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O verdadeiro e o falso zelo

O que significa zelo.

Neste sábado, a Livraria Caritatem traz uma belíssima reflexão em cima do livro do Eclesiástico, capítulo 31. Nela, o Padre Jean Croiset discorre sobre a diferença entre o real e o falso zelo que parece animar algumas almas.

Leitura da Epístola

A leitura é do livro do Eclesiástico, no capítulo 31, versículos de 8 a 11:

“Bem-aventurado o rico que foi achado sem mácula, que não correu atrás do ouro, que não colocou sua esperança no dinheiro e nos tesouros!

Quem é esse homem para que o felicitemos? Ele fez prodígios durante sua vida. Àquele que foi tentado pelo ouro e foi encontrado perfeito, está reservada uma glória eterna: ele podia transgredir a Lei e não a violou; ele podia fazer o mal e não o fez. Por isso, seus bens serão fortalecidos no Senhor, e toda a assembleia dos santos louvará suas esmolas.”

NOTA – “O texto traz Beatus dives – feliz o rico que se tem conservado na inocência. O versículo que precede este diz que o ouro é uma árvore de queda para todos os que lhe sacrificam: lignum offensionis est aurum. Entende-se que o Sábio faz alusão à árvore da ciência do bem e do mal, que foi para Adão um árvore de tropeço. O ouro é para os avarentos o que esta árvore foi para Adão e Eva.

Reflexão

“Toda a Igreja dos Santos anunciará suas esmolas”. Por esmolas deve-se entender não só todas as bondades que os ricos fazem para com os pobres, mas também suas boas obras e sobretudo os frutos de seu zelo. Ora, todos os santos podem agir com zelo, de qualquer condição que sejam. Ou seja, o verdadeiro zelo tem o puro amor de Deus por princípio; o falso zelo, contudo, é fruto do amor próprio e da vaidade.

Portanto, o falso zelo só serve para mascarar as paixões. É um erro acreditar que o zelo só consiste em trabalhar com ruído, em dar aos outros belas lições de espiritualidade, em andar sempre agitado e em movimento pela salvação dos outros. É, contudo, crucial que as palavras sejam sustentadas pelos exemplos e que a piedade edificante de um homem zeloso seja a primeira lição que ensine e o primeiro artifício de que se sirva para tocar os corações.

Por exemplo: Sem este socorro, é de recear que o que se chama zelo não seja propriamente mais do que agitação, atividade natural que procura satisfazer-se no ato, onde quer se vangloriar, e no qual ganha a confiança dos homens de bem, a qual dá honra e lisonjeia o amor próprio. O que ilude aqui é eloquência, o talento e mesmo a unção com que se fala da mais sublime espiritualidade.

A hipocrisia no falso zelo

Um homem penetrante descobre com facilidade as várias vias da perfeição cristã. Conhece-lhe todos os deveres e, apesar da pouca instrução que tenha acerca das máximas do Evangelho, ainda assim não lhe é difícil saber o que uma alma deve e o que não deve fazer para chegar à virtude. Daí vem a penetração que lhe faz descobrir os maiores defeitos aos outros, a atenção a não sofrer a mais leve imperfeição numa alma. É assim que surgem essas lições espirituais e profundas que abrasam os corações dos outros sem aquecer o seu próprio, porque procedem todas do espírito.

Grita-se com veemência contra o vício, descobrem-se todos os mistérios de iniquidade do coração humano. Um homem hábil conhece-lhe toda a malícia, derrama-se sem censurar em investidas contra o pecado e contra o pecador. É isso o que normalmente chamamos de zelo. Contudo, se este zelo não é animado pela caridade, se não vai além de uma espiritualidade de especulação, somente uma habilidade… se é de nós que o Salvador falava quando dizia “fazei tudo o que vos disserem, mas não façais como eles, porque dizem e não fazem”, poderemos em tal caso lisongearmo-nos de ter zelo? “Aes sonans, aut cymbalum tinniens”.

O disfarçado amor-próprio

É estranho que em matéria de salvação se possa dizer aos outros o que deveriam fazer, e que aquele que dá estas importantes lições não faça ele mesmo o que diz. Que ele mesmo nem pensa que só procura suas comodidades, e que por vezes leva a própria sensualidade até ao refinamento; repreenda nos outros com veemência o menor vestígio de amor próprio, uma ligeira satisfação; que faça sentir as consequências de poupar uma só paixão; tudo isso enquanto que ele próprio é escravo delas. O que será hipocrisia ou irreligião, senão isso? Quantas mágoas e quanto choro não há de por fim ocasionar esta irreligiosa comédia!

Garanta já a sua edição

Acaso não é emocionante esta tão sublime reflexão, plenamente preocupada com o engrandecimento da alma do fiel católico? Colabore, portanto, para que a Livraria Caritatem possa com excelência trazer esta imensa obra de volta para o cotidiano do fiel católico. Assim que atingirmos 100% da contribuição esperada, os envios dos livros serão iniciados e eles poderão estar em suas mãos o quanto antes!

Por tanto, acesse o site da campanha e garanta já a sua edição do Ano Cristão! Nesta primeira parte do projeto, você receberá os três primeiros tomos. Referentes aos meses de Janeiro, Fevereiro e Março, eles serão de indispensável auxílio para a formação da alma e para a educação espiritual de todo seguidor de Cristo!

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