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Por que crer na intercessão dos santos?

Tempo de leitura: 9 min

Escrito por caritatem
em 08/10/2021

Como pedir a intercessão dos santos

Dúvida muito frequente mesmo entre os mais doutos, a intercessão dos santos sempre foi fruto de questionamentos. Muito embora os cristãos creiam nisso desde o princípio de nossa história, esta pergunta está sempre em voga: como eles nos ouvem, se não são oniscientes? Como é possível que isso não contradiga o fato de que só há um único mediador entre Deus e o homem, a saber Jesus Cristo?

Por isto, hoje nós viemos aqui trazer explicações de forma breve, clara e concisa. Esperamos se torne explícito o fato de que tal intercessão de fato ocorre e que sempre, desde o princípio, os cristãos contaram com ela.

Transmiti aquilo que recebi

As palavras dos Apóstolo ressoam através dos milênios: “Porque, antes de tudo, transmiti-vos o que eu mesmo recebi.” Esta verdade nos guia, nos impele, nos leva para frente: porque nos lembramos do nosso passado, perduramos ao longo de tantas perseguições, guerras, heresias e maldições. A doutrina católica de sempre nada mais é do que a continuação daquilo que sempre fizemos, desde os tempos de Igreja Primitiva. Desta forma, torna-se claro o porquê de crermos na intercessão dos santos: nós sempre cremos nesta realidade, e continuamos a fazê-lo.

Com o tempo, porém, devido às revoluções passadas, tal doutrina foi posta em cheque devido a motivos diversos: interpretações pessoais errôneas das Sagradas Escrituras, consciências escrupulosas e também a pura má-vontade de alguns. No entanto, os registros que sobreviveram ao passar dos milênios chegam até nós e nos comprovam que sempre se pediu intercessão dos santos. Vejamos:

Lápide romana dos primeiros séculos

Tumba cristã antiga

Temos por primeiro exemplo a imagem acima: eu infelizmente não consegui encontrar a pedra inteira. Contudo, se faz óbvio e evidente que, na parte debaixo, temos cortado um “ORA PRO NOBIS QUIA SC…”. “Rogai por nós, que…” em uma gravura de uma catacumba cristã primitiva! Um claríssimo pedido de intercessão.

Faz-se também evidente a presença do Chi Rho (), símbolo que reúne em si as duas primeiras letras da palavra ΧΡΙΣΤΟΣ, grego para Cristo. Este símbolo era usado desde nosso princípio e é até hoje presente em toda Igreja Católica!

Pergaminho do Sub tuum praesidium

Este aqui manuscrito foi trazido à tona há alguns dias em nosso canal do Telegram e se trata do mais antigo pergaminho contendo a oração do Sub tuum praesidium, oração à Santa Mãe de Deus, ainda em grego. Ele é datado de algum ponto entre os séculos III e IV e é a prova cabal de que nós unimos nossa voz à de todos os cristãos para pedir pela proteção de nossos santos.

Além dessa, existem tantas outras provas arqueológicas que eu nem posso abordar todas aqui, além também de provas escritas. São Dionísio Areopagita, por exemplo, conhecido por suas obras teológicas, é personagem bíblico e foi converso por São Paulo já no livro dos Atos dos Apóstolos. Uma de suas maiores obras, Dos Nomes Divinos, trata da Ressurreição e triunfante Assunção de Nossa Senhora aos Céus. De fato, temos realmente tantos exemplos que eu poderia trazer um artigo inteiro sobre isso.

No entanto, cumpre salientar que o foco aqui é explicar porque crer na intercessão dos santos, o que é matéria de dúvida frequente. Por isso, vamos seguir com o tema e responder a impasses que podem ser postos para impedir a crença na intercessão dos santos.

Cristo é o único Mediador

O mesmo Apóstolo citado acima diz, em 1 Timóteo 2, 5: “Pois há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens; um homem: Cristo Jesus”. Obviamente, esta é uma verdade bíblica. Não há uma pessoa sequer que possa negá-la: a Bíblia é materialmente suficiente e é totalmente dogmática. No entanto, esta passagem pode levar a interpretações equivocadas. Explico.

Há uma diferença entre Mediação e Intercessão. Esta primeira palavra está relacionada à nossa Salvação: é vero que, a fim de pagar as nossas dívidas diante de Deus, era necessário que o próprio Deus viesse à Terra e se oferecesse em oblação por nós. Isto estava, na verdade, profetizado desde o Antigo Testamento, e a Doutrina Tomista nos explica com excelência: A gravidade de nosso pecado depende da dignidade da pessoa ofendida, e Deus, por ser o Sumo Bem, tem dignidade infinita. Por isso, nosso pecado somava dívidas infinitas diante da Divina Majestade.

Para expiar por algum pecado, é preciso oferecer algum sacrifício ao Senhor Nosso Deus. Tal era o costume dos judeus: eles sacrificavam (ainda sacrificam, na verdade, já que não creem em Cristo como sendo o Messias) animais para conseguir de Deus o perdão. No entanto, simples animais não têm nem jamais terão dignidade o suficiente para pagar a dívida de Deus. Eles, em sendo meras criaturas que sequer são dotadas de razão, não são capazes de nos conceder o perdão pleno. Por isso, o próprio Deus fez-se Cordeiro, fez-se imolado e crucifixo por nós. Por isso, Cristo é o Mediador único entre nós e o Eterno Pai: é através d’Ele que alcançamos a salvação e o perdão de nossas dívidas.

O que é intercessão

A intercessão, por sua vez, nos passa a ideia de nos levar em direção ao Cristo. São Paulo, por exemplo, foi intermediário na conversão de São Dionísio Areopagita ao Cristianismo; apesar de não ser este primeiro o Salvador, foi ele quem levou São Dionísio à Doutrina de Cristo. De forma semelhante ocorre com a intercessão: apesar de não serem os Santos os dispensadores da graça divina, eles fazem este “meio de campo”, se me permitem a expressão, entre nós e Cristo.

Os anjos e santos apresentam nossas petições diante de Deus, rogam em concordância conosco e conseguem para nós alguma graça requisitada. Temos algumas passagens bíblicas que falam sobre isso. Leiamos:

A fumaça dos perfumes subiu da mão do anjo com as orações dos santos, diante de Deus.” – Apocalipse 8, 4

Os quatro viventes e os vinte e quatro anciões se prostraram diante do Cordeiro. Tinha cada um uma cítara e taças de ouro cheias de perfumes, que são as orações dos santos.” – Apocalipse 5, 8

Tais passagens mostram que os Santos, que já estão na glória celeste e participam da visão beatífica de Deus, continuam contudo a rezar. E porque rezariam eles, se já alcançaram o fim último de nossas vidas? Eles não têm mais o que pedir por suas vidas, não têm mais porque pedir perdão, já estão em constante adoração a Deus… o único tipo de oração que resta é a de intercessão. Eles pedem por nós, e isso é plenamente lógico e se faz explicitado nos trechos citados.

Até no Velho Testamento

Há uma última passagem de crucial importância. Leiamos.

Disse-me, então, o Senhor: ‘Mesmo que Moisés e Samuel se apresentassem diante de Mim, meu Coração não se voltaria para esse povo’. – Jeremias 15, 1

E você, meu caro leitor, talvez se pergunte: “Mas que há que Moisés e Samuel se apresentem diante de Deus?”. Ora, cumpre salientar que eles já haviam morrido há séculos quando Jeremias veio ao mundo. Por que, então, falaria o próprio Deus deles, senão que se eles pudessem de fato aparecer diante d’Ele, apesar de mortos? E nota-se também que esta aparição se daria para fazer uma petição. Para interceder, ponto às claras.

Tendo-se explicado este ponto, acredito que já esteja seguro pular para o próximo.

Por que não pedir diretamente?

Este é um ponto bem simples de ser tratado. Pelo mesmo motivo que nós pedimos que nossos amigos roguem por nós por uma intercessão específica: Deus gosta da oração insistente, que se repete dia após dia, ano após ano. Deus gosta, também que seu povo esteja unido em oração, especialmente quando esta se dá por um mesmo propósito.

Por fim, Deus gosta de se utilizar de seu povo. Se assim não fosse, Ele teria surgido no mundo já adulto e formado, e não nascido do ventre da Virgem; Ele mesmo teria convertido os povos, não os Apóstolos; Ele mesmo teria expulsado a Satanás dos céus, e não São Miguel Arcanjo; enfim, a lista segue.

Temos também a passagem de II Reis, capítulo 13, versículos 20 e 21: “Eliseu morreu e foi sepultado. Guerrilheiros moabitas faziam cada ano incursões na terra. Ora, aconteceu que um grupo de pessoas, estando a enterrar um homem, viu uma turma desses guerrilheiros e jogou o cadáver no túmulo de Eliseu. O morto, ao tocar os ossos de Eliseu, voltou à vida e pôs-se de pé.” Ora, o homem que estava morto tocou os ossos do Santo Patriarca e ressuscitou. Isto é claramente um milagre ocorrido graças à intercessão de um homem querido pelo Senhor.

Para finalizar, sabemos também que a dignidade da pessoa que pede por uma intenção interfere diretamente na probabilidade de Deus aceitar uma oração. É por isso que pedimos a um padre que rogue por nossas intenções, ou pedimos que uma freira piedosa nos ponha em suas orações; quanto mais não deve valer a oração de um Santo, alguém que viveu uma vida plenamente cristã, e que já está na Glória dos Céus! Ele, face a face com Cristo Nosso Senhor, apresenta nossas orações diante de Seu Trono. Pensemos em quanto não vale uma oração de São Francisco de Assis, alguém que de tal forma se configurou ao Cristo que até as Suas chagas ele recebeu!

Por fim, sigamos agora para o último ponto, que creio que seja a última dúvida possível sobre o assunto.

Como os Santos escutam a oração?

Este é, realmente, um questionamento válido. O único que é onisciente é o próprio Deus. Como, então, eu rezaria daqui, da minha casa, e outra pessoa que já está no Céu iria ouvir?

Ora, cumpre ressaltar que, por ocasião de nosso batismo e de nossa Fé, somos membros do mesmo Corpo Místico de Cristo, que é a Igreja. O próprio Cristo é a Cabeça deste Corpo; por isso, pensemos: se a tua mão esquerda se comunica com a tua direita, ou se teu pé esquerdo sabe o momento de ir para frente para poder andar e não tropeçar no direito, é por causa da tua cabeça. De maneira semelhante ocorre na Igreja: se eu me comunico com tal ou qual santo em minha oração, é graças à Cabeça desde corpo, a saber Nosso Senhor Jesus Cristo.

A Bíblia nos diz, no livro dos Atos dos Apóstolos, capítulo 16, versículos de 9 a 10, que “De noite, Paulo teve uma visão: um macedônio, em pé, diante dele, lhe rogava: ‘Passa à Macedônia, e vem em nosso auxílio!’ Assim que teve essa visão, procuramos partir para a Macedônia, certos de que Deus nos chamava a pregar-lhes o Evangelho.” Vejam bem, São Paulo teve uma visão de um macedônio que pediu socorro para ele por meio da oração.

São Padre Pio, santo de sétima morada e um místico taumaturgo de milagres exuberantes, aparecia em sonho para seus filhos espirituais e os interrogava o motivo de não estarem rezando. Ele era capaz da bilocação e chegou até a aparecer nos céus para impedir a sua cidade de ser bombardeada durante a Segunda Guerra Mundial. Como, você se pergunta? Por divina concessão, por autorização do próprio Cristo.

Conclusão

Por fim, eu agradeço a você, meu caro leitor, que ficou até aqui. Caso queira ler mais sobre o tema, eu lhe recomendo este artigo do portal O Fiel Católico e este outro do blog Sanctorum, que também explicam o assunto com maestria. Esta postagem do nosso blog explica sobre a necessidade do Santo Rosário para a busca pela verdadeira virtude, e mostra como a intercessão da Virgem é indispensável para nós. Esta sessão da nossa loja nos traz alguns livros devocionais de espantosa qualidade, também.

Se você gostou desta postagem e achou que ela lhe foi de grande utilidade, compartilhe com os seus conhecidos e nos ajude a espalhar a verdadeira Doutrina Católica para todos. Se isso lhe moveu, comente abaixo o que achou, e nos deixe saber a sua opinião! Ela nos é muito importante, tanto para nos motivar a continuar como também para nos ajudar a melhor lhe atender.

Salve Maria Imaculada!

“Até aqui nos tem ajudado o Senhor” – Samuel 7, 12

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1 Comentário

  • Felipe disse:

    Perfeito!👏🏻

    Obs: não querendo ser chato rsrs mas como bom devoto de tal Santo não pude deixar de notar uma pequena errata no trecho

    “Pensemos em quanto não vale uma oração de Santo Antônio, alguém que de tal forma se configurou ao Cristo que até as Suas chagas ele recebeu!

    O trecho não se referia a São Francisco de Assis?

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