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A importância da leitura espiritual

A leitura espiritual é o meio pelo qual é possível aprender e aprofundar a fé. Torna-se um auxílio para o estreitamento de nossa vida com o ideal que é a imitação de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Segundo São Bernardo (De modo bene viv., c. 59) a oração é útil para a vida espiritual, talvez não o seja menos a leitura dos livros de piedade. Nós aí aprenderemos, ao mesmo tempo a fazer oração e a praticar as virtudes. Concluía que a leitura e a oração são armas com que se pode vencer o inferno e adquirir o paraíso.

Nem sempre podemos ter junto de nós nosso padre espiritual para nos ajudar com seus conselhos em todas as nossas ações, e especialmente em nossas dúvidas; mas a leitura supre tudo, nos fornece as luzes necessárias e nos ensina como devemos proceder para evitar as ciladas do demônio e do nosso amor próprio, e para nos conformarmos com a vontade de Deus.

“A leitura dos livros espirituais foi útil aos santos, não só no começo de sua conversão, mas também durante toda a sua vida, para se manterem e aproveitarem cada vez mais no caminho da perfeição.

(Extraído de “A Verdadeira Esposa de Jesus Cristo” de Santo Afonso Maria de Ligório).

Quando nos surgir dúvidas no decorrer de nossas vidas, podemos procurar nas leituras as luzes que guiam a nossa inteligência para as boas ações. Este é um meio muito eficaz para que não sejamos enganados pelo demônio ou até mesmo a nossa vontade decaída. Nos livros podemos encontrar as orientações de piedosos sacerdotes que no passado registraram bons ensinamentos que se eternizam nos livros antigos.

Diz Santo Atanásio: “Não se encontrará um fervoroso servo de Deus que não seja dado à leitura de livros espirituais.”

A. D. Sertillanges em seu livro “A Vida Intelectual” diz o seguinte:

Ora, a leitura é o meio universal para aprender, e é a preparação próxima ou remota para toda a produção. Graças à leitura, pode comparar-se o mundo intelectual a uma sala de redação ou repartição de negócios, onde cada qual encontra no vizinho a sugestão, o auxílio, a crítica, a informação, o ânimo de que carece. Portanto, saber ler e utilizar as leituras, é necessidade primordial que o homem de estudo não deve esquecer.

Escolha bons livros

Não vamos nos estender no assunto dos maus livros, sobre estes basta a clara resolução de manter-se deles distância.

Sobre os bons livros devemos considerar que em seu ápice, o bom autor é o Espirito da verdade, o bom Deus, ao mesmo tempo que é do Demônio o cargo de inspirador dos maus escritos, que confundes e faz com que as almas se percam. Ou seja, são considerados bons livros aqueles que com reta intenção foram escritos para levar as almas até Deus.

Escreveu São Jerônimo a uma de suas discípulas, “por que procuras alguns grãos de ouro em tão grande imundície?”

Em contra partida a leitura dos bons livros carregam o nosso coração de desejos para o sagrado, e afastam pensamentos mundanos, categoricamente maus.

Aquele que por descuido gastar seu tempo em leituras vãs, permitirá em sua alma o surgimento de inclinações terrenas, que dificultam o recolhimento.

Os frutos das boas leituras

Como poderá se ocupar com pensamentos piedosos? Como se conservar na presença de Deus e fazer repetidos atos de virtude? O moinho mói o que nele se põe; como se poderá então esperar uma fina farinha quando se põe um fruto deteriorado?

Aquele que lê a vida dos santos, ou livros escritos por sacerdotes confiáveis enriquecerá a mente de pensamentos santos, o que facilitará a concentração e entrega na oração, assim também como a inclinação para a piedade durante a Comunhão. Além disso, mesmo após a oração, está união com Deus permanece.

Uma alma que vive mergulhada em bons pensamentos dados pela leitura espiritual, possuí maiores condições de vencer tentações do demônio.

São Jerônimo aconselhando uma filha espiritual lhe disse o seguinte: “Procura ter sempre em mãos um bom livro, para que te possas defender com esse escuda contra os maus pensamentos.”

A leitura espiritual é um grande meio também de autoconhecimento e meio de observar as próprias faltas, e de encontrar caminhos para combate-las.

São Jerônimo escreveu: “Deve servir-se da leitura espiritual como ‘de um espelho‘; pois, assim como o espelho mostra as manchas no rosto, assim também a leitura de livros espirituais nos aponta as manchas de nossa consciência.”

É através da leitura espiritual que obtemos as luzes para o entendimento da vontade de Deus e ainda para um aprofundamento na fé. “Quando rezamos falamos com Deus, quando lemos é Deus que nos fala”, diz São Jerônimo.

E ainda o que diz Santo Ambrósio “Falamos a Deus quando rezamos; ouvimo-l’O quando lemos”.

Partindo disto podemos reafirmar o que já foi dito anteriormente, não podemos ter sempre à nossa disposição o nosso confessor, ou ouvir um pregador zeloso que nos sirva de guia por meio de suas instruções, no caminho do Céu; os livros espirituais, porém, nos oferecem uma compensação por isso.

Conforme Santo Agostinho (Enarr. in ps. 30, ser. 2), são eles outras tantas cartas de Nosso Senhor, por meio das quais nos avisa de iminentes perigos, nos mostra o caminho da salvação, nos ensina a suportar as adversidades, ilumina-nos e inflama-nos em Seu santo amor. Quem, pois, desejar salvar-se, deve ler amiúde essas cartas do Céu.

A leitura na história dos santos

Quantas almas não se salvaram através da leitura? Imaginemos a Santo Agostinho, que viveu muitos anos preso nos laços dos vícios e paixões, ao ler uma epístola de São Paulo, abriu os olhos à luz divina e começou a tender à santidade.

Santo Inácio de Loyola encetou uma vida perfeita em consequência da leitura da vida dos Santos. Este tomou-a nas mãos para distrair-se no seu leito de enfermo, a que estava condenado por ter sido ferido no ataque a Pamplona; com isso converteu-se e tornou-se o fundador da Companhia de Jesus, que é uma Ordem sumamente benemérita da Igreja.

São João Colombini, ao ler, quase que contra a sua vontade, um livro espiritual, tomou a resolução de abandonar o mundo, começou uma santa vida e tornou-se o fundador de uma Ordem religiosa.

E quantos outros poderíamos mencionar…

Uma bela história…

Na história das Carmelitas se narra que uma nobre dama de Viena, que pretendia tomar parte de uma diversão mundana, ao ficar sabendo que esta não se realizaria, cheia de raiva, começou a ler um livro espiritual, que, por acaso, lhe caiu nas mãos. Esse livro inspirou-lhe um tal desprezo pelo mundo, que renunciou a todas as suas vaidades e fez-se carmelita.

A leitura de bons livros não foi proveitosa aos Santos unicamente em sua conversão, mas em toda a sua vida, para se manterem firmes no caminho da perfeição e fazerem cada vez maiores progressos nele. São Domingos beijava seus livros espirituais e apertava-os amorosamente ao coração, dizendo: “Estes livros dão-me o leite que me sustenta”. O grande servo de Deus, Tomás de Kempis, não conhecia maior consolação do que esconder-se em um canto de seu quarto com um livro que tratasse das coisas espirituais. São Filipe Néri empregava todo o tempo livre na leitura de livros espirituais, principalmente da vida dos Santos.

Como é útil tomar a vida dos Santos por objeto de nossa leitura espiritual! Os livros que tratam das virtudes ensinam-nos o que devemos fazer; na história dos Santos vemos, porém, o que de fato fizeram tantos homens e mulheres, rapazes e donzelas, que eram homens como nós. Mesmo que a meditação dos exemplos dos Santos não nos trouxesse outro proveito, nos obrigaria a nos humilharmos profundamente, porque, lendo as grandes coisas que os Santos praticaram, devemos certamente nos envergonhar de ter feito e de fazer ainda tão pouco por Deus.

Santo Agostinho dizia de si mesmo: “Ó meu Deus, quando eu considerava os exemplos de Vossos servos, envergonhava-me de minha preguiça e sentia arder em mim o fogo de Vosso santo amor”.

São Francisco de Assis, ao pensar nos Santos e em suas virtudes, sentia-se abrasar em chamas de amor divino.

São Gregório Magno conta que, em seu tempo, vivia em Roma, um homem chamado Sérvulo, que era muito doentio e devia esmolar a sua subsistência. Dava uma parte das esmolas que recebia aos outros pobres e a outra a empregava na compra de bons livros. Ele não sabia ler e, por isso, pedia àqueles que ele abrigava em sua choupana durante a noite, que lhos lessem. Dessa maneira alcançou uma grande paciência nos sofrimentos, diz São Gregório, e uma admirável sabedoria nas coisas celestes. Ao morrer, pediu aos seus amigos que lhe lessem alguma coisa; antes, porém, de expirar, interrompeu-os, dizendo: Calai-vos, calai-vos; não ouvis como todo o Céu ressoa com cânticos e aprazível música? Logo depois expirou. Apenas deu o último suspiro, espalhou-se em seu quarto um cheiro celestial, que testemunhava a santidade desse mendigo que, pobre em bens terrenos, porém rico em virtudes e merecimentos, deixara este mundo.

Um meio seguro

Os livros antigos como vimos, são um meio muito benéfico para a nossa vida quotidiana e ainda para a progressão da nossa vida espiritual.

Para que esta prática seja realizada de maneira mais eficaz, recomendamos ao leitor o livro “Vida Intelectual” de A. D. Sertillanges, neste livro se explica a melhor maneira de bem aproveitar das leituras, assim como de as organizar. Este livro esta disponível para leitura online no Aplicativo Caritatem, aproveite!

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