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Memória de Santo Antão, Abade

Tempo de leitura: 13 min

O grande Santo Antão a quem a Igreja venera como patriarca de todos os cenobitas, isto é, dos religiosos que vivem em comunidade sob uma mesma regra e num mesmo convento, nasceu no ano de 251. Era natural de Conam, pequena cidade próxima de Heracleion no alto Egito.

Seus pais eram muito ricos e distintos pela nobreza. Porém, mais ainda pela piedade em pregar os maiores cuidados na educação do menino Antão como uma das suas primeiras obrigações, empenhando-se tanto que não lhe permitiam tratar com pessoa alguma, senão com as de sua família, persuadidos de que vale mais ser menos instruído nas letras do que aprender a ser menos inocente nos costumes.

Os grandes princípios da religião que lhe inspiraram e os belos exemplos que lhe davam surtiram todo o efeito que se podia desejar. A modéstia e respeito que Antão mostrava nas igrejas, a sua frequência na oração, a grande atenção e recolhimento com que lia o Evangelho, a docilidade, doçura e suavidade de gênio, a sua terna devoção naquela primeira idade, foram presságios da santidade eminente a que chegaria com o dobrar do tempo.

A passagem de seus pais

Contava o nosso Santo apenas vinte anos quando seus pais faleceram, deixando-o herdeiro de uma rica fortuna sob o cuidado de uma irmã de idade jovem.

Dirigindo-se um dia à igreja, como tinha por costume, ia pelo caminho meditando como os Apóstolos haviam deixado tudo por amor de Jesus Cristo e considerando aquele desapego com que os primeiros fiéis vendiam os seus bens e distribuíam aos pobres o produto da venda.

Ocupado nestes pensamentos, entrou na igreja ao tempo em que se lia aquela passagem do Evangelho em que o Salvador diz a um rico: “Se queres ser perfeito vá vender tudo o que tens e reparte pelos pobres e assim acharás um tesouro no céu.

Impressionado com esta leitura, não duvidou que era inspiração de Deus a que lhe falava.

Mal saiu da igreja, foi pôr em depósito seguro o dote de sua irmã, acrescido com o que lhe pareceu conveniente do seu próprio patrimônio e, reservado para si uma porção muito moderada, vendeu o restante dos seus bens, cujo produto repartiu pelos pobres.

O total abandono de si

Poucos dias depois voltou à igreja e tendo ouvido cantar aquela outra parte do Evangelho em que Jesus Cristo recomenda a seus discípulos que não tenham cuidado do que hão de comer no dia seguinte, pareceu-lhe que a reserva que tinha feito demonstrava falta de confiança em Deus. Logo, cheio de arrependimento, foi repartindo pelos necessitados os poucos bens que se reservara.

Em seguida, deixando sua irmã na companhia de umas virtuosas donzelas, que a criaram com muita piedade, retirou-se a um lugar não muito distante, porque ainda não havia se introduzido o costume de viverem os solitários muito afastados das povoações, ou sós nos desertos.

Escolheu Antão por guia e mestre em sua nova carreira que iniciava um santo ancião que desde a juventude se tinha retirado em solidão. Os progressos que o nosso santo mostrava, traziam maravilhado o virtuoso velho. Não sabia estar ocioso, empregado no trabalho manual todo o tempo que não ocupava na oração.

A humildade, a modéstia, a devoção e a igualdade de ânimo que resplandeciam em Antão, fizeram-no amável a todos os solitários, que comumente o apelidavam o amado de Deus.

As tentações de Santo Antão

O demônio, invejoso das excelências do nosso santo, moveu todas as suas máquinas para o desgostar da vida que ele abraçara. Principiou a fazer-lhe seduções com os grandes bens que o jovem solitário tinha abandonado, pondo-lhe diante dos olhos a flor de sua juventude, a debilidade da aparência, a nobreza do sangue, os perigos da irmã, os horrores do deserto, as moléstias e os riscos de uma larga solidão.

Vendo, porém, frustrados estes artifícios, tentou atacá-lo por outro caminho: pôs em exercício todas as armas da sensualidade, insultos da imaginação, torpezas do pensamento e rebeldias da carne. Porém, Antão resistiu valorosamente a todos estes ataques e para cobrar novas forças com que fazer a um inimigo tão perigoso e persistente, redobrou os rigores da penitência, vindo a conseguir uma vitória completa.

Desde então não comeu mais que uma vez por dia, depois do pôr do sol, e não raro passava três dias inteiros sem provar coisa alguma. O seu alimento era um pouco de pão e sal e a bebida era um pouco de água. Uma esteira lhe servia de cama, não dormindo quase nada, porque a maior parte da noite passava em oração.

O seu fervor ia aumentando na proporção das suas austeridades. Desejando furtar-se a toda comunhão humana, retirou-se para um encerro, que se diria mais uma sepultura, distante da cidade, cuja porta unicamente franqueava a um seu amigo, que de tempos em tempos lhe trazia alguns pães. Ali mesmo, porém, o foi achar o demônio.

Santo Antão e suas virtudes

Querendo Deus provar a virtude e a paciência do seu fiel servo e, ao mesmo passo, confundir o espírito das trevas com a benevolência daquele mancebo, herói da religião, permitiu que o demônio o torturasse tão cruelmente e por tantos modos que depois de o ter maltratado um dia com golpes impiedosos, o deixou estendido no chão, quase sem sinal de vida.

No dia seguinte veio o amigo do Santo encontrá-lo neste estado e logo o conduziu para uma igreja da aldeia vizinha, crendo todos que Antão estava morto. Cerca da meia noite voltou ele a si e longe de se acovardar, suplicou ao seu amigo que velava junto dele que o restituísse à sepultura, donde o trouxera. Tais insistências empregou que os seus desejos foram satisfeitos.

Esta generosa resolução confundiu de tal modo o inimigo comum que este, não tendo já permissão de o maltratar, empregou toda a sua raiva em aterrorizá-lo com uivos medonhos, com gritos horríveis, com visões espantosas e fantasmas horripilantes. Parecia que todo o ar estava cheio de animais de estranha forma e de bestas ferozes prestes a despedaçá-lo.

Santo Antão, pondo em Deus toda a sua confiança, ria-se de tão inúteis e ridículos esforços. Muito fracos e covardes deveis ser, dizia, rindo, aos espíritos malignos, visto que vindes tantos contra um pobre homenzinho e de mais a mais só. Porém, homenzinho que tem toda a sua força confiada na graça do Salvador. Se tendes poder para me fazerdes mal, aqui estou. Não é preciso tanto barulho. Vá desarranjar esse teto e essas paredes, mas não vos esqueças de que o Senhor é a minha ajuda e por isso rirei de todos os meus inimigos.

E fazendo o sinal da cruz, diz o Santo Atanásio, pôs em vergonhosa fuga os demônios.

Contigo estava, Antão!

Então levantando os olhos ao céu, descobriu um formoso raio de luz que se desdobrava até ele e, sentindo os dulcíssimos efeitos da presença do Senhor, exclamou: Onde estáveis vós, meu Amado Jesus, onde estáveis durante toda esta tormenta?

E ouviu uma voz que lhe respondia: Contigo estava, meu filho, contemplando a tua peleja e testemunhando o teu calor e visto que soubeste ser fiel eu te prometo a minha singular proteção, pela qual ficarás sempre vencedor dos teus inimigos.

Levantou-se Antão para render graças a Deus e sentindo em si novas forças, partiu na manhã seguinte para o mais interior do deserto, onde a providência divina o destinava para ser o pai e o modelo de tantos virtuosíssimos solitários.

O nosso santo contava então trinta e cinco anos de idade.

Passou o Nilo perto de Heracleion e reparando que sobre uma montanha se descobriram as ruinas de um antigo edifício, escolheu aquele sítio para sua habitação. Ali permaneceu vinte anos, vivendo uma vida de anjo, mau grado as astúcias e esforços do espírito das trevas.

