida, que não foi agitada pela tempestade das brigas infantis. É, de recear-se, que suas paixões só se manifestem tardiamente, quando ele deixar o ambiente de casa para chocar-se com as dificuldades e tentações da vida. Já não será mais tempo de intervir com proveito.

Na família numerosa, a criança, por ser obrigada a prestar serviços à comunidade, forma-se naturalmente no esquecimento de si e na generosidade. Enquanto que, pelo contrário, sendo única, torna-se propensa ao egoísmo por ser sempre servida, sem jamais ter de pensar nos outros.

O ambiente familiar

Todavia, a família não é um ambiente tão fechado a ponto de a criança não sofrer qualquer influência exterior.

Os parentes, mais ou menos próximos, os amigos e as relações, os empregados e os auxiliares de casa são outros tantos elementos que podem tão bem apoiar como perturbar a influência dos pais.

Não raro os avós, animados de boas intenções, mas tendo atingido a idade em que se prefere mimar em vez de educar, contrariam, involuntariamente, a autoridade dos pais; os primos são ocasião de tentações ou de desvios de conduta, tanto menos suspeitados quanto menos fiscalizados; companheiros, por suas conversas e atitudes, despertam na imaginação infantil impressões perigosas.

Um mundo de problemas cuja solução depende da vigilância dos pais. Estes não devem, sob pretexto de pouparem a susceptibilidade dos avós e a afeição que lhes têm, permitir que seja desprestigiado o exercício normal de uma autoridade, de que são eles os únicos responsáveis. Embora muito íntimas, as relações entre primos devem ser fiscalizadas para não degenerarem em brincadeiras ou afeições mórbidas, sobretudo, no período da puberdade. Os amigos da família serão selecionados com o maior cuidado, de tal forma que suas qualidades provoquem a admiração da criança. Não há consideração mundana que autorize a presença, na intimidade do lar, de uma pessoa de moralidade duvidosa. A influência dos empregados constituirá objeto de uma vigilância constante da parte dos pais e, somente no dia em que eles adquirirem a certeza de que um empregado merece-lhes absoluta confiança, terão o direito de considerá-lo como um auxiliar útil junto aos filhos, cuja guarda ser-lhes-á confiada.


Trecho extraído do livro “Pequeno Tratado de Pedagogia”, do Padre Jean Viollet. Para adquiri-lo com frete grátis para todo o Brasil, clique aqui.

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