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O Brasil Católico

Tempo de leitura: 9 min

O nosso país foi descoberto por Pedro Álvares Cabral. Fato ignorado, ele era Grão-Mestre da Ordem de Cristo, que, por sua vez, era a sucessora da Ordem do Templo. Sim, fomos descobertos por templários, e a primeira coisa que eles aqui fizeram foi rezar uma Santa Missa.

O Brasil é, portanto, intimamente católico. Ele teve sua origem e descoberta profetizada pelo próprio Cristo a Dom Alfonso Henriques de Portugal quatro séculos antes da chegada da lusitanidade em nossas costas. No entanto, muitos tentam nos esconder isto e querem que odiemos a nossa própria história: eles querem, enfim, que adotemos o ideário de 1789, da Revolução Francesa. Querem o ódio à nossa própria história, à Santa Mãe Igreja e à herança que Jesus mesmo nos deixou.

Por isso, importa que conheçamos quem somos e de onde viemos. Deixemos, portanto, que Dom Lourenço Fleichman, OSB, nos explique mais sobre o nosso próprio país.

Assim disse Dom Lourenço

O Brasil Católico

O Brasil, durante muito tempo, foi considerado o maior país católico do mundo. Parece que houve épocas em que mais de 90% dos brasileiros eram católicos. Não é para espantar. Os países colonizados pelos portugueses e espanhóis foram fundados por homens que tinham uma preocupação grande com a salvação das almas. Apesar de muitas mentiras contadas para as nossas crianças nos livros escolares onde o papel civilizador e santificador da Igreja Católica é enegrecido e brutalizado por calúnias, a verdade límpida e pura é evidente: houve abusos, houve comércio, enriquecimento de alguns, ganância e crimes, certamente, porque em todo empreendimento humano sempre será desta forma; houve sim porque nem sempre os portugueses ou espanhóis que vieram para cá foram homens católicos ou, pelo menos, que vivessem o catolicismo de modo puro e sincero. Ao contrário, havia até condenados pela justiça que encontraram nos riscos de tal aventura um meio de escapar da prisão. Mas o que faziam os missionários dentro daquelas cascas de noz que atravessavam o Atlântico? O que queriam? Possuir terras e riquezas? Ouro? É curioso como se inverte a realidade. Se assim fosse, não seria mais lógico que primeiro deixassem que o ouro fosse descoberto para depois vir participar da “divisão”? Porque os padres e religiosos viriam sem saber se ouro havia? Porque eles sabiam de uma só coisa, e era suficiente: havia gente. Havia povos pagãos que precisavam do Evangelho para conseguir ir para o céu. E os mentirosos como o sr. Mário Smith, autor nefasto de livros de História envenenam grande quantidade de crianças brasileiras com carimbos e chancelas dos nossos ministérios. Gente como este senhor precisava responder a processos judiciais por envenenamento de almas. Ele faz o contrário do que faziam os missionários, ele corrompe, mente, debocha, destruindo nas consciências dóceis das crianças o amor por nosso passado, por nossa cultura católica, por nossa Pátria.

Onde estão os católicos do nosso país para denunciar esta corrupção da verdade? Onde estão os bispos brasileiros para proibir aos seus fiéis o uso de tal medíocre e mentiroso livro?

