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Como aprender a rezar em latim

Como falar em latim

São Francisco de Sales, em sua obra “Introdução à vida devota”, nos exorta a que aprendamos a rezar em latim. No entanto, não basta somente querer: aprender este idioma é difícil e requer muito esforço e dedicação. Apesar de ser tão semelhante ao nosso português, ele ainda carrega em si diferenças imensas que podem gerar confusão e dificuldades.

Por isso, preparamos aqui um pequeno guia para como iniciar os estudos no latim!

Por que estudar latim?

Antes de tudo, vale a pena explicar ao fiel leitor o porquê de devermos estudar o latim. São Francisco de Sales, ao exortar a aprender as orações em latim, também diz que devemos aprender o que as palavras significam. Isso nos mostra que não basta decorar o Pater Noster, a Ave Maria e o Salve Regina: devemos também compreendê-las de verdade para que possamos rezar com nossa alma e nosso intelecto.

Por isso, cumpre primeiro responder a um questionamento lógico:

Para quê esse esforço todo?

Ora, o latim é uma língua sacra, e é por isso que é o idioma oficial da Igreja. E isso se dá não só porque somos católicos romanos, mas sim por um detalhe crucial: o latim estava pregado na Cruz de Cristo. Sabemos bem que, na placa posta acima de Sua cabeça, tínhamos escrito “Iesu Nazarenus Rex Iudaeorum”, “Jesus Nazareno, Rei dos Judeus” em tradução livre. Daí surge o acrônimo INRI, inclusive, tão presente em ilustrações da crucifixão de Nosso Senhor.

Porque o latim estava na cruz, ele se tornou língua sacra, junto ao hebraico e ao grego, que também estavam na supracitada placa. É por isso que os ritos da Igreja tradicionalmente usam tais línguas. O seguinte vídeo do Padre Chad Ripperger, conhecido e habilidoso exorcista, explica melhor essa questão:

E é só por isso?

Não. Primeiramente, o latim é o idioma utilizado na Santa Missa. Estudá-lo para melhor compreender as orações feitas durante ela e também os seus inefáveis mistérios é sem dúvidas de grande utilidade.

Cumpre também salientar que o latim, sendo uma língua morta, não sofre modificações ao longo dos séculos. Os nossos avós, ao rezarem o Pater, diziam “Padre nosso, que estás no Céu…”, enquanto que nós rezamos “Pai nosso, que estás no Céu…”. Percebam que há já uma pequena modificação nas palavras ao cabo de apenas uma ou duas gerações.

No entanto, nossos avós, bisavós e todos os nossos antepassados, além dos padres, Papas, santos e santas, rezaram da seguinte forma: “Pater noster qui es in Caelis…”. É assim desde o nosso começo e assim permanecerá até os nossos últimos dias: por ser uma língua morta, ela não mais se modifica. As palavras não mudam, gírias e jargões não aparecem, a pronúncia não se simplifica com o uso quotidiano. Nada muda.

E, por isso, ao rezar “Pater noster qui es in Caelis…”, nós unimos nossas vozes à de todos aqueles citados antes. Rezamos em conformidade com a forma como toda a Santa Igreja rezou ao longo da história, usamos as mesmas palavras usadas aqui e também no interior da Sibéria e realmente nos unimos como um só Corpo de Cristo. Além disso, existe sacrifício mais louvável que o dedicar-se a aprender todo um idioma apenas para a adoração a Deus? Sem dúvidas é um sacrifício meritório aos olhos da Divina Majestade.

Com isso elucidado, creio que podemos iniciar de fato os estudos. Vamos lá!

O método natural

O método natural é uma forma de aprender um idioma que vem recebendo destaque principalmente nos últimos tempos. Com ele, emulamos um convívio cotidiano comum com falantes nativos de um idioma, de modo a melhor compreendê-lo da forma como ele é.

É óbvio que não existem mais falantes nativos de latim, mas ainda temos como estudá-lo segundo o método natural. Para tanto, existem coleções ótimas de livros a serem lidos, sendo o principal o Lingua Latina per se Illustrata, de Hans Osberg.

No entanto, cumpre salientar que o método natural implica primeiro em ouvir um idioma, de modo a se adaptar à sua pronúncia e a como ele soa, para depois buscar leitura e escrita. Por isso, não basta ler o Lingua Latina: temos de ouvi-lo. Para tanto, normalmente se faz uso de um professor que vá ler o livro para você. No entanto, não tema! Temos aqui uma recomendação de conteúdo gratuito para estudo: o professor Luke Ranieri, do canal Scorpio Martianus, disponibiliza esta playlist gratuita em que ele lê toda a coleção do Lingua Latina, com os textos acompanhando, de forma que você sequer precisa comprar os livros.

