O homem precisa ser chefe

O homem precisa ser chefe, esta autoridade vem de Deus.

Primeiramente é bom entender que o bom êxito de uma missão tem por exigência inafastável o comando – sábio, reto, virtuoso, generoso, encorajado e prudente. O reconhecimento de um Comando Divino e Supremo, Deus Pater Familias, impele-nos a reconhecer a justa hierarquia da Sua obra criada com desigualdade. Sendo, pois, a desigualdade existente em todos os reinos do Universo, deduzimos a sua existência também entre os homens. É próprio da Beleza do Criador atribuir funções particulares às respectivas vocações, dentre as quais a chefia ao homem, o homem precisa ser chefe.

Do mesmo modo vale saber que em um meio social profundamente secularizado, desmoralizador da justiça e da ordem, herdeiro de marcas profundas de degradação do ensino de modo geral, o papel do chefe é cada vez mais diluído, descredibilizado e não raramente repudiado. No pântano enganoso dos conceitos modernistas, os falsos discursos de igualdade entre homem e mulher tornam ambos cada vez mais despreparados e incapazes de reconhecer e cumprir os propósitos de Deus para cada um.

Por que o homem precisa ser chefe?

Nas famílias, essa desordem deixa uma lacuna ainda mais prejudicial, pois a medida em que o chefe em questão avança em posição hierárquica, responde também a responsabilidades mais complexas sobre aqueles a quem comanda. E quem, depois de Nosso Senhor, exerce maior influência no seio da família senão o pai? O governo da família é incumbência do marido. Para isso recebeu no Sacramento uma graça de estado. Sua esposa terá então condições de ser o auxílio desta união e os filhos nascerão em um lar ordenado onde brotarão as virtudes. Vemos nisto então o quão grande é sua responsabilidade.

Portanto é justamente nesse cenário que boa formação de um chefe pode ser considerada uma raríssima nota de repúdio às maledicências ateias e um verdadeiro manifesto de amor à Deus e ao Seu chamado prático de coragem heroica.

Desta forma no livro “A arte de ser Chefe”, as palavras do padre Gaston Courtois, aptas à educação de exércitos e formadora de líderes no comando de forças armadas no país, ganham agora seu devido espaço na formação católica dos homens comuns.

Mas o que é ser chefe?

Chefe, etimologicamente, é aquele que está à cabeça ou, melhor ainda, aquele que é a cabeça. A cabeça é que vê, pensa, promove a ação no interesse comum de todo o corpo.

Do mesmo modo Chefe é aquele que sabe, quer e realiza, e também aquele que faz saber, querer e realizar. Chefe é aquele que, sabendo o que quer, sabe também proporcionar o esforço ao efeito que pretende obter.

Por outro lado não se é chefe senão na medida em que se é capaz de fazer partilhar a qualquer grupo o ideal que se vive, levando-o a realizá-lo através de todos os obstáculos.

Decidir não custa nada; o que importa é que as decisões se volvam em ação; daí o concluir-se que para ser chefe não basta mandar, mas há que saber escolher os homens de ação, educá-los, animá-los, ampará-los, “controlá-los”.

O chefe é o responsável pela direção

Nesse sentido quando surge a hora das decisões que se hão de tomar, das responsabilidades que se vão assumir, dos sacrifícios que se têm suportar, onde descobrir os obreiros destas temerárias empresas, senão em naturezas superiores, impregnadas da vontade de vencer, que veem com nitidez os únicos meios que conduzem à vitória, e que têm coragem para arriscar tudo?

Contudo compreenda-se bem o sentido e a grandeza do nome “Chefe”. Chefe é aquele que sabe fazer-se obedecer e, ao mesmo tempo, fazer-se amar. Não é aquele que impõe; mas aquele que se impõe. Para comandar homens, há que saber dar-se.

Deseja saber-se qual é o verdadeiro chefe de uma empresa? Pergunte-se a quem, em caso de fracasso, caberia a responsabilidade.

Ser chefe não consiste em dar prova de vigor, de eloquência, de audácia ou de habilidade. Liderar não consiste de maneira nenhuma em reunir à sua volta adesões sentimentais ou interesses. Consiste essencialmente em saber como levar os homens a trabalhar em conjunto, em reconhecer e utilizar pelo melhor os recursos de cada um, em indicar o lugar em que este ou aquele possa render mais, em dar a todos o sentido da sua solidariedade e da sua igualdade perante a tarefa que lhes está confiada nos diferentes postos de um mesmo grupo.

O chefe não é mais do que o mandatário do bem comum — daquele bem comum que deve interpretar, defender e realizar, ao serviço do interesse superior da comunidade e, portanto, finalmente, da pessoa de cada um.

O verdadeiro chefe reconhece-se por este sinal: basta a sua presença para levar os homens que dirige a entregarem-se por si próprios ao serviço da causa comum.

Substitua-se “presença” por “lembrança”, e teremos os grandes chefes.

Necessidade do Chefe

Uma assembleia é incapaz de comandar. Grupo sem chefe é corpo sem cabeça. Grupo sem chefe é rebanho, rebanho que anda à deriva e à mercê do primeiro pânico.