O Brasil era um país católico. Chamou-se Terra da Santa Cruz porque foi batizado próximo da festa da Invenção da Santa Cruz, no dia 3 de maio, que celebra a descoberta da verdadeira Cruz de Nosso Senhor, por Santa Helena, em Jerusalém. A sociedade brasileira, apesar de seus governos liberais, maçônicos, anti-católicos, manteve sempre acesa a luz da Fé e chegou aos meados do século XX como essa grande nação católica, que causava admiração a tantos, pela simplicidade e pela convicção do seu povo. A grande guerra iniciou um mundo novo, um mundo orientado para liberdades desenfreadas, que romperam todos os limites morais impostos pela Lei sagrada de Deus. Apesar disso, ainda havia no Brasil uma força religiosa grande e em 1964 o povo católico foi às ruas das principais capitais, com o Terço na mão, pedindo a Nossa Senhora que não nos permitisse cair no comunismo. E o nosso Exército ouviu o clamor popular e derrubou o governo João Goulart. Seria preciso todo um trabalho para falar sobre o governo dos militares, que são caluniados e chamados de “ditadores”, quando na verdade formaram uma elite de políticos retos, ou mais retos do que os outros, para os ajudarem a governar um país que se tornara ingovernável pelos desmandos e pela sede de poder do sr. Goulart. Há pouco tempo atrás a imprensa brasileira muito falou sobre os 30 anos do AI-5. Este decreto governamental dos militares, meio de exceção para conter os crimes também de exceção, é o principal “bode expiatório” lançado como “pecado” dos militares contra o Brasil. Não foi. Foi apenas um instrumento de governo num momento em que a revolução armada, os assassinos de inocentes, assaltantes de bancos, seqüestradores, abusavam da liberdade que lhes era dada até então. Pois a imprensa foi entrevistar muitos dos políticos civis que, naquela época, sentavam com os militares no Conselho de Segurança. E todos eles confirmaram que os militares não tinham outra saída e fizeram o que precisava ser feito para não deixar o Brasil cair na guerra civil. Mas os intelectuais, jornalistas, políticos continuam contando ao povo essa enorme mentira que tenta fazer dos nossos soldados o contrário do que eles foram. Mas o povo simples sabe e repete. Na época dos militares, todo brasileiro era livre de fazer o bem que lhe agradava, saía nas ruas a qualquer hora sem perigo, tinha um emprego e uma inflação heroicamente controlada, e um crescimento anual de fazer inveja.

Mas aconteceu um fenômeno que fez aquele belo esforço dos nossos militares desaparecer num mar de lama e de corrupção: aconteceu o Concílio Vaticano II. O liberalismo desenfreado tomou conta da hierarquia católica e com isso, o Brasil católico começou a esvaziar-se como uma bola de aniversário. Foi murchando o Brasil, sendo dominado pela mentira de ideologias marxistas porque desapareceu a barreira do catolicismo. Todo o trabalho de formação dos brasileiros, nas escolas, nas universidades, passou a ser marxista, liberal, anti-católico. E o Brasil católico desapareceu. Leiam a introdução do Século do Nada, de Gustavo Corção, e poderão compreender melhor essas verdades e tudo o que aconteceu no Brasil dos militares.

Onde está a Pátria brasileira? Onde está este Brasil católico?

Existe no mundo pequenos grupos de católicos que resistem bravamente contra a decomposição do catolicismo. Os inimigos da Igreja, dentro da hierarquia do Vaticano, possuem estrutura, gente, dinheiro, imóveis, jornais, influências para destruir qualquer obstáculo que se apresente contra eles. E no entanto esses pequenos rebanhos, como são as nossas Capelas de N. Sra da Conceição, de São Miguel, e tantas outras espalhadas pelo mundo, continuam levantando suas preces nas Missas Tridentinas, no estudo da doutrina anterior a Vaticano II, protegidos pelo manto da Virgem Maria e da fé católica. Acusados e marginalizados por uma hierarquia que varia entre “conservadores” de reta intenção, mas que erram por excesso de juridismo, chegando aos loucos heréticos fomentadores de um catolicismo sem fé, de um Jesus Cristo sem divindade e que odeiam tudo o que é católico, seguem os fiéis da Tradição com o vigor e o ímpeto de amor que os leva a caminhar quarenta dias e quarenta noites pelo deserto. Mas somos poucos, muito poucos. Porém, quando esses pequenos grupos de fiéis se reúnem, o espetáculo é grandioso, porque a Tradição católica é assim.

Foi o que aconteceu no domingo dia 10 de outubro [de 2010], quando participei da Peregrinação de Nossa Senhora de Lujan (leia-se: Lurran) padroeira da Argentina. Fiéis vindos de toda a América Latina caminharam 35 quilômetros, entre o Seminário da Fraternidade São Pio X e a Basílica de N. Sra de Lujan. Total de peregrinos ao longo das estradas: 520. Durante o dia todo, caminhamos rezando o Santo Rosário, cantando os cânticos tradicionais, enquanto os padres iam confessando os fiéis. Tudo isso organizado com duas paradas, sanitários, água, médicos e enfermeiras etc. Ao chegarmos na cidade de Lujan, nos dirigimos para um ginásio próximo à Basílica onde foi preparada a Santa Missa que celebrei, tendo sido convidado para pregar aos peregrinos. Esta missa foi assistida por mais de 700 fiéis. Dois sacerdotes cumpriram as funções de Diácono e Sub-diácono, com os seminaristas da Fraternidade São Pio X acolitando nas diversas funções. O côro da Capela de Buenos Aires cantou toda a missa, acompanhado pelo povo.

Ao término da cerimônia formou-se a procissão que dirigiu-se para a Basílica, já sendo noite. A imagem de Nossa Senhora ia à frente, os seminaristas e sacerdotes, cerca de cinqüenta, em ordem de dois e, por fim, os fiéis, encheram as redondezas com o som melodioso e a piedade de outrora. E o povo das ruas, emocionado, aplaudia, juntava-se aos fiéis e assim percorremos a grande praça até entrar na belíssima Basílica, obra monumental, riquíssima, em estilo gótico, que mais lembra uma catedral medieval. Não posso deixar de lamentar a falta de gosto, de arte, de amor e piedade daqueles que construíram o nosso Santuário de Nossa Senhora Aparecida, que vira um caixote gelado e vazio diante da riqueza do Santuário de Lujan. Não é assim também a Catedral do Rio de Janeiro? Ou a de Brasília? Pobre povo brasileiro, arrancaram a sua fé a marretadas, arrancaram a beleza dos seus santuários, arrancaram o amor e a piedade dos nossos corações. Mas nós estávamos lá, junto aos católicos de língua espanhola, unidos pela mesma fé, o mesmo Credo, a mesma Virgem Maria, Mãe de Deus e nossa. Irmanados pela Verdade do catolicismo, pela Tradição, pela Pátria. Éramos uns dez ou doze brasileiros, a maioria vinda de Santa Maria, RS, da Capela da Fraternidade São Pio X. Ali representávamos todos os brasileiros, que sejam freqüentadores das nossas capelas ou simplesmente bons brasileiros que amam seu passado, suas raízes católicas, que não fizeram do seu patriotismo apenas torcer na Copa do mundo ou numa Olimpíada.

Em nossas preces à Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, Terra de Santa Cruz, em nossa devoção filial à Mãe de Deus, precisamos devolver à nossa Pátria o amor e o espírito de sacrifício daqueles que construíram nossa Pátria. Do Padre Manoel da Nóbrega, talvez o mais esquecido dos nossos fundadores, do Pe. José de Anchieta, Apóstolo do Brasil, dos reis de Portugal que enviaram os primeiros missionários para evangelizar os índios, abrindo-lhes as portas do Paraíso, de todos os católicos que se estabeleceram em nossa terra e construíram aqui uma sociedade familiar, nobre, honrada, religiosa, antes que a avalanche maçônica e liberal a destruíssem.

E é por isso que vale a pena continuar, sofrer esta brutal marginalização que é o martírio gota à gota dos tempos modernos, para mostrarmos aos nossos inimigos que não temos medo do combate e que, mesmo se formos esmagados na lida desta vida, espera-nos a coroa da glória, prometida por Jesus aos que sofrerem perseguição por amor do seu nome e da sua Justiça.

Dom Lourenço Fleichman OSB

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