fbpx

Participe da pré venda do Ano Cristão com Super Desconto

QUERO PARTICIPAR!

Terceiro Domingo da Quaresma

Tempo de leitura: 11 min

Sobre os que calam pecados na confissão, de Santo Afonso Maria de Ligório. Trecho retirado da obra Sermões Para Quaresma e Para a Páscoa

O demônio não leva ao inