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Conheça já a história da Batalha de Lepanto!

Tempo de leitura: 9 min

Escrito por caritatem
em 06/10/2021

Neste dia 7, a Santa Mãe Igreja comemora a festa de Nossa Senhora da Vitória, conhecida também por Nossa Senhora do Rosário. Esta festa foi instituída em comemoração à vitória das forças cristãs na Batalha de Lepanto, que teve cabo a 7 de Outubro de 1571.

Hoje, a Livraria Caritatem traz a narrativa desta batalha conforme escrita pelo Padre Jean Croiset em sua obra O Ano Cristão. É interessantíssimo observar que o autor descreveu a batalha cerca de 200 anos depois que ela ocorreu, e, por isso, a memória popular estava bastante viva. O imaginário do público ainda se lembrava muito bem de como havia ocorrido a batalha; logo, é notável que a narrativa é de imenso valor para o fiel católico. Por isso, traremos o trecho completo para vocês!

Festa de Nossa Senhora da Vitória, Vulgarmente do Rosário

Assim como estamos todos os dias recebendo novos benefícios da Santíssima Virgem, assim também tem cuidado a Santa Igreja de lhe manifestar seu devido reconhecimento, instituindo solenidades, pretendendo renovar, excitar e aumentar todos os dias a tênue devoção dos fiéis com festas particulares.

O motivo ou a ocasião da solenidade deste dia foi um dos maiores favores que a Cristandade recebeu pela intercessão poderosa da Mãe de Deus, no tempo em que os turcos, orgulhosos com as grandes conquistas que faziam sobre os cristãos, nada menos se prometiam que a conquista de toda a Europa, e fazer voar sua meia lua sobre a cúpula da igreja de São Pedro na capital do Cristianismo e do mundo.

Havia mais de um século que os turcos enchiam de pavor toda a Cristandade por uma série de vitórias que Deus lhes permitia já para castigar os pecados dos cristãos, para reacender em seus corações a fé meio apagada.

No ano de 1521 apoderou-se Solimão II da cidade de Belgrado; no de 1522 da ilha de Rodes; e no projeto de alargar suas conquistas até onde se estendia sua ambição, entrou na Hungria no de 1526, ganhou a batalha de Mohács, assenhoreou-se de Buda, de Pest, de Gran e de algumas outras cidades; penetrou até Viena da Áustria; tomou e saqueou Tauris; e por seus generais rendeu outras províncias importantes da Europa. Seu filho e sucessor Selim II conquistou a ilha de Chipre em 1571; lançou ao mar a mais numerosa e formidável armada que aquele monstro havia sopesado em suas espáduas, lisonjeando-se de se tornar senhor com ela de toda a Itália.

O chamado às armas

Atônita uma grande parte da Cristandade, considerou que sua sorte dependia dos azares de uma batalha. A esquadra cristã era muito inferior em número à dos turcos, e portanto não podia prometer-se a vitória senão com o socorro do Céu. Conseguiram-na os cristãos por intercessão da Santíssima Virgem, debaixo de cuja proteção havia posto a esquadra o Santo Padre o Papa Pio V. Deu-se esta memorável batalha, a mais célebre que os cristãos haviam ganho no mar, a 7 de outubro do ano de 1571.

Estavam os turcos ancorados em Lepanto, quando tiveram aviso de que os cristãos, saindo do porto de Corfu, vinham a velas cheias para eles.

Tão desprezível conceito haviam formado da armada cristã, que nunca pensaram que ela pudesse arriscar-se a uma batalha. Sabiam com toda a exatidão o número de navios de que se compunha; mas ignoravam que vinha combater sob a proteção da Santíssima Virgem, em quem depois de Deus tinham colocada toda a sua confiança; e por isso ficaram estranhamente surpreendidos, quando foram informados de que a armada naval dos cristãos havia já ganho a altura da ilha de Cefalônia.

Acostumados deste tanto tempo a vencer e derrotar os cristãos, celebraram sua intrépida aproximação como presságio seguro de uma completa vitória. Superiores em tropas e em naus, levantaram âncoras para lhes tolherem o passo, com o intento de os cortar e envolver, de maneira que nem um só escapasse para levar a notícia da derrota. Logo que apareceu à vista a esquadra otomana comandada por Ali Bachá, a cristã comandada por Dom João da Áustria, irmão natural de Filipe II rei da Espanha, juntamente com Marco Antônio Colona, general da esquadra pontifícia, levantou um espantoso grito, invocando a intercessão da Santíssima Virgem, sua soberana protetora.

Estavam as duas esquadras à distância de doze milhas apenas, quando se deu o sinal do combate e se hasteou o estandarte que os dois comandantes haviam recebido em Nápoles da parte de Sua Santidade.

O primeiro milagre

Logo que se descobriu a imagem de Cristo crucificado que estava bordada no estandarte pontifício, estalou em grandes gritos a alegria da armada, e dado o sinal para a oração, todos os oficiais e soldados adoraram de joelhos o Crucificado – espetáculo verdadeiramente grandioso e edificante era ver o oficial e o soldado armados para a peleja caírem aos pés de Jesus Cristo, implorando Sua assistência para vencer os infiéis por intercessão de sua Mãe Santíssima, cuja imagem era venerada a bordo de todas as embarcações. Enquanto isso, iam-se aproximando cada vez mais as duas armadas; a turca tinha o vento favorável, circunstância que muita margem dava ao sobressalto e ao temor [NOTA: é interessante ressaltar que, em uma batalha de navios, o vento influencia no curso dos disparos de canhão e também no alcance de um tiro. Lutar com o vento desfavorável era, por isso, motivo de terror: o seu oponente poderia lhe atacar a uma distância maior do que a que você poderia retaliar].

