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O Purgatório – a sua existência, suas penas e os meios de alívio das almas

“Meus próximos me abandonaram, e os que me conheciam se esqueceram de mim.” (Jó 19, 14)

 Essas palavras tão tristes, de Jó, abrem um capítulo da obra O Meu Retiro, escrito com a austeridade sempre paternal do Pe. Baeteman. O sacerdote exorta-nos com severidade, pois diz que podemos por tais palavras na boca das almas do Purgatório, tamanho o nosso esquecimento de suas expiações! “A lembrança delas parece desvanecer-se com o som dos sinos; o esquecimento bem depressa lhes recai sobre a campa. E, no entanto, nós tínhamos a pretensão de amá-las! O amor verdadeiro, diz a Escritura, é forte como a morte. Teria sido verdadeiro o nosso amor que parece estacar à beira do túmulo? Sem dúvida, nós vamos às vezes cobrir-lhes de flores o monumento, mas as flores não são nada; pelo que as almas reclamam são orações.” 

Os termos assertivos do Pe. Baeteman encontram guarida em todo o alicerce da Santa Igreja. São João Bosco, na excelência de sua didática na obra História Sagrada, apresenta a constatação nas Escrituras da existência do purgatório ao explicar a história de Judas Macabeu: 

“Este grande herói da Judeia, que reconhecia sempre, no êxito feliz de suas empresas, a proteção do Céu e nada fazia sem invocar o auxílio divino, animava sempre os soldados aconselhando-os a depositar toda a confiança no Deus dos Exércitos. Todas as guerras que empreendeu não tinham outro intuito senão a salvação comum e a honra da religião. Tinha horror à blasfêmia. O ímpio Nicanor, marchando contra os judeus, estendeu a mão e, blasfemando contra Deus, jurou que faria derrubar o Templo do Senhor. Judas, então, revoltado contra essa ofensa e inflamado de santo zelo, veio com poucos homens ao seu encontro e exterminou o exército inimigo (…). 

O grande líder da Judeia estava firmemente persuadido da existência do Purgatório, onde ficam retidas as almas dos que, embora morram na graça de Deus, devem pagar as dívidas que têm ainda com a justiça divina. A nós é dado socorrê-las com nossas boas obras.

Judas Macabeu, diz o texto sagrado, movido pelo pensamento santo e salutar de que as almas dos mortos, mediante as nossas orações, são aliviadas e libertadas das penas merecidas por seus pecados, fez uma coleta de 12.000 dracmas de prata e as remeteu a Jerusalém, para que fossem oferecidos sacrifícios em sufrágio dos que tinham morrido na guerra.” 

Diz Santo Tomás: “A mesma chama atormenta os condenados no Inferno e os justos no Purgatório. Esses tormentos são tão grandes e os sofrimentos tão intensos, que é impossível concebê-lo”. “O fogo do Purgatório, diz São Cirilo de Alexandria, é tal, que uma alma preferiria sofrer tudo o que os homens têm sofrido desde Adão até nós, e isso até o fim do mundo, a arder um só dia no Purgatório!”. Ele não se arreceia mesmo de acrescentar que os sofrimentos desta vida mortal são consolações, comparados aos sofrimentos das almas do Purgatório.

Pe. Baeteman explica-nos que essas penas durarão longo tempo, pois nenhum merecimento da parte dessas almas pode abreviá-las. Só a nossa intervenção pode diminuí-las e mesmo fazê-las desaparecer. A sorte dessas pobres almas está, pois, nas nossas mãos… E não pensamos nisto. Os alívios às almas exigem atitudes: 

“Utilizando as pequenas economias, podeis mandar dizer uma missa por elas de quando em quando. Ou ao menos podeis ouvir missa em intenção delas. Podeis rezar, comungar pelo livramento delas. Poderíamos tão facilmente libertar almas cuja campa nossas lágrimas talvez molhem ainda! A indulgência ganha por uma oração, por uma esmola, por um terço, por uma via-sacra, por uma oração jaculatória, desceria então a apagar algumas manchas e a refrescar lábios sequiosos.” 

Pensemos, enfim, que, quando morrermos, seremos sufragados na medida em que houvermos sufragado os outros. Se esquecermos dos nossos mortos, seremos também esquecidos. Se os aliviarmos, Deus permitirá que outros misericordiosos nos aliviem quando morrermos. Santo Afonso de Ligório disse: “Uma pessoa pode estar segura da sua salvação quando se aplica a aliviar almas do Purgatório”.

Meditemos a clareza de São João Bosco em História Sagrada e apliquemos as instruções da obra O Meu Retiro: sejamos livres da presente tristeza e alcancemos a eterna alegria com as almas do Purgatório. 

In corde Jesu, 

Editorial Caritatem

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