O latim do YouTube

Além disso, existem diversos canais no YouTube que auxiliam a se inteirar mais no idioma. O supracitado professor Luke tem um outro canal, chamado polýMATHY, em que ele faz vídeos com curiosidades sobre o idioma e traz conversações “cotidianas”. Neste vídeo, por exemplo, ele analisa o latim do personagem Loki na famosa série da Disney que leva seu nome, quando ele volta no tempo para a cidade de Pompéia à época da explosão do vulcão. Neste outro, ele faz outra interação muito mais legal: ele foi para a Cidade do Vaticano falar latim com os nossos padres, testando se eles estão “afiados”.

Além do polýMATHY, existem diversos outros canais de conteúdos ótimos, como o Musa Pedestris e o Stephanus RVMAK Victor, que também são professores e também publicam conteúdos em latim de graça. Apesar dos vídeos estarem em inglês, as legendas são ótimas e podem ser lidas sem problemas.

O latim eclesiástico

Existe algo crucial a ser salientado: todos estes supracitados professores falam o latim clássico, que é diferente do latim eclesiástico, que é usado em nossas orações. A pronúncia muda demais: a versão eclesiástica lembra um latim “com sotaque italiano”, por assim dizer. No entanto, a forma escrita não encontra tantas modificações; por isso, podemos estudar o idioma vendo aqueles vídeos, embora precisemos de apoio para aprender a rezar conforme a Igreja o faz.

A importância dos cantos gregorianos

Para tanto, é importante que procuremos conteúdo da própria Igreja. Ouvir cantos gregorianos, por exemplo, ajuda demais a se acostumar com o idioma, dado que o que escutamos não é como numa conversação coloquial. É muito mais difícil entender uma música do que uma conversa; por isso, quando entendemos as letras de um hino, sem dúvidas entenderemos com facilidade uma oração comum. A Livraria Caritatem já trouxe, em seu Telegram, uma reflexão sobre o hino “Miserere mei, Deus”, que é provavelmente o mais belo de todos; este é um ótimo ponto de início.

O Rosário em latim

Outra forma simples de se acostumar é rezando o Rosário de forma acompanhada. Por ser já uma oração conhecida por todos e que só contém orações ainda mais conhecidas, aprender a rezar o Rosário em latim é um ótimo pontapé inicial no estudo da pronúncia eclesiástica.

Existem diversos vídeos pelo YouTube que trazem pronúncias satisfatórias e acompanham o texto da oração, e a que eu mais recomendo é essa aqui. Este vídeo traz apenas os Mistérios Gozosos, mas não é difícil de encontrar os demais mistérios na internet. No entanto, eu recomendo que tomem cuidado com os vídeos de Papas rezando: o Papa Emérito Bento XVI, por ser de origem alemã, tem um sotaque germânico pesadíssimo em seu latim, o que não é muito bom para estudos do idioma. O Papa João Paulo II sofre do mesmo problema, apesar de ser de origem polonesa.

Devemos ter cuidado, também, quando nos depararmos em Rosários que acompanhem cláusulas ou que tenham os Mistérios Luminosos. A oração destes dois é contrária à Tradição da Igreja e deve ser evitada.

As demais orações

Quando já tivermos um pouco mais de proficiência na língua, podemos buscar livros que tenham outras orações em latim, também. O Devocionário Quotidiano oferecido pela Livraria Caritatem traz em si algumas, bem como o Pequeno Ofício da Imaculada e o Ofício Parvo dos Santos Anjos. Com a récita cotidiana destas diferentes orações, acabamos por nos acostumar à leitura do latim e também a melhor pronunciar aquilo que lemos. Com isso, com esforço e determinação, pode-se até chegar à fluência prática no idioma.

Indo à Missa

Deixamos o mais importante disso tudo por último. Um dos principais motivos para que aprendamos o latim é o perfeito entendimento do que é cantado, rezado e dito durante a Santa Missa, e, por óbvio, uma ótima forma de melhor se acostumar com ele é indo à própria Missa. Acompanhado de um bom Missal, você muito bem poderá se acostumar com o latim eclesiástico, além de melhor entender o que é dito e aprender mais do idioma.

Conclusão

Por isso, não tenha medo nem vergonha de ter um início lento. Algumas palavras no latim lembram o português, é vero, mas toda a pronúncia e a construção frasal é diferente. O latim não tem preposições, por exemplo; isso causa um imenso desconforto inicial para os lusófonos, que usam cinco preposições numa mesma oração. O início do aprendizado, por isso, é sofrido e demorado, mas após a leitura de dez capítulos do Familia Romana já deve ser tudo mais fácil.

Mas e então, achou este artigo útil ao aprendizado? Comente aqui embaixo a sua opinião, e não se esqueça de compartilhar com seus amigos para que ele possa atingir mais pessoas! A sua opinião é muito valorizada aqui na Livraria Caritatem e certamente será levada em conta.

“Até aqui nos ajudou o Senhor” – 1 Samuel 7, 12

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