Voltaram-se então os cristãos com maior fervor para a Soberana Rainha, debaixo de cujos auspícios iam combater; eis que de súbito muda o vento, soprando-lhes agora de popa, de modo que o fumo da artilharia cristã carregava sobre a esquadra otomana, mudança que todos qualificaram milagrosa, recebendo-a como prova visível da assistência do Céu. Acharam-se ao alcance da artilharia as duas esquadras a 7 de Outubro; foi tal o canhoneio de uma e outra parte que por largo espaço de tempo ficou a atmosfera escurecida com a densidade do fumo. Três horas durava já o porfiado combate com empenhado valor, e com vantagens iguais, ou quase, de um e outro combatente, quando os cristãos, mais esperançados na proteção do Céu do que nos esforços de seu coração e de seu braço, observaram que os turcos começavam a ceder, e se iam chegando para a costa.

Redobrando então de confiança e de ardimento, os nossos generais fizeram fogo ponteiro sobre a capitânia turca; mataram Ali Bachá, abordaram a galera e arrancaram o estandarte.

O vitória magnânima

Mandou a este tempo Dom João da Áustria que todos clamassem – Vitória; desde então, cessando de ser combate, passou a ser carnificina, deixando-se os infelizes turcos degolar sem resistência.

Os otomanos perderam trinta mil homens naquele imenso combate, um dos mais sanguinolentos que experimentaram desde o dia da fundação do seu império. Fizeram os cristãos cinco mil prisioneiros, entre os quais dois filhos de Ali, e se fizeram senhores de cento e trinta galeras turcas; mais de noventa pereceram, ou afundadas, ou consumidas pelo fogo; recobraram a liberdade por esta insigne vitória quase vinte mil cristãos. Na armada destes faltou tão pouca gente, que todo o orbe conheceu visivelmente a assistência do Céu, e aclamou o portentoso milagre. Consternou-se tanto toda a cidade de Constantinopla, como se já estivera o inimigo à porta; os turcos davam a guardar seus tesouros aos cristãos, suplicando-lhes que quando se tornassem senhores da cidade e do império, lhes poupassem as vidas e os tratassem com piedade.

Teve revelação da vitória do Sumo Pontífice Pio V no mesmo tempo em que os turcos eram derrotados; e tão persuadido ficou que esta vitória fora efeito da particular proteção da Santíssima Virgem, que instituiu esta festa com o nome de Nossa Senhora da Vitória, como o anuncia o Martirológio romano por estes termos: “No mesmo dia (7 de outubro) a Comemoração de Nossa Senhora da Vitória, festa que instituiu o Santo Papa Pio V em ação de graças pela gloriosa vitória que neste dia conseguiram os cristãos dos turcos em uma batalha naval pela particular devoção da Santíssima Virgem.”

A consolidação da festa

Para empenhar mais particularmente a proteção desta Senhora a favor das armas cristãs em conjuntura tão perigosa, havia-se socorrido o Santo Pontífice da devoção do Santo Rosário, tão agradável a esta Rainha Soberana, e já então mui antigo na Igreja de Deus; e por isso mandou que a festa de Nossa Senhora da Vitória fosse ao mesmo tempo a solenidade do Santo Rosário. Não menos convencido o Papa Gregório XIII de que a batalha de Lepanto, ganha contra os turcos, se devia a esta célebre devoção, ordenou em reconhecimento à Santíssima Virgem que perpetuamente se celebrasse a solenidade do Rosário no primeiro domingo de Outubro em todas as igrejas onde se erigisse esta confraria.

Clemente XI, um dos pontífices que governaram a Igreja de Deus com mais tino, zelo e dignidade, sabedor da vitória que as tropas do imperador conseguiram dos turcos no dia de Nossa Senhora das Neves, a 5 de agosto de 1716 e perto de Salankemen, conhecida pelo nome de batalha de Selim, uma das mais completas que até então foram ganhas sobre os infiéis, pois nela ficaram estendidos mais de trinta mil turcos, sem contar os prisioneiros, toda a artilharia, a caixa militar, a chancelaria, duas caudas de cavalo, todas as suas bandeiras e estandartes; reconhecendo que esta mesma vitória era devida à especial proteção da Santíssima Virgem, mandou logo cantar uma missa solene em Santa Maria Maior em ação de graças de tão insigne benefício; ao qual se seguiu outro pouco inferior ao primeiro, qual foi o haver levantado a cidade de Corfú no dia da oitava da Assunção, 22 do mesmo mês e ano. Agradecido o piíssimo Pontífice a esta dupla proteção, depois de ter publicado uma indulgência plenária em Santa Maria da Vitória, e enviado os estandartes que se tomaram a Santa Maria Maior e ao Loreto: mandou que a festa do Rosário, limitada até então às igrejas dos dominicanos, e às onde houvesse confraria desta invocação, fosse dali em diante festa solene de preceito para toda a Igreja universal no primeiro domingo de outubro, mui persuadido de que a devoção do Rosário era meio mui eficaz e próprio para agradecer à Santíssima Virgem os favores recebidos por sua poderosa intercessão, e para empenha-la a que nos dispensasse cada dia novos e maiores.


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Caso este artigo lhe tenha sido de utilidade, lhe pedimos que compartilhe com seus amigos para que a tão bela história da Batalha de Lepanto seja redescoberta pelo fiel católico e comente aqui embaixo o que você achou disso tudo e o quanto você aprendeu! Salve Maria.

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1 Comentário

  • Felipe disse:

    Belíssimo trecho!
    Com toda certeza a Caritatem está trazendo de volta aos lares Católicos uma preciosidade imensa!🤩📚

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