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Conheça a história de São Tomé, Apóstolo

Tempo de leitura: 11 min

São Tomé, chamado também por Dídimo, (palavra grega que significa o mesmo que Tomé em hebreu: “gêmeo”), era galileu de nascimento. Vinha de condição pobre e obscura, como costumava ser a condição daqueles que Cristo tomava por apóstolos. Metafrastes diz que Deus o enchera desde a infância com as mais doces bênçãos e que lhe deu um espírito tão dócil, um coração tão puro, uma natureza tão feliz e uma inclinação à virtude tão pouco comum, que todos o olhavam com admiração.

Era costume entre os judeus dar aos meninos alguns livros sagrados logo que aprendiam a ler, nos diz aquele autor. Tomé encontrava tanto gosto nesta leitura que nela fazia consistir todas as suas delícias e divertimentos. Depois de ter dado o tempo preciso à pesca, em lugar de ir se divertir com os jovens de sua idade e condição, dirigia-se ao templo ou a algum lugar afastado para extrair dos livros sagrados aquele espírito de piedade e de religião que viria a torná-lo algum dia digno de ser um dos mais generosos e amantes discípulos do Salvador do mundo.

Tal foi a infância e a juventude de Tomé antes de ser chamado ao apostolado. No entanto, o Senhor não tardou em lhe conceder esta graça.

Tendo o nosso santo ouvir falar das maravilhas que o Salvador operava, não duvidou de que fosse Ele o Messias prometido e por tanto tempo esperado. Ele foi, então, atrás do Senhor e largou tudo para segui-Lo. Este novo discípulo seguia-O por toda parte com um fervor e um zelo que bem revelavam que o Salvador o havia escolhido para discípulo entre os outros.

São Tomé torna-se Apóstolo

Preso João Batista pelo ímpio Herodes, e atirado no cárcere, parecia natural que Jesus Cristo fosse abandonado de todos os que O haviam seguido até então; mas, como era Senhor dos corações, longe de ser abandonado, viu crescer o número dos seus discípulos.

Foi por este tempo que o Salvador quis eleger dentre os que O seguiam com mais continuidade doze discípulos, os quais chamou apóstolos. Tomé foi um destes: seu zelo, fervor, amor e fidelidade a seu divino Mestre contribuíram para esta eleição. Este digno apóstolo não se separou, então, de seu amado Mestre. O lugar que ocupava no coração do Salvador conhece-se pela respeitosa e religiosa familiaridade que tinha com Ele. Era companheiro inseparável de suas excursões apostólicas e testemunha de seus milagres.

Depois de ter tido o Salvador junto de si por algum tempo a seus apóstolos para os instruir e formar, julgou que era oportuno empregá-los na vida apostólica e mandá-los para diversas partes pregar ao povo o que lhes foram ensinado em particular. Nosso santo distinguiu-se pelo fervor e zelo entre aqueles excelentes obreiros, e foi dotado desde então com o dom de expulsar demônios e de fazer toda sorte de milagres.

A coragem de São Tomé

Quando o Salvador estava na Galileia, recebeu por um expresso a notícia da enfermidade de seu amado discípulo Lázaro, irmão de Marta e de Maria. Tendo dito alguns dias depois a seus apóstolos que este grande amigo estava morto e que ia a Betânia ressuscitá-lo, os apóstolos, ainda tímido, pareceram assustar-se com esta resolução do Salvador. E não podendo deixar de lhe apresentar o risco a que se expunha, sabendo que os judeus procuravam-No para apedrejá-Lo, disseram-Lhe: E como, Senhor, tendes coragem de voltar tão cedo à Judéia?

Então São Tomé, vendo seu Divino mestre determinado a partir com seu Senhor, disse: Vamos, sigamos o nosso bom Mestre. E, se preciso for, morreremos com Ele. Uma resolução tão generosa não podia vir senão de um terno amor a Cristo, de uma fé inabalável e à prova de toda a malícia dos escribas e fariseus.

A confiança com que nosso santo tomava a liberdade de fazer perguntas ao Salvador dá bastante a entender que São Tomé era um de seus mais amados discípulos. Celebrando Jesus a última ceia na noite que precedeu a paixão, deu-lhes diversas instruções para os consolar e fortalecer contra a turbação e a tristeza em que a notícia de que ia se tornar para eles os havia lançado.

A última ceia

Não vos perturbeis, disse-lhes Jesus Cristo. Vós credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas mansões; eu vou preparar-vos um lugar. Voltarei depois para tomar-vos e para vos conduzir lá: não ignorais o lugar para onde vou, e porque caminho vou. São Tomé, então, disse-Lhe: Senhor, não sabemos para onde vais; como poderemos saber o caminho por onde se vai? Ao que respondeu o Senhor, que era Ele mesmo o Caminho, a Verdade e a Vida, e que ninguém ia ao Pai senão por Ele.

