Mulher rezando.

Casamento ou vida religiosa?

Casamento ou vida religiosa? Eis a pergunta que inquieta a muitos.

Todos temos um papel a desempenhar, um caminho a percorrer e uma missão a cumprir.

No entanto muito importa conhecer o papel, o caminho e a missão que nos incumbe, e se enveredando por esse caminho ou desempenhando tal papel, entramos nos desígnios de Deus.

Antes de tudo devemos saber que é Deus quem a tudo preside, quem de tudo dispõe, conforme lhe apraz, proporcionando-nos aptidões, talentos e auxílios relativos ao gênero de vida que nos traçou, tendo em vista a sua maior glória e a nossa salvação eterna.

Logo, cumpre indagar, antes de mais nada, se é vontade de Deus que abracemos tal estado, antes que tal outro.

Me casarei? Serei freira? Serei um Padre?

Como escolher entre casamento e vida religiosa?

Como nos certificaremos disso e quais os sinais que nos prometem uma conclusão, quando menos, prudente?

São os seguintes:

1 – Os atrativos que sentimos para esse estado.

2 – As aptidões que prudentemente supomos ter para desempenhar as obrigações que vamos contrair.

3 – Os conselhos de homens experimentados. Não deixemos nunca de recorrer a prudência de um diretor esclarecido.

Importância da direção espiritual para fazer a escolha entre casamento e vida religiosa

A direção espiritual é dada pelo sacerdote a um fiel que a ele recorre.

Ou seja necessitamos deste guia e de suas luzes, para que não nos engane o espírito das trevas, que toma, por vezes, as aparências de anjo de luz, afim de nos perder mais facilmente.

Por outro lado, o amor próprio, a sensualidade, o amor, as comodidades e o temor de sacrificar o que muito amamos, podem-nos desviar do rumo que a Providência divina nos traçou. Principalmente na falta de um bom diretor que nos admoeste e nos detenha, quando necessário.

Além disso é de capital importância para a nossa felicidade temporal e eterna, abrirmos o coração a um diretor espiritual, expondo-lhe nossas dúvidas, apreensões e temores relativos à vocação.

Nesse sentido quantos jovens, de vinte e mais anos, não sabem o que querem, que direção tomar na vida e, tudo ocultando ao diretor espiritual, guardam para si as preocupações que os atormentam e os não deixam nunca em paz. Não ousam confiar esses temores e, no entretanto, se o fizessem, conseguiriam o mais eficaz remédio para as suas ansiedades.

É uma decisão individual

Da mesma forma reparai bem, jovens, e também vós, pais cristãos, que não é o diretor, nem tão pouco os pais os que hão de traçar o caminho a seguir; esse direito pertence exclusivamente a Deus. A vocação é assunto muitíssimo pessoal e não admite ingerências estranhas.

O diretor apenas ilumina o caminho a seguir, afasta os tropeços que se nos possam deparar, dissipa as dúvidas e incertezas. Dirige-nos, enfim, para que não nos enganemos ou não sejamos enganados pelo espírito do mal, por um entusiasmo irrefletido, por impressões de momento ou por um passageiro sentimentalismo.

O diretor cuida apenas que, no edifício social da Igreja de Deus, ocupemos o lugar que a Providência nos reservou. A beleza, harmonia e ordem do conjunto, a paz e tranquilidade própria assim o exigem.

Dessa forma guardemo-nos de ocupar um lugar que não nos pertença e que não corresponda as nossas aptidões; do contrário, sofreremos as fatais consequências e faremos periclitar a nossa eterna salvação.

Princípios fundamentais que devem levar em conta os jovens que desejam contrair núpcias:

Antes de tudo, cumpre como já foi aqui dito, examinar se realmente fostes chamado para tal estado, se estás em condição de cuidar de uma família e fazê-la feliz. Se não tens saúde, ou se teu noivo ou noiva goza de saúde tão precária, que possas prever uma viuvez precoce, é sinal evidente que não deves contrair núpcias.

O mesmo se diga, se ele estiver gravemente onerado por motivo de herança, ou se por outra razão qualquer não puder prover a subsistência de uma família; será então culpa grave o contraíres núpcias.

