Os 3 deveres da esposa

Os três deveres da esposa são a obediência, a paciência e a complacência.

Divitiae dantur a parentibus, a Domino uxor prudens. Os pães dão as riquezas, é Deus quem dá a esposa prudente. Prov. XIX, 14

José, ao unir-se a Maria, não tinha procurado as riquezas e a opulência, mas havia achado aquilo que forma a verdadeira felicidade das famílias, os tesouros de virtude. Maria era, por excelência, a mulher prudente, a companheira devotada e a esposa submissa; é, portanto, o mais perfeito modelo que uma mulher cristã poderá estudar. Ora, a esposa, pelo seu próprio título, é chamada a cumprir deveres de família e deveres de sociedade. Tentemos recordar-lhe uns e outros.

Para que uma mulher seja feliz nos seus misteres, é-lhe preciso um pouco de espírito e muita piedade. Com espírito, compreenderá que o seu mais precioso tesouro é a afeição do seu marido, e deverá achar os meios de a conservar. A piedade dar-lhe-á a energia necessária para empregar esses meios, que não são outra coisa, de resto, que o cumprimento dos três grandes deveres da esposa: a obediência, a paciência e a complacência.

Primeiro dos deveres da esposa: A obediência

A obediência; não uma obediência servil que faria dela uma escrava, mas a obediência por gosto, que se devota e se submete por afeição tão bem como por consciência. Sem dúvidas, a mulher é a companheira do homem, e eu não posso deixar de lastimar a mulher que esquece isso para se transformar em uma escrava complacente.

A família é uma sociedade, e em toda a sociedade é preciso um chefe; esse chefe natural é o homem, caput autem mulieris vir; a obediência custa algumas vezes a uma mulher, porque uma mulher tem também o seu amor próprio, e é necessário convir que os homens não sabem sempre torná-la fácil; então será bom propor a SSª Virgem para modelo.

Maria, modelo de obediência

Certamente, se jamais alguém tivesse o direito de dispensar-se de obedecer, esse alguém era Maria. Em matéria de privilégio e grandeza, ela não reconhece ninguém superior a si entre os homens.

Vede, contudo, como o Céu se declara em favor das prerrogativas de São José, como chefe da família. É necessário furtar-se à crueldade: Herodes, ir para o Egito e de lá voltar? É José o encarregado das ordens, é José quem as anuncia, é José quem as faz executar, e Maria, sem pretextar a sua classe nem a sua dignidade, submete-se cegamente. Esses sentimentos de submissão, de dependência, fá-los ela aparecer em toda a sua conduta. Pater tuus et ego dolentes quarebamus te.

Vede; ela não diz “Eu e vosso pai” — mas nomeia São José em primeiro lugar, não por uma baixa lisonja, mas por sentimento de dependência para com aquele que Deus tinha colocado à sua beira como seu chefe e senhor: Caput autem mulieris vir.

Santa Mônica, exemplo de esposa

Recordemos aqui as palavras de uma mulher que soube, pela sua condescendência, ganhar a admiração de um marido violento e arrebatado e preparar a sua conversão: “Como custa”, dizia Santa Mônica, “a mulheres que se queixavam dos maridos na sua presença, como custa esquecer o que se é! Estava na vossa mão o não vos comprometerdes; mas, desde o momento que vos foi dado um superior, há prudência em vos lembrardes de que já não pertenceis mais a vós mesmas, e que nada mais tendes a esperar do que a vontade de outrem”.

Quase exatamente como no tempo de Santa Mônica, há agora bem poucas mulheres que não se queixam dos seus maridos, das suas exigências e do seu despotismo. Longe de mim o autorizar os déspotas, e, se há maridos que o são, nada os desculpa. Mas, enfim, é preciso um chefe na família, e, se não quereis obedecer, a ordem é impossível, esquecendo vós assim os vossos próprios interesses.

Quanto mais fordes intratável, mais o vosso marido será imperioso; quanto mais fordes caprichosa do vosso lado, mais ele o será do seu, e nada mais fareis do que aumentar os vossos sofrimentos. Acreditai-me, pois; tomai um caminho totalmente oposto. Quereis mandar? Pois bem! Fazei ver que não quereis senão obedecer.

Não tendes a força, mas tende a habilidade, e a habilidade aqui está toda na doçura, nos bons modos e na obediência. Estai certas disso, desde o momento que o vosso esposo vir que respeitais a sua autoridade, que o consultais a respeito de tudo, que não fazeis nada sem sua ordem, deixar-vos-á, então, as rédeas do governo, e sereis senhora soberana.

Segundo dos deveres da esposa: A paciência

Aqui, ainda Maria pode servir-vos de modelo. Objeto de suspeitas tão imperiosas quanto são injustas, ela guarda silêncio, não dirige nenhuma exprobração, não solta nenhuma queixa; Deus saberá bem justificá-la.

De quantas penas, de quantas lágrimas vós serieis talvez poupadas se tivésseis sabido, com uma paciência toda cristã, aceitar as exprobrações injustas de um marido, suportar o seu gênio arrebatado e os seus caprichos de mau humor. Um raio de sol basta algumas vezes para dissipar sombrias nuvens, um sorriso da vossa parte, uma palavra doce bastará quase sempre para prevenir ou obstar cenas lastimáveis.

Em vez de ficar paciente, recorreis a recriminações, a censuras, a palavras ultrajantes. Mas essas suspeitas são-me injuriosas, elas indignam-me! Um pouco menos de orgulho e mais de equidade. Essas prevenções indignam-vos, mas não as tendes vós mesmas feito nascer, por certos portes, certos ares de garridice, pelas vossas assiduidades imprudentes?

Antes de responder a observações muito legítimas por cóleras, por palavras acerbas, fazei cessar a causa, por mais modéstia e mais reserva. Eis uma circunstância na vossa vida doméstica em que faltais a paciência e aos deveres de uma cristã, e poder-se-ia assinalar vinte, porque essas ocasiões são de todos os dias e de todos os instantes.

A vida da esposa, é um testemunho

Mas há alguma coisa de mais grave ainda, e isso merece toda a vossa atenção. Vós experimentais um revés de fortuna, provais uma injustiça, tendes filhos indóceis, criados insolentes, uma circunstância imprevista vem contrariar os vossos projetos… Eu pergunto-vos qual é, nessas ocasiões, o mais resignado, o mais paciente: vós, que dizeis ser cristã, ou o vosso marido, a quem apodais de ímpio? Como quereis reconduzi-lo a Deus, quando o afugentais tantas vezes, mostrando-lhe na sua mulher, tão pontual a todas as práticas de piedade, as mesmas misérias que nas mulheres que não se confessam nem comungam, ou o fazem raramente?

Santa Mônica, cujas palavras ainda há pouco citávamos, vivia em paz com seu marido violento e arrebatado. As suas vizinhas, entre as quais reinava às vezes a discórdia, perguntaram-lhe um dia o que era que ela fazia para viver em boa inteligência com um homem tão difícil. A Santa respondeu-lhes:

“As desordens que afligem os vossos lares provêm mais das vossas imperfeições que dos defeitos de vossos maridos. Vós resistis-lhes, vós levantais-lhes a cabeça; calai-vos quando os virdes encolerizados e orai por eles que vivereis em paz.”

Mas convém então cedermos sempre?

Sem dúvida!

E isso por duas razões: a 1ª é porque quase nunca tendes razão, se não no fundo, ao menos na forma; a 2ª é porque sois a mais fraca e sois cristã.

Pode apresentar-se aqui uma prova, a mais cruel de todas, é quando uma mulher, outrora tão amada, vê o coração do seu marido afastar-se dela. Pois bem, então, como sempre, ela deve sofrer e calar-se; sobretudo nunca fazer ouvir um queixume nem jamais proclamar-se vítima, quaisquer que sejam os seus direitos a esse respeito. Que se aplique a mostrar-se, pelo contrário, reconhecida e encantada pela mais pequena atenção; que saiba velar as suas lágrimas com um sorriso, provar em tudo e por tudo um amor desinteressado e constante.

Eis a sabedoria e a verdadeira grandeza! É a essa mulher sobretudo que São Pedro se dirige quando diz:

“Que se ache em vós uma afeição cheia de ternura que ganhe os corações: não retribuais o mal pelo mal, mas bendizei e sofrei.”

Terceiro dos deveres da esposa: a complacência

Não a complacência criminosa que sacrifica a consciência e os deveres, mas a complacência cristã, que leva uma mulher a fazer alguns sacrifícios contrários aos seus gostos, a fim de conservar a amizade e o coração de um marido.

Ao vosso marido se afigura, como a todos os maridos que a não praticam, que a piedade amolece o espírito e seca o coração; e, francamente, ele tem alguma razão para isso: provai-lhe o contrário com mostrar-vos cheia de carinhos e atenções, grande no cumprimento dos vossos deveres, pronta para sacrificar todos os vossos gostos, todas as vossas práticas de devoção às vossas obrigações reais.

O vosso marido acha-se ocupado todo o dia em um escritório ou em trabalhos mais penosos; queria distrair-se a conversar, a passear com os seus filhos e a mãe deles, e, para isso, gostaria de vê-la ao entrar; mas ela não está nunca em casa, está na igreja, está na Missa, na benção, anda em visitas, está em toda a parte, exceto onde devia estar.

O vosso marido é de um gênio ríspido, exigente, presumo-o, e estou bem longe de dizer que todos os maridos sejam irrepreensíveis, mas ficai certa de que, com um pouco mais de doçura e de condescendência, evitaríeis muitas alterações, pesares e palavras duras.

Sobre a piedade

Neste lugar, queria dar a todas as pessoas de piedade, que se acham sob a dependência de outras, como são as mães de família e os criados, uma regra geral para a sua conduta em matéria de práticas de devoção. Quando se está com um marido ou com um amor a quem desagradam os exercícios muito multiplicados de religião, convém partir do princípio que a paz de uma família e os deveres de condição estão antes de tudo; devemos, então, privar-nos de tudo o que não é de obrigação, e, para isso, não esperemos que um marido ou um amor o ordene formalmente.

Há muita gente que, por boa índole, deixará correr e se contrariará interiormente. Não se deve mais, sob pretexto de condescendência, fazer como muitas mulheres que, quando casadas de pouco, julgam dever tudo ceder e não reservam nada para si. Deixam impor-lhes um jugo de cuja continuação lhes é difícil libertar-se. É cair de um excesso em outro excesso ainda.

Concluindo

Então, que isto fique bem entendido: a maior complacência para sacrificar na ocasião o que não é senão acessório; mas nada de concessões quando se trata do cumprimento de um dever real.

Orar com confiança, perseverança e abandono, fazer de todas as suas ações uma oração e de todos os seus sacrifícios um louvor à mãe de Deus: tal deve ser a prática habitual de uma esposa cristã, e é, enfim, o meio de passar felizmente os seus dias no exercício da virtude e buscando comprir os deveres da esposa.

Texto baseado nos livros:

A Mulher na Escola de Maria – M. J. Larfeuil

Santa Mônica, Mãe de Santo Agostinho – Monsenhor Bougaud

Leia também: O casamento católico realmente oprime a mulher?

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1 Comentário

  1. Que belíssimo artigo! Sou recém casada e com a graça de Deus, desejo ser uma boa esposa para meu marido.

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