Uma assembleia, excelente para fiscalizar, é sempre imprópria para agir. Um grupo não é capaz de comandar nada, nem mesmo um almoço.

A despeito de todas as teorias igualitárias, muitos homens sentem instintiva necessidade de apoiar-se em alguém que os supere. Se não têm ninguém que os compreenda e encoraje, tornam-se hesitantes e incertos. A presença do chefe digno deste nome constitui para cada um apoio, força e segurança.

Sem chefe que ordene e coordene, sem chefe que pense e transmita aos seus subordinados o seu pensamento, como a cabeça transmite aos membros o seu influxo nervoso, qualquer grupo humano se esgota em esforços sobre esforços que, neutralizando-se, acabam sempre em fracasso, tanto mais desanimador quanto maior era a boa vontade de que cada qual estava impregnado, fracasso de que Babel e a corte do rei Pétaud são imagens populares.

Quando falta o chefe, reina a anarquia, e a anarquia serve apenas para destruir, nunca para construir.

O chefe, sinal sensível da autoridade, é o também da unidade.

Quando manda, coordena; impede que um grupo se desagregue, se decomponha e morra.

Para unir eficazmente os homens em roda de uma missão que se tem de cumprir, há que descobrir um chefe, princípio de unidade e de coesão, capaz de revelar e impor a todos o bem coletivo, capaz também de os prender a todos e de os encorajar na consecução dele.

Todo o agregado humano, seja ele qual for, tem necessidade de um chefe, mas de um chefe que se faça obedecer. A ele compete a coordenação das atividades, a fim de se obter o máximo rendimento. Ainda que generosas e desinteressadas, as dedicações que não são coordenadas levam fatalmente ao fracasso, tanto mais doloroso quanto mais sinceras e bem-intencionadas forem as pessoas de que se trate.

O homem precisa ser chefe!

Para fazer obra de monta, há que reunir esforços que, dispersos, ficariam estéreis. Não é porque o caminho indicado pelo chefe seja o melhor em si que é preciso segui-lo — há, por vezes, mil maneiras de proceder, também boas — mas é o melhor porque ele o indica e porque será o único que há de produzir a união fecunda das vontades e dos corações.

Um grupo medíocre pode tomar alento e ultrapassar-se ao sopro de um chefe de valor.

Um grupo excelente pode estiolar e desfazer-se na esteira de um chefe medíocre cujas atitudes amolecem as boas vontades e matam o entusiasmo.

A autoridade foi dada por Deus

Não é necessário invocar, para justificação do princípio de autoridade, qualquer contato social primitivo ou o consentimento positivo dos súditos. Trata-se de uma visão superficial do problema. Devendo a ação dos homens ser unificada, coordenada, para que do esforço de muitos resulte um esforço único, a autoridade é uma das condições da vida humana. Baseia-se na própria natureza das coisas, consequentemente em Deus, princípio da nossa natureza e do nosso ser.

Porque é Autor de todas as coisas, Deus é Supremo Senhor; Sua autoridade é soberana; quis, porém, associar os homens à sua ação no mundo. Reside aqui a grandeza da missão do chefe: a sua autoridade participa da autoridade divina.

“Não é ele que manda, é a aptidão!” Mas isto é, afinal, a negação de toda a autoridade!

“Negação no seu fundamento; todo o poder vem de Deus. Todo o chefe é escolhido, sagrado pelo próprio Deus, e Deus escolhe quem quer; não se trata forçosamente do melhor, do mais forte, do mais inteligente. Além disso, como poderá avaliar-se do peso relativo de todas estas qualidades na alma de um chefe?

“Negação nas suas consequências. Não é o chefe que julga o seu trabalho, mas é o trabalho, a obra material que o julga; e como, em definitivo, isto seria um absurdo, é o conceito que cada um tem do trabalho que é preciso esclarecer. Quem não vê nisto um bom pretexto para toda a dispersão, para toda a indisciplina? Construir uma sociedade exclusivamente sobre o espírito de equipe levado a estes extremos, é construir na areia.

“Toda a sociedade tem por base uma hierarquia, uma autoridade legítima e divina na sua origem; autoridade cujo exercício se tempera no espírito de equipe bem compreendido que liga os chefes aos subordinados, mas que não obstante deixa ao chefe, pela investidura que recebeu, a sua iniciativa, o seu poder de orientação, a sua responsabilidade. Em rigor, pode conceber-se um chefe que não colabore com os seus subordinados, não pode, porém, conceber-se uma equipe sem chefe”.

Mandar não é fácil!

Por tanto nada se adianta em imaginar que mandar é fácil e que, com um rosto hermético e uma voz imperiosa, está ganha a batalha. Para o homem ser chefe, há que possuir aquele amor do próximo e aquela cultura que permite conhecer os homens e perscrutar os mais íntimos recônditos da alma. Torna-se necessário pertencer também àquela aristocracia espiritual que tem por divisa: servir. Mas servir desinteressada, perseverante e corajosamente — consequência de convicções, entusiasmo e caráter.

Sendo assim para boa ordem do edifício social de Nosso Senhor, o homem precisa ocupar o seu lugar, o homem precisa ser chefe.

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