Atendendo-se ás circunstâncias da morte de um dos pais, tendo ainda irmãos menores para educar ou prover o sustento, torna-se até dever para o rapaz ou moça protelar o casamento, porque neste caso não poderia abandonar sua família deixando-a na miséria.

Se, todavia, depois de acurado exame, pensas que deves abraçar o estado matrimonial, sê antes de tudo prudente na escolha da pessoa com quem pretendes casar. Não te induza, exclusivamente, a riqueza ou qualidades corporais. Podem tais cálculos interessar-te algum tanto, mas não sejam razões decisivas para ti. Analisa as qualidades de espírito do teu pretendente, antes da escolha definitiva.

Mas, quando ou em que idade se nos antolha o problema da vocação?

De acordo com as experiências varia muito de um para outro indivíduo. A vocação vem de Deus, e Deus nos indicará quando, como e onde julgar oportuno. Decidir entre casamento e vida religiosa pode ocorrer em tempos diferentes para cada jovem.

No entanto almas há, que só muito paulatinamente são conduzidas ao lugar que lhes compete, ao qual chegam, sem se darem em conta. É o caso geralmente da vocação ao matrimônio por onde envereda a maior parte.

Vida religiosa

A vocação sacerdotal e religiosa, que é toda especial e particularmente elevada, manifesta-se, as vezes, já nos primeiros anos, por ocasião de uma primeira missa, de uma primeira comunhão ou de uma profissão religiosa etc.

Deus fala a essas jovens almas por meio das cerimônias santas, grava-lhes a lembrança do que viram e ouviram e, por intermédio dos pais, dos mestres e de circunstâncias várias aviva-lhes a suave e salutar impressão que receberam.

Esta impressão se enche de atrativos e se transforma, depois, em vocação religiosa, optando uns pelo sacerdócio, outros pelo celibato, no mundo ou no claustro.

Devem os pais, por sua vez, compenetrar-se dos principais que passamos a expor e fazer com que seus filhos os observem fielmente, pois desses princípios é que depende a felicidade da família.

O perigo de uma decisão não pensada

Quando um jovem ou uma donzela se vêm chegados aquela idade que sem ser já a adolescência, ainda não é a idade madura, se Deus os não chamar a uma dessas vocações que não dependem dos cuidados da família, sentem eles a pouco e pouco, o despertar de novas aspirações.

Pesa-lhes o isolamento e querem sair deste estado; procuram um coração amigo que lhes sirva de arrimo, nas horas tristes da existência, que as circunstâncias presumíveis farão insuportavelmente dolorosa.

“No entusiasmo produzido pelos primeiros afagos da ventura; na embriaguez das primeiras emoções que parecem realizar um sonho por nós longamente acariciado; nos encantos desse ideal que, ingenuamente, supomos ter encontrado, parece que não devemos recear desilusão alguma”. J. Nysten.

Quantas surpresas desconcertantes. Que doloroso acordar, no dia imediato ao dessas alegrias que julgávamos eternas.

Ainda não foi dito tudo sobre a fragilidade das afeições e sobre as angustias provenientes da inconstância do pobre coração humano? Não é, porventura, em questões de amor, que o homem, na generalidade dos casos, merece a recriminação, que se lhe tem feito tantas vezes, de volúvel e inconstante?

Nada mais frágil que as afeições humanas. Dizia Bourdaloue: “Gastam-se anos em conquistai-as e, em um momento, se rompem.”

Ouçamos a amarga queixa do Padre Lacordaire; é a queixa de um coração desiludido:

“Ai, quantas infidelidades hei suportado em minha vida! A amizade é uma velha arvore da qual me restam apenas, algumas folhas de outono; terei de vê-la ainda tombar?”

Sim, o amor que perdeu os primeiros encantos para dar lugar a indiferença e transformar-se, em seguida, no que se convencionou chamar, incompatibilidade de gênios, é a cruz mais pesada do matrimônio, a origem de todos os outros sofrimentos, trazendo completos dissabores, dilacerando o coração e enchendo a alma de remorsos.

Quanto importa, pois, abrir os olhos em tempo, deixando-nos guiar prudentemente, para que não nos enganemos e, por nossas próprias mãos, procuremos a desgraça!

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