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Deveres domésticos da mulher

Tempo de leitura: 5 min

Nos deveres domésticos da mulher, a mãe e esposa conscienciosa não desdenha descer às menores particularidades da vida doméstica; e não seria capaz de grandes coisas aquela que se desleixasse nas pequenas.

Primeiramente vale entender que no cumprimento dos seus modestos deveres, há dois extremos a temer: a lentidão e a precipitação. Mas uma atividade calma e prudentemente regulada evitará essa dupla escolha.

O zelo com o lar

O agricultor distingue os trabalhos de cada estação, abstendo-se sempre de inverter as condições da cultura; planta, rega, aduba e poda, colhendo cada fruto em seu tempo próprio; não adia jamais para o verão o que deve ser feito no inverno, nem arrisca as últimas vindimas do outono pela imprevisão da primavera a vir.

Da mesma forma A mãe cristã tem a seu cargo uma cultura bem delicada. A sua arte consiste em prever o presente e em prever o futuro; sendo que qualquer adiamento ou descuido nessa grave ocupação se tornaria uma causa de desordem e de ruína. É imperdoável a incúria da mulher que, por falta de coragem ou zelo, perturba a prosperidade da sua casa.

Além disso a negligência nos interesses da família é, além de tudo, um péssimo exemplo para os filhos.

Igualmente descura-se muito, em geral, a educação doméstica das moças cristãs. Conviria iniciá-las gradualmente nos cuidados da economia interior. Como poderá ela dirigir um dia a sua casa, a sua família e os seus criados, se ignorar os diversos ramos e as particularidades múltiplas de uma administração tão complicada? Bem digna de lástima é a mulher, e sobretudo o seu esposo e os seus filhos, quando ao lar doméstico falta essa condição de ordem e de felicidade.

Outro defeito, contrário à lentidão, mas não menos comum, é uma excessiva mobilidade e vivacidade em tudo, que tudo transtorna e perturba. Um relógio que se adianta demais tem os mesmos inconvenientes do que se atrasa. A agitação e as efervescências do espírito são sempre para recear, mesmo na prática do bem.

Marta! Marta!

“Marta! Marta! Com muitas coisas te agitas e uma só te é necessária!”

Essa coisa necessária é a obra atual ou o serviço em que presentemente estamos empregados. É um erro querer abarcar ao mesmo tempo muitas ocupações diversas, em lugar de exercer separadamente e, por sua vez, cada uma delas.

Os excessos de zelo são como um turbilhão que atordoa e desatina, não somente os que lhes servem de alvo, mas também os que a eles assistem. E, quando é uma mãe que se abandona a essa contínua e delirante azáfama, em vez de atrair, afasta ela do seio da família os que aí vêm buscar o descanso e o sossego.

A solicitude material deve imitar os processos da graça.

Que a mãe e esposa cristã evite sobretudo, para si mesma e para os outros, os excessos de zelo religioso. Excitar, aguilhoar descomedidamente as almas, é ultrapassar o fim proposto e chegar a um resultado contrário àquele que se tinha em vista. Convém sugerir as boas ideias, mas não as impor; convém favorecer o desenvolvimento dos bons desejos, mas não os precipitar.

Os mais simples exercícios de devoção se tornam fastidiosos quando feitos constrangidamente ou contra a vontade. Vossos filhos, desde os seus mais verdes anos, têm o sentimento irrefletido de uma certa dignidade; e, quanto mais respeitardes esse sentimento, aclarando-lhes em todo o caso a consciência, melhor favoreceis o desabrochar de uma piedade sólida e verdadeira. A jovem alma que instintivamente se furta a uma direção imperiosa, de boa vontade cede às impulsões persuasivas, amáveis e oportunas.

A solicitude material deve imitar os processos da graça. Ora, a graça é paciente, complacente e insinuante, e nunca se fatiga, nem se perturba, nem se irrita, porquanto ela toda é só mansidão e longanimidade. Pois, com esses predicados evangélicos é que deve aparecer a realeza da mãe no governo da sua família e da sua casa.

Não só ensinar aos filhos, mas a todos os subordinados.

Todavia, a solicitude de uma mãe seria incompleta se ela a concentrasse unicamente em seus filhos; é preciso passar além, estendendo mais longe a sua ação. Referimo-nos aos deveres das senhoras com relação aos criados, deveres de que, em geral, se faz muito pouco caso, o que é prejudicialíssimo para a família e para a sociedade.

Todo o mundo o diz e a experiência o atesta: são os bons senhores que fazem os bons servidores. Em outros tempos, quando os costumes eram verdadeiramente cristãos, consideravam-se os servos como membros de família e, nesta qualidade, eram eles admitidos à prece comum e tratados com paternal benevolência.

Desse modo, tomavam os criados interesse pela prosperidade da casa, e os amos podiam contar com a fidelidade e dedicação deles.

O enfraquecimento do espírito cristão tem relaxado esses laços evangélicos; do que resulta ficarem os nossos filhos frequentemente expostos a tantas influências maléficas.

Que ela seja mãe, não somente para aquele a quem deu a vida.

É ainda à mãe que pertence obviar a esse perigo. Que ela tenha para todos, palavras de animação, simpático gesto e maternal bondade.

Esse sentimento de benevolência não seria desejável também para com os jornaleiros que trabalham em vossas casas? É um hábito mau e muito repreensível não se importar absolutamente com eles; ver só a obra e esquecer ou desprezar o trabalhador. Como seria fácil, entretanto, com alguma palavra, com alguns sinais de atenção ou com alguns obséquios mesmo, animá-los e contentá-los.

São homens que causam pena, às vezes; pobres e laboriosos pais de família, ou estrangeiros saudosos da pátria distante, ou filhos que choram a mãe ausente ou morta, ou corações, quem sabe? Ulcerados por ignota dor; e quão felizes seriam talvez com um simples gesto ou palavra de simpatia e animação.

Não é uma esmola que vos pedem; eles se contentam só com isso. Por que lhes recusar este pouco?

A caridade tem a inteligência dessas coisas todas e possui segredos cuja mágica virtude traz bálsamo às dores, dilata o reconhecimento e consagra todos os deveres do lar cristão.


Para se aprofundar no tema, leia também o livro “As três chamas do Lar”, de Pe. Geraldo Pires.

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