Para a esposa insatisfeita

Para a esposa insatisfeita segue a seguinte reflexão:

Inicialmente destacamos que são muitas as mulheres que se queixam profundamente da má relação com os seus maridos. São elas as injustiçadas, as não ouvidas, as oprimidas, etc.

Desse modo este pensamento, salvo exceções de companheiras de alguns crápulas, não são bom sinal do próprio estado no qual se encontra quem ecoa tais reclamações.

Acaso não devemos imitar a Cristo? O que além de doar-se pelo mundo fez esse homem? Ele que é Rei, o soberano Senhor do universo.

Acaso não é o matrimonio um estado de vida que exige doação mútua para um só fim último?

A mulher zangada, a que reclama durante todo o dia não satisfaz o papel de auxilio ao marido. Esta encontra-se na situação de querer ser agradada não de agradar.

É justo que a esposa seja insatisfeita?

“A mulher forte”, nos diz o Espírito Santo, “é a alegria do seu marido, e encherá de paz os anos de sua vida”. Mas ajunta Ele também: “É melhor habitar em um albergue do que residir em um palácio com uma esposa insatisfeita, uma mulher impertinente, e rixosa”.

Sendo assum felizes os casados de quem pode dizer-se o que a Escritura conta de Zacarias e sua esposa: “Ambulabant sine querela: atravessaram sua vida em perfeita harmonia”.

A mulher piedosa que quer ser amável saberá, segundo as ocasiões, contrariar seus gostos e juízos para conformar-se com os dos outros, pois assim evitará desentendimentos desnecessários e viverá tranquila. Mas este ideal, para muitas, é um sonho apenas.

Vejamos o exemplo de Santa Isabel da Hungria

Diz-se de Santa Isabel da Hungria que tomava luto quando seu marido partia para alguma parte e, quando ele voltava, vestia outra vez os vestidos de festa.

Para muitas mulheres, estas esposas insatisfeitas as coisas mudaram consideravelmente de Isabel para cá! Quantas se mostram amáveis em toda a parte, exceto na intimidade da família!

Entra o marido em casa, esgotado de seus trabalhos: não exijais dele que entre sorrindo para vós; são vossos sorrisos que devem ir de encontro aos pesares dele. Deveis esperá-lo com uma palavra meiga, um silêncio hábil ou uma dessas pequeninas surpresas a que não sei dar nome, mas cujo segredo tão bem sabeis, quando quereis tornar-vos amável.

Quantos maridos há que encontram azedume justamente no lugar onde procuravam, porque precisavam disto, um favo de mel? Ou um espinho onde procuravam uma rosa, uma tempestade onde tinham esperança de encontrar um arco-íris?

Pelo mais insignificante motivo, a senhora assumirá uma atitude de vítima que parecerá dizer a esse nobre coração que se esgota para sustentar o teu luxo: “Vai-te daqui! És um bruto, um falso!”; ou, antes: “Vai-te daqui! Eu já me conformei que não podes me fazer feliz!”.

Se essa mulher é leviana, se bem que afeiçoada ao seu marido, estará lhe proporcionando a mais cruel decepção. Por isso, no momento em que ele julga sentir as ardentes e vivificantes emanações desse coração que o ama, as carícias de um anjo que venera, ouvirá esse anjo dizer-lhe, insensível: “É possível que sejas tão avarento que eu fique sem aquelas joias de que gosto?”.

Esposas insatisfeitas, não olhem para vós, olhem para vossos maridos

Esposas cristãs, tendes que vos esquecer um pouco de vós mesmas para vos mostrardes mais dedicadas.

Assim, longe de torturar vosso esposo com demasiadas exigências de um luxo estrepitoso, ou com os amargos queixumes de uma sensibilidade excessiva, sereis para ele um anjo de consolação, transbordando de delicadezas e doçuras. Da mesma forma a doçura é tanto mais necessária à mulher quanto menos pode satisfazer seus desejos ou suas cóleras.

Por tanto fazei por obedecer a um ente tão imperfeito como o homem. Por mais que lhe bradem vozes enganadoras, que lhe preguem a emancipação, a mulher, não tendo para triunfar de seu senhor – e, talvez, de seu tirano – outras armas a não ser seus encantos e fraquezas, deve costumar-se cedo a suportar sem murmúrio até mesmo a injustiça.

É a docilidade o caminho que deves percorrer

Deve mostrar-se doce, não só por amor a Deus e por caridade para com os outros, mas também por seu próprio interesse.

Assim a aspereza e a impertinência em uma esposa servirão somente para multiplicar seus males, multiplicando também os repreensíveis atos de que é vítima. Igualmente o homem bem conhece que com tais armas não será vencido; a cólera, quando se casa com a fraqueza, vai acabar no ridículo.

Afinal Deus não criou a mulher, insinuante e persuasiva como só ela sabe ser, para se tornar impertinente e áspera; não a criou mais fraca para ser irascível e impetuosa; não a dotou de uma voz tão doce para dizer injúrias, nem de feições tão delicadas para se alterarem pelo furacão da ira.

Pode ter muitas vezes motivos de sobra para irritar-se, pode mesmo resistir com energia, mas será sempre pior agastar-se.

É sobretudo falando dela que disse o Espírito Santo:

“Uma palavra doce acalma a cólera; uma palavra dura excita o furor”.

Não sejais mais a esposa insatisfeita

De acordo com a história, conta-se que Luiz XIV, recebendo a notícia de haver falecido a rainha, sua esposa, a quem cruelmente havia abandonado, exclamara chorando: “Eis o primeiro desgosto que ela me causa”.

Desse modo feliz a esposa que tiver sabido mostrar-se tão vigilante e dedicada apesar de seus desgostos e amarguras, que mereça de seu marido esta magnífica oração fúnebre.

Assim também é raro que ele, por mais abismado que viva no funesto sono da indiferença, não desperte um dia, comovido e profundamente impressionado pelo espetáculo de tanta graça unida a tanto heroísmo.

Por fim a mulher, santificada pela virtude, porá muitas vezes de lado os costumes e as comodidades, e até sua dignidade, para prestar serviços ao próximo.

Texto “Para a esposa insatisfeitabaseado nos livros:

A Mulher como Deveria Sê-lo – Padre Marchal

Livreto Santa Isabel da Hungria – Padre Albano Stolz

Leia também:

Resenha do livro A Mulher Como Deveria Sê-lo

Deveres domésticos da mulher

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