Ferido o Pastor, debandaram as ovelhas. O medo dissipou o rebanho por algum tempo, mas não extinguiu o amor que unia os discípulos ao Mestre. Retiraram-se quase todos para chorar livremente a morte de seu divino Salvador, mas sem perder a esperança de Sua ressurreição gloriosa. São Tomé foi um dos que sentiram mais vivamente os maus tratos de Jesus; se tivesse seguido a vivacidade de seu temperamento e de seu bom coração, teria defendido com valor e zelo seu Divino Mestre.

Contudo, deve-se crer que o Filho de Deus, que o conhecia, que o prezava e que o instruía, governou sua conduta com Seu divino Espírito. São Tomé retirou-se com os outros para Jerusalém, esperando aquele grande acontecimento que devia ser o triunfo de Jesus Cristo e o da religião, e o cumprimento de suas predições e promessas.

A ressurreição do Senhor

Ressuscitado Jesus e aparecendo logo à Santíssima Virgem, a São Pedro, Maria Madalena e aos outros. Todos atestavam que seu divino Mestre ressuscitaram e lhes tinha aparecido, os dois que iam para Emaús tiveram a alegria de vê-Lo e de conversar com Ele. Voltaram logo a Jerusalém para contar aos outros sua ventura. Tendo-os achado juntos, uns diziam que o Salvador tinha ressuscitado verdadeiramente e que tinha aparecido a Pedro, às santas mulheres e aos outros discípulos, e outros não criam em nada disso.

Como se estava ainda disputando a tal respeito, Jesus dignou-se aparecer no meio deles sem sequer abrir a porta nem fazer buraco algum na parede. Saudou-os, como era de costume, lhes dizendo: “A paz seja convosco. Eu Sou, não temais.” Ainda assim, como muitos julgaram que era um fantasma, consolou-os maravilhosamente, assegurando-os de que era Ele. No entanto, repreendeu-os e com razão, por sua grande inquietação e vãs contestações acerca de Sua pessoa, o que denotava fé débil e vacilante.

Depois disso, mostrou-lhes as chagas das mãos, dos pés e do lado, como dizendo-lhes que as vissem de perto e as tocassem. Finalmente, querendo convencê-los de vez, perguntou-os se tinham alguma coisa para comer. No mesmo instante Lhe apresentaram um pedaço de peixe assado e um favo de mel. Tendo comido de um e outro, não só derramou em seus corações paz e gozo, mas também os cumulou de suas maiores graças.

São Tomé não O viu

Tomé foi o único que não tomou parte dos favores por estar ausente. Isto permitiu à Providência que este pormenor ocorresse para nos dar, em sua incredulidade, a prova mais visível e incontestável da ressurreição do Salvador, e para curar, digamos assim, com a vista e o contato com Suas chagas sacrossantas, as que a nossa pouca fé havia de fazer em nossas almas.

Vindo este apóstolo para onde os outros estavam, achou toda a assembleia exultante em alegria. Contaram-lhe como o Salvador lhes havia aparecido com Seu corpo ressuscitado e vivo, o que lhes tinha dito, como havia comido com eles, e com que benignidades lhes havia mostrado Suas chagas. Tomé disse de pronto que não acreditava, como aqueles que não podem persuadir-se de que seja real aquilo que querem muito se não o veem ainda.

Por mais que me digam, respondeu ele, não me persuadireis que meu Mestre está vivo. Não o hei de crer sem que veja com meus olhos Suas mãos traspassadas dos cravos, e sem que ponha nela os dedos e a mão toda na chaga, para convencer-me de que está vivo. O Salvador, então, não quis deixar Seu discípulo em sua incredulidade.

São Tomé O viu

Como Ele só permitiu esta infidelidade para nos tornar mais fiéis, voltou ao mesmo lugar oito dias depois. Esperou a ocasião em que todos os apóstolos e discípulos estavam juntos, e entrou. Fechadas as portas, apareceu no meio da assembleia, onde também estava São Tomé: depois de os saudar e de lhes dar a paz, encarou este amado discípulo, e lhe disse: “vem, meu filho, e convence-te por ti mesmo da verdade da ressurreição.

“Convence-te por teus próprios sentido de que este que vez é o mesmo corpo que eu tinha na cruz. Vê minhas mãos perfuradas, põe nelas o dedo, vê a chaga de meu lado, põe nela a mão, e não sejas incrédulo, mas fiel. Minhas palavras, minhas promessas, as provas insignes que eu tinha dado de minha ressurreição, e o testemunho de todos os teus irmãos, deveriam bastar para te convencer de um tão sublime fato.”

Quando o Salvador disse isso, operou no coração do obstinado discípulo uma tão espantosa mudança, que de incrédulo se fez fiel. E, reconhecendo sensivelmente que Aquele que lhe falava era o Salvador, se desfez em lágrimas, se Lhe prostrou aos pés e, abrançando-Os, exclamou: Senhor meu e Deus meu! Então o Salvador, movido de sua perfeita contrição e fé viva, perdoou-lhe sua falta e disse-lhe: Tomé, tu acreditaste porque viste: bem-aventurados os que acreditaram sem ver. Não se pode dizer que crê o que só crê naquilo que os sentidos testemunham.

A demonstração de fé

Os Padres da Igreja fazem excelentes reflexões sobre toda esta conduta. Santo Ambrósio, Santo Agostinho e São Cirilo desculpam a São Tomé e entendem assim agiu mais por um santo desejo de ver a seu Mestre do que por uma dúvida formal ou por infidelidade. São Gregório e muitos outros creem que ele errou nesta ocasião.

No entanto, todos chegam à conclusão de que a fé deste santo apóstolo foi perfeita e independente dos sentidos. Aliud vidit, dizem, et aliud credidit: viu as chagas de seu divino Mestre e viu Seu corpo vivo; mas acreditou noutra coisa muito diferente do que via. Viu um homem, mas creu firmemente que este homem era seu Deus; sua fé sobre a divindade do Salvador foi das mais explícitas, das mais perfeitas e das mais generosas.

Poucos dias depois desta célebre aparição de Cristo ressuscitado, tendo os apóstolos deixado Jerusalém para voltar à Galileia, Tomé e alguns outros foram com São Pedro pescar ao mar de Tiberíades. Passaram toda a noite sem pescar nada; chegada a manhã, estava Jesus na praia, e apareceu-lhes sem que soubessem que era Ele. Reconheceram-no, porém, pela pesca prodigiosa que fizeram à Sua ordem, da qual comeram depois com ele. Efetuada mais tarde a Ascenção do Senhor e a descida do Espírito Paráclito, os apóstolos, movidos por este mesmo Espírito, repartiram entre si todo o universo para levarem a todas as partes a luz da fé e do Evangelho.

A missão apostólica

A tradição desde os tempos apostólicos nos instrui de que, nesta divisão, São Tomé responsabilizou-se do Oriente. Teve a consolação de se encontrar com os reis magos, que eram os primeiros dentre os gentios que vieram a Belém para adorar o Menino Jesus. Fez-lhes a narração de tudo o que se passara depois no decurso da vida do Salvador, Sua paixão, morte e ressurreição, e que tendo-os batizado, os associara a si no ministério evangelíco.

Percorreu a Etiópia, os países dos medos, dos persas, a Índia, penetrou até o Ceilão e foi à China. O erudito padre Kirker, em sua história da China, diz que quando os portugueses passaram às Índias, descobriram que os cristãos, que se dizia serem de São Tomé, rezavam em seu ofício da língua siríaca as antífonas seguintes: “Os chineses e os etíopes foram trazidos ao conhecimento da Verdade por São Tomé. O reino dos Céus foi anunciado por São Tomé até à China; e, na solenidade da festa deste santo apóstolo, os etíopes, índios e persas oferecem, Senhor, a Vosso santo nome, suas adorações e votos.”

A famosa pedra achada na China em 1625, na qual está escrita na língua chinesa um compêndio de doutrina cristã e uma cruz de ferro de mais de 3 toneladas de peso, cuja inscrição assinala o ano de 239 de Jesus Cristo, mostram evidentemente que o Evangelho havia sido pregado na China desde o nascimento da Igreja. Os povos do Brasil também se gloriam de ter recebido de São Tomé a luz da verdade, mas o que há de mais certo é que São Tomé exerceu as suas funções em sua missão nas Índias Orientais.

O martírio de São Tomé

A grande quantidade de milagres que o santo apóstolo obrou em uma infinidade de países, dentre eles a Índia fizeram triunfar depressa a religião cristã em todo o país. A Igreja, então, estabeleceu-se entre as ruínas da idolatria, o que irritou os sacerdotes pagãos contra o santo e lhe apressou o martírio.

Tendo os brâmanes observado que São Tomé ia todo dia rezar junto da cruz, se jogaram sobre ele, pisaram-no com os pais, lhe esbofetearam e lhe atravessaram com muitas lançadas. Assim acabou sua larga e laboriosa carreira, este glorioso apóstolo, depois de tantos trabalhos padecidos por Jesus Cristo em tantos e tão diversos países, os quais dependem de uma larga vida.

No ano de 1523, tendo os portugueses se apoderado da cidade de Meliapor, o rei de Portugal Dom João III quis que se chamasse de São Tomé. Ao abrir os alicerces de uma igreja, encontrou o corpo do santo apóstolo, o qual foi trasladado para Gôa, onde suas relíquias se guardam até hoje com grande devoção.

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2 Comentários

  • Rodrigo Silva disse:

    Foi uma ótima visita, gostei muito, voltarei assim que
    puder..!

    1. Livraria Caritatem disse:

      Que bom que gostou Rodrigo. Temos vários posts que temos certeza que gostará de ler!

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