É dever dos pais a educação dos filhos

É sobretudo dever dos pais a educação dos filhos, sua formação moral, intelectual e sobretudo espiritual.

Quaisquer que sejam as pretensões dos Estados modernos em relação aos problemas educacionais da infância e da juventude, jamais eles conseguirão suprir a influência preponderante do lar.

Responsabilidade dos pais

Pelo fato de recair, ao mesmo tempo, sobre pai e mãe, a autoridade na família, é um misto de força e ternura, que nunca se poderia encontrar, de uma forma tão eficaz, num estabelecimento escolar, por mais cientificamente organizado que este fosse. Próxima e intuitiva, esclarecida e carinhosa, essa autoridade adapta-se, com precisão, às necessidades da natureza infantil.

Se o pai governa mais com o raciocínio e a mãe, com o coração, ambos, por se amarem e por estenderem ao filho esse amor, esforçam-se para aperfeiçoarem, cada dia, seus métodos educativos. Por serem dois a se empenharem nessa tarefa, aprendem a compreender melhor a criança. E com a conciência de que é dever dos pais a educação, muito mais se empenham nesta missão.

A intimidade do lar permite-lhes conhecer os mais recônditos instintos infantis. Amam desinteressadamente o filho, porque o amam mais do que a si próprios. Na família, a disciplina não se confunde com um regulamento rígido, anônimo e uniforme. A obediência é naturalmente acompanhada de respeito e de amor. Ela se baseia na confiança.

Os meios de educação

As sanções não têm outra finalidade a não ser encorajar e orientar a boa vontade do educando. A autoridade familiar não visa a formar autômatos, mas, seres responsáveis. É acima de tudo, da educação recebida em casa, que depende o valor moral do adulto.

Infelizmente, nem sempre os responsáveis possuem uma consciência nítida de suas responsabilidades. Muitas vezes, por ignorância ou por uma afeição mal orientada, desvirtuam a personalidade moral da criança. Daí decorre a necessidade de se lembrar os princípios que orientam e esclarecem o problema educacional.

Pequeno tratado de pedagogia auxilia os pais neste dever

Embora possam ser auxiliados por educadores e professores, os pais nunca devem perder de vista que são os primeiros artífices da obra a ser empreendida. Jamais, salvo exceção, sua influência poderá ser compensada pela dos mestres. Por conseguinte, indicamos aos pais um modesto tratado de educação, o livro “Pequeno Tratado de Pedagogia” do Abade Jean Viollet.

Ele não visa tanto discutir as teorias, muitas vezes contraditórias e duvidosas dos pedagogos modernos, mas, trazer soluções aos problemas práticos que diariamente se apresentam à consciência de pais bem intencionados. Desejamos, outrossim, que ele contribua para facilitar a colaboração entre a família e a escola. Insistimos, mesmo, que a formação do caráter e da consciência moral do educando requer uma compreensão muito íntima entre as diferentes autoridades que exercem influência em sua vida.

A educação é tarefa árdua

Não temos ilusão alguma sobre as dificuldades da tarefa que compete à família. A educação envolve certos deveres que custam sacrifícios. Ela requer uma atenção de todos os instantes e obriga os pais a se privarem de uma grande parte de sua liberdade. Todavia, se se multiplicam as preocupações, as solicitudes e os cuidados, ela se destina a realizar a maior obra do mundo: a formação moral do homem e do cristão.

Aliás, o trabalho dos pais será amplamente compensado pela máxima alegria jamais concedida ao homem: a de haver colaborado, de fato, na obra divina, não somente dando ao mundo um cristão, filho de Deus, mas, ainda, moldando, com suas próprias mãos, uma consciência reta e uma vontade ciosa em proceder bem.

Para atingir semelhante resultado, os pais terão que se disciplinar. A educação consiste mais numa atmosfera moral, emanando da alma dos adultos para se expandir na das crianças, do que num formulário razoável de conselhos e proibições. Só se transmite o que se possui. É, por isso, que o educador deve prover-se de todas as virtudes e qualidades que pretende incutir na alma infantil.

A educação exige um devotamento ilimitado. É uma escola de
desapego pessoal, considerando-se que o educador nunca faz o que lhe
agrada, mas, o que ele considera útil e proveitoso ao bem da criança.
Voltaremos, muitas vezes, a este princípio essencial no decorrer deste
estudo.

O dever da educação foi dado por Deus

Os pais nunca deverão esquecer que, a vocação familiar é uma das mais sublimes entre as que a Providência confiou às frágeis mãos da humanidade. Ela é anterior a todas as outras, uma vez que, no seio da família, nascem e são educados os seres destinados à variedade infinita das vocações, tanto os que se destinam à vida temporal como os que, um dia, se consagrarão ao serviço de Deus.

Quem poderá avaliar o papel preponderante, desempenhado pelo ambiente do lar, na formação dos grandes cidadãos? E, acaso, não terão sido os exemplos por eles testemunhados que, na maioria das vezes, terão influenciado e esclarecido as orientações morais e religiosas dos grandes santos?

Para realizarem sua missão educativa. Deus confia aos pais potências de amor, de inteligência e de autoridade, das quais, eles deverão servirem-se como ele próprio o faria, se, por hipótese, se encarregasse diretamente da educação. Jamais, deverão eles usar essas capacidades de uma forma caprichosa e egoísta, mas, apenas, tendo em vista ajudar o educando a aperfeiçoar-se. Jamais, servir-se-ão do temível poder de castigar a criança, a não ser para nela, despertar o temor do mal, e do de proporcionar-lhe alegrias, para estimulá-la à prática do bem.

Os pais não se deixarão influenciar pelos sonhadores, que julgam imoral o emprego das sanções, sob o pretexto falaz de que a procura do bem deve ser absolutamente desinteressada. Alimenta-se uma ilusão fatal e perigosa, considerando-se que a consciência da criança forma-se sozinha, sem que os educadores precisem intervir para lhe fazer, não somente compreender, mas, também, sentir que todas as ações humanas trazem consigo consequências positivas ou negativas.

É importante buscar conhecimento

Muito se pergunta por que é tão necessário que tenhamos tantos livros e que devemos tanto estudar? Acaso pessoas ignorantes no passado não souberam bem educar seus filhos na fé? Evidentemente que sim. No entanto vale lembrar que em tempos antigos a sociedade possuía intrinsicamente uma moral e guardavam principios cristão, o que claramente não exite.

Hoje os casais que formam famílias não foram preparados para educar, primeiramente porque muitos nem sequer foram educados. O novo pai e a nova mãe foram bombardeados por ideias modernas. Por conceitos que nada tem a contribuir com a formação do pequeno cristão, dado a sua responsabilidade. Junto com a formação para esta finalidade em muitos ainda falta a consciência que como pais lhe é de dever a educação.

O estudo da psicologia do educando, sobretudo em seus primeiros meses e anos, mostrar-nos-á como o prazer e a dor são, a princípio, os únicos meios eficazes de formação. Só no dia em que o homem atinge o ápice da perfeição, torna-se capaz de amar o bem por si mesmo e pelo amor de Deus.

Educa-se para a santidade

Este amor é, ainda, uma recompensa, uma vez que ele representa uma alegria. Da mesma forma que a separação de Deus é, também, uma sanção, por ser um sofrimento.

Embora os pais, salvo exceção, sejam dotados de uma afeição sincera pelo filho, desconhecem, na maioria das vezes, os melhores métodos educacionais. São aqueles que os poderiam ajudar, a fazer dos filhos, homens verdadeiramente livres e esclarecidos, ansiosos por aperfeiçoarem-se cada dia mais. Se, de um modo geral, os filhos não valem mais que seus pais, esse fato, decorre da falta de tato nos métodos de formação. Por isso, é importante preparar os pais para sua missão, levando-os a refletir sobre o valor dos meios educacionais por eles empregados. Principalmente estudando as reações do educando nas diferentes fases de seu desenvolvimento.

É necessário resgatar a boa educação

Seria um erro julgar que o estudo dos problemas relativos à educação só interessa aos pais. Mestres e diretores, uma vez que se dedicam à juventude, devem manterem-se em íntima colaboração com os pais. E juntamente com eles, estudar os problemas concernentes à sua formação moral.

O sacerdote, especialmente, não deve perder de vista que ele receberá tanto mais confidências da parte dos pais, quanto mais esclarecido mostrar-se sobre os problemas de psicologia educacional.

Pais e filhos, confiarão tanto mais nos seus conselhos, quanto ele os considerar, com espírito e coração mais libertos, para julgar, com imparcialidade, os conflitos e as divergências que surgirão diariamente entre as duas gerações.

Acostumado a observar as crianças com olhar imparcial, o sacerdote descobre, facilmente, suas qualidades e defeitos. Os adolescentes confiam-se, muitas vezes, mais facilmente a ele que aos próprios pais. Pois, constatam que o padre, jamais, perturba-se ou escandaliza-se com as confidências, por mais ousadas que sejam, e com as fraquezas da natureza, embora muito graves.

Toda autoridade vem de Deus

Há, um princípio que, jamais, podemos perder de vista: toda autoridade vem de Deus. Os pais, os educadores deverão, pois, considerarem-se como os mandatários da Providência. Deverão prestar atenção para só servirem-se de seu poder a fim de ajudarem a personalidade do educando, a elevar-se sempre.

Que cumpram os pais o seu dever de educação

Que eles não imaginem, porém, que atingirão, de uma vez, a perfeição, sem o emprego de métodos apropriados. Suas faltas de jeito, suas incompreensões e seus próprios defeitos prejudicarão, muitas vezes, o exercício normal da autoridade. Bem longe de considerarem-se infalíveis, tenham eles a humildade de reconhecerem suas próprias imperfeições e a boa vontade de corrigi-las.

A autoridade exige um grande desapego de si e uma severa disciplina. Mas, se Deus depositou o amor no coração dos pais, é para que eles auxiliem-se a juntos como pais cumprirem o dever da educação e esclareçam-se a fim de melhor realizarem a tarefa que lhes é confiada.

Não devem recear fazerem-se mútuas advertências e observações que os ajudarão a melhorar, diariamente, seus sistemas, aproximando-os do método ideal: o do Espírito santificador, isto é, do supremo Educador das almas.

Texto baseado no livro: Pequeno Tratado de Pedagogia – Abade Jean Viollet

Leia também: O homem precisa ser chefe

Faça o download deste post inserindo seu e-mail abaixo

Não se preocupe, não fazemos spam.
Powered by Rock Convert

Quer receber mais conteúdos como esse gratuitamente?

Cadastre-se para receber os nossos conteúdos por e-mail.

Email registrado com sucesso
Opa! E-mail inválido, verifique se o e-mail está correto.

Fale o que você pensa

O seu endereço de e-mail não será publicado.