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Sermão para o Domingo de Pentecostes

Tempo de leitura: 9 min

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém. Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo! 

Reverendos Padres, estimados fiéis, 

“Ao nos enviar o Espírito Santo, Deus fez respeito de nós o que um grande rei faria, encarregando ao seu primeiro ministro que guiasse a um de seus súditos, dizendo-lhe: “Acompanhe a este homem aonde quer que ele vá, ciente de que me deveis devolvê-lo são e salvo”. Que graça tão grande ser conduzido pelo Espírito Santo! E, no entanto, há quem não queira segui-Lo… O Espírito Santo nos conduz pela mão, como uma mãe ao seu filho de dois anos, como uma pessoa que enxerga bem a um cego. O Espírito Santo repousa nas almas puras, como a pomba no seu ninho. Alenta e protege os bons desejos da alma pura, como a pomba alenta e protege aos seus filhotes. Para o homem que se deixa conduzir pelo Espírito Santo parece que não há mundo; para o mundo parece que não há Deus… Há quem julgue a Religião irritante; sabe por quê? Porque eles não têm o Espírito Santo” . Com estas belíssimas palavras, caríssimos irmãos, o Cura d’Ars nos explica de forma tão simples o motivo da grande solenidade de Pentecostes: o envio da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, do Espírito Santo, tantas vezes predito e prometido por Nosso Senhor bem como a sua benéfica ação sobre as nossas almas. Como ensina o Catecismo, ao Espírito Santo se atribui especialmente a obra da santificação das almas . 

A que podemos comparar esta ação divina ? Podemos compará-la à ação da seiva de uma árvore. A circulação desta substância no interior do vegetal permite a sua nutrição e respiração, portanto, a sua vida. Destas atividades vitais procede o vigor que a leva a produzir frutos, alcançando assim o fim para que foi criada. Ora, a graça santificante e as virtudes teologais e cardeais infundidas pelo Batismo, como a seiva de uma árvore, “circulam” no interior de nossas almas pela ação dos dons do Espírito Santo, vivificando-a sobrenaturalmente; ação esta que produz os frutos do Espírito Santo, cujo hábito nos conduz às bem-aventuranças, que são como as delícias da glória antecipadas na terra. Expliquemos, então, este processo de santificação de nossas almas. 

Assim como o nosso corpo vive pela alma, queridos amigos, assim a nossa alma vive pela graça, que não é outra coisa que uma participação da vida de Deus em nossas almas . Como já dito, ao Espírito Santo se atribui a obra de santificação de nossas almas, pois se trata de uma obra de amor, cuja causa é o Amor incriado. Foi por amor que Nosso Senhor se encarnou e morreu na cruz, para nos devolver, mediante os sacramentos do Batismo e da Penitência, esta participação da vida divina que havíamos perdido pelo pecado. Ora, é da graça, vida de nossas almas, que emanam as virtudes infusas, como da alma se derivam a inteligência e a vontade, que são as suas faculdades de ação. Ora, assim como as virtudes infusas aperfeiçoam as nossas potências para obedecerem à razão, assim os dons do Espírito Santo nos tornam aptos a seguir prontamente o instinto do Espírito Santo . Não são movimentos transitórios, mas sim hábitos sobrenaturais, que nos aperfeiçoam e nos tornam dóceis às aspirações da graça. Distinguem-se sete dons do Espírito Santo : sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus. “Os sete dons do Espírito Santo, como ensinava Santo Antonino , são os sete espíritos enviados ao mundo, contra os sete espíritos maus de que fala o Evangelho [isto é, os sete vícios capitais]”. Expliquemos um pouco. 

O dom de temor de Deus imprime em nossa alma um grande respeito a Deus, temor do seu julgamento e horror ao pecado. Opõe à soberba, que nos incha de orgulho, conduz-nos à idolatria de nós mesmos, torna-nos arrogantes. O dom de temor de Deus, pelo contrário, faz que nos apouquemos diante de Deus, que nos tornemos humildes, modestos e misericordiosos para com o próximo. Fazendo-nos temer só a Deus, livra-nos do temor mundano, que nos leva, muitas vezes, a ofender a Deus, para não perder amizades, favores ou dinheiro; livra-nos do temor carnal, que nos precipita no pecado, para evitar os incômodos, as doenças e a morte; por fim, do temor natural, isto é, a timidez, a covardia. 

O dom de conselho nos faz discernir o caminho do céu, tomarmos para nós e aconselharmos aos outros os meios mais convenientes, para nele caminhar com segurança. Opõe-se à avareza, que nos falseia o espírito, fazendo-nos preferir o menos ao mais, a ponto de sacrificarmos os bens eternos aos temporais, fazermos do dinheiro o nosso Deus, a nossa felicidade na terra. O dom de conselho, pelo contrário, mostra-nos, com particular evidência, que os bens materiais são indignos da alma imortal; que em vez de serem um meio de salvação, muitas vezes lhe servem de obstáculo; que devemos em nossos cálculos preferir os bens eternos; não buscar o nosso Deus na terra, nem a bem-aventurança nas riquezas. Livrando-nos de todas as preocupações materiais, faz-nos adquirir um grande tino, para julgar retamente, e tirar-nos a nós e aos outros de muitos embaraços e dúvidas. 

O dom de sabedoria nos faz conhecer e saborear as coisas de Deus, ou antes ao mesmo Deus, e tudo que nos conduz a possuí-Lo. Opõe-se à luxúria, que dá um pérfido encanto aos prazeres dos sentidos, aos quais nos arrasta, como para ali achar a felicidade; faz do espírito escravo do corpo; obscurece a inteligência, endurece o coração, reduz o homem à condição dos animais irracionais. O dom da sabedoria, pelo contrário, desgosta-nos dos prazeres dos sentidos; derramando uma grande suavidade nos bens celestes, dando-lhes um atrativo digno de uma alma imortal; liberta o coração da tirania dos sentidos, não nos permitindo saborear os prazeres deste mundo, senão dentro dos justos limites. 

O dom de entendimento nos faz penetrar com facilidade as verdades da Religião; e compreendê-las tanto quanto é possível à nossa inteligência limitada. Opõe-se à gula, que faz a vida física predominar sobre a vida moral; sujeita a alma ao corpo, embota e inabilita o espírito para o estudo; enfraquece as faculdades da alma, tornando-a mole e preguiçosa; tira-lhe a verdadeira luz, com que se veem as coisas da ordem espiritual. O dom de entendimento, pelo contrário, faz a alma dominar o corpo; inspira a sobriedade; dá-nos uma grande penetração, para compreender as Sagradas Escrituras, os sermões, a explicação das verdades da Religião; mostra-nos a futilidade dos erros e objeções dos hereges e dos ímpios; e deste modo fortifica e salva a nossa fé, que é o mais preciso dos tesouros.

O dom de piedade nos faz dar a Deus um culto filial. Opõe-se à inveja, que endurece, avilta e deprava o coração; torna-o mau e injusto; arrasta-o ao ódio do próximo, ao egoísmo e a todos os crimes. A piedade, ao contrário, comunica ao coração o delicioso sentimento de um amor generoso, terno, magnânimo, filial, já para com Deus, já para com tudo o que pertence a Deus: sua Igreja, sua palavra, seus templos, seus sacerdotes, seus membros. Eis o objeto de suas afeições, liberalidades e sacrifícios; eis a fraternidade sincera, a amizade verdadeira, o amor de Deus e do próximo, o caráter cristão. 

O dom de ciência nos dá um conhecimento certo das verdades da Religião, pelo qual fazemos um santo uso dos conhecimentos humanos. Opõe-se à ira, que cega e impede o homem de raciocinar, de ver a luz da verdade, de discernir o bem do mal. A ciência, pelo contrário, esclarece a alma e, regulando o nosso juízo pela justa apreciação das coisas, impede que nos irritemos por causa dos males, que pouco importam. 

O dom de fortaleza, exaltando-nos acima de nossa fraqueza natural, nos faz operar grandes coisas por amor a Deus e ao próximo; vencer os obstáculos que se opõem ao cumprimento dos nossos deveres. Opõe-se à preguiça, que impõe à alma o jugo das paixões, adormecendo-a nas impurezas do pecado e tornando-a incapaz de todo bem e capaz de todo mal. A fortaleza, pelo contrário, dá agilidade à alma e vigor a todas suas potências; persuade-nos a empreender corajosamente e executar com perseverança grandes coisas por amor a Deus, do próximo e de nós mesmos, levando-nos até o martírio; faz-nos repelir as tentações da carne e do demônio, os escândalos e máximas do mundo; desprezar os respeitos humanos, suportar com suave e tranquila resignação as doenças do corpo, as tribulações da alma, as contrariedades e revezes da fortuna, a morte de nossos parentes e a nossa própria. Tais são os sete grandes remédios que o Espírito Santo aplica às nossas almas, para curá-las das sete profundas feridas do pecado, ou antes tais são as sete virtudes com que o Espírito Santo vem em nosso auxílio, para combater as sete potências inimigas, que nos atacam incessantemente. 

Queridos fiéis, quando a alma, pois, socorrida pelos sete dons do Espírito Santo tem lutado vitoriosamente, é justo que depois colha os frutos de suas vitórias: chamam-se a estes benefícios os frutos do Espírito Santo. Dá-se-lhes este nome, primeiro porque produzem no coração humano aquela suavidade, que o fruto de uma boa árvore produz no paladar; em segundo lugar, porque manifestam o estado de saúde ou convalescença da alma, assim como os bons frutos manifestam a boa qualidade da árvore que os produz. Como nos indica o Apóstolo São Paulo , os frutos do Espírito Santo são doze: caridade, gozo, paz, paciência, magnanimidade, bondade, benignidade, mansidão, fé, modéstia, continência e castidade. 

Ora, assim como o uso frequente de saborosos frutos não só comunica ao corpo um gozo momentâneo, senão que também o constitui em estado habitual de saúde e bom humor, assim na ordem moral, o hábito de se nutrir dos frutos do Espírito Santo, isto é, a fidelidade em praticar as virtudes, eleva a alma a diversos estados de um bem estar inefável, que se chamam bem-aventuranças. Tal é na terra o supremo benefício do Espírito Santo e o resultado dos dons e virtudes, que ele comunica aos fiéis. As bem-aventuranças, em número de oito, são já neste mundo o gozo antecipado do céu. Livram a alma, quanto o permite a vida atual, que é um tempo de penitência e provação, das penas e aflições interiores e exteriores, que são o tormento da maior parte dos homens. Eis o processo de santificação de nossas almas, operado pelo Espírito Santo. 

Peçamos, então, amadíssimos irmãos, à Santíssima Virgem Maria, Rainha do céu e da terra, esposa fidelíssima do Espírito Santo, que nos alcance uma grande devoção à Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, a quem devemos invocar e honrar com frequência; que nos faça verdadeiramente dóceis às suas santas inspirações, de modo que, inflamados no amor divino e santificados por sua graça, possamos gozar de sua visão beatífica no céu. Peçamo-lo, também, pela intercessão do glorioso Patriarca São José. 

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo! 

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém. 

——

Pelo Rev. Pe. Olivieri Toti, FSSPX

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