A fama de Santo Antão

Quisera viver oculto e desconhecido no mundo, mas não o pôde conseguir, por mais diligências que para isso fez. Os seus amigos tanto o procuraram que afinal o foram achar na sua montanha. A princípio quis o nosso santo negar-se a eles, mas por fim teve de ceder à perseverança que eles mantiveram. 

Saiu Antão da sua gruta como de um santuário onde o Senhor o tinha enchido do Seu Espírito. Seus amigos não acharam que havia mudado, ainda que por 35 anos se havia entregado a todos os rigores da mais austera penitência. Tinha o semblante formoso e sereno, como nos seus primeiros anos, e a mesma tranquilidade no ânimo, a mesma afabilidade no trato, a mesma distinção nas maneiras.

Posto que todas as suas consolações eram a oração, a contemplação e o retiro, nunca deixou entrever o menor indício nem de repugnância por se ver cercado de tanta gente, nem da mais leve complacência por ser objeto da admiração de todos. Abrasado no fogo do amor divino, bem rapidamente comunicou os seus ardores aos corações do que o escutavam. Falou-lhes com tanta eloquência, com tanta energia sobre as verdades da religião, sobre o nada dos bens caducos, sobre os falsos atrativos dos deleites, sobre a brevidade da vida e sobre os horrores da morte, que mais que duzentas pessoas se resolveram a abandonar tudo e a ficar na solidão, para entenderem unicamente sobre a salvação eterna.

A evolução da obra

Pôde mais com o nosso santo o zelo das almas, do que o amor ao retiro. Edificaram-se muitas celas próximas da sua e Antão não pôde recusar-se a ensinar e dirigir aqueles novos discípulos pelo caminho do céu.

A fama das suas virtudes que se tinham espalhado pela África, Itália, França e quase por todo o mundo, o grande poder que Deus lhe concedera sobre os demônios e o dom da profecia e dos milagres atribuíram-lhe inumeráveis discípulos vindos de todas as partes. A breve trecho viram-se povoados aqueles vastos desertos, edificaram-se muitos conventos que em menos de dez anos contavam já milhares de solitários.

Como ia aumentando cada vez mais aquela religiosa república, Santo Antão viu-se obrigado a dedicar toda a atenção ao seu governo.

Umas vezes instruía a todos em comum, outras em particular. “Desenganai-vos, irmãos – repetia-lhes com frequência –, que para adiantarmos na vida espiritual, é necessário fazer de conta que começamos a cada dia. Por muito que se trabalhe por Deus, não há proporção alguma entre o prêmio e o trabalho. Se quereis vencer o demônio, amai a Cristo, orai muito, mortifica-vos sem cessar e sede humildes. O espírito das trevas teme as almas puras. Nada o confunde tanto como a desconfiança que tivermos de nós e a confiança que ponhamos em Deus.”

Santo Antão visita os prisioneiros

Não fora Antão escolhido pelo Senhor unicamente para instruir os solitários, também estava destinado para confundir os pagãos e os hereges e para alentar os fiéis na mais intensa das perseguições.

Tendo notícia de que numerosos confessores de Jesus Cristo eram conduzidos à Alexandria para ali lhes arrancarem a vida com os tormentos mais cruéis e temendo que alguns fraquejassem na fé, partiu logo para aquele ponto, a fim de lhes assistir nas prisões. Souberam disto os algozes e pretenderam estorvar a santa intenção de Antão, mandando que, sob pena de morte, se retirassem de lá todos os solitários.

O nosso santo, porém, que nenhum apreço dava à própria vida, não desamparou aqueles generosos confessores da verdade, até que eles consumaram o sacrifício.

Os tumultuosos exercícios da caridade que estava praticando, não lhe abrandaram o amor ao retiro, pois logo que voltou ao deserto resolveu buscar outra solidão mais afastada.

Santo Antão retorna a Alexandria

Compreenderam este propósito os discípulos do nosso santo e diligenciaram embaraçar-lhe a realização com várias piedosas artes. Acresceu a isto que as grandes necessidades da igreja não lhe permitiram gozar por muito tempo a calmaria de sua cela.

Os bispos obrigaram-no a voltar à Alexandria, onde foi recebido com extraordinárias honras, não só dos católicos, mas também dos hereges e até dos próprios pagãos que admiravam as suas virtudes tanto como os seus milagres.

No pouco tempo que se deteve nesta cidade, converteu muitos gentios e confundiu os filósofos com a força dos seus argumentos.

Regressando ao mosteiro, teve uma inspiração para ir procurar São Paulo, primeiro eremita, no mais interior do deserto. A vista a conversação e a morte daquele grande servo de Deus, fizeram aumentar o seu zelo e piedade.

A luta contra o arianismo

Mais uma vez teve necessidade de voltar à Alexandria para fazer triunfar a religião verdadeira naquela populosa cidade, onde o veneno da heresia era propagado insistentemente pelos adeptos. Em presença do ilustre ancião a quem o puro amor da verdade arrancará do seu querido deserto, aos 104 anos de idade, a heresia ariana recuou desarmada e vencida.

Sabe-se que Constantino Magno e seus filhos escreveram ao santo como a seu pai espiritual cartas muito afetuosas a que Antão respondeu como eles lhe pediam. Quando, porém, chegou a entender que os hereges abusando da bondade dos imperadores e da sua pouca instrução em matéria religiosa, pretendiam iludi-los, não esperou que lhe escrevessem. Ele mesmo se lhes antecipou, dirigindo-se a Constantino que se tinha deixado prevenir pelos arianos contra Santo Atanásio e fê-lo com tal vivacidade que mostrava a um tempo a generosidade e a pureza do seu zelo, incapaz de andar em contemplações com os hereges, nem com os que fossem suspeitosos na fé. O mesmo zelo o impulsionou a escrever a célebre carta a Gregório, bispo ariano, que tendo usurpado tiranicamente a igreja de Alexandria, ocasionara a expulsão do legítimo pastor dela.

Finalmente o nosso grande santo, que era a veneração de todos, o açoite dos hereges, o terror dos demônios, o ornamento da Igreja, a maravilha do deserto, o assombro do século, contando já 105 anos de idade, entregou dulcissimamente a alma ao Criador, no dia 17 de janeiro do ano de 356, que se contava no nono do império de Constâncio.

O legado de Santo Antão

Os discípulos, a quem a sua morte lançou na mais profunda consternação, cumpriram religiosamente as ordens que o nosso santo lhes deixou na sua última vontade, ou espécie de testamento. Mandou que entregassem uma das suas túnicas a Santo Atanásio e bem assim o manto com que faleceu, outra túnica deixou a São Serapião, bispo de Thmuis, e ordenou que enterrassem clandestinamente o seu corpo, sem nunca descobrirem a ninguém o lugar da sua sepultura. Bem cedo, porém, se divulgou a notícia do seu falecimento e para logo toda a igreja, em especial a Oriental começou a celebrar a memória deste grande herói da religião cristã.

Cerca de 200 anos depois foi descoberto o santo corpo que transferiram com grande esplendor à Alexandria e mais tarde para Constantinopla, quando os serracenos se apoderaram do Egito. Por último, em fins do século X, indo à Terra Santa um cavalheiro de Viena no Delfinado, muito devoto de Santo Antão, passou a Constantinopla e obteve do imperador aquelas preciosas relíquias e as trouxe consigo para a França.

O mesmo cavalheiro deu princípio à célebre igreja da Abadia, numa propriedade sua chamada La Motte, na diocese de Viena, a qual depois teve o nome de Santo Antão.

Em 108 fez grandes estragos na França uma enfermidade chamada fogo sacro e reconhecendo que era eficientíssimo remédio contra ela a invocação do nosso santo, começou a denominar de Fogo de Santo Antão. Desde então foi prodigioso o concurso do povo a venerar as santas relíquias, o que deu ocasião a fundar-se uma nova ordem de clérigos regulares com o título de Santo Antão Abade, a qual se tornou célebre em toda a Europa pela rigorosa observância da disciplina e pela inalterável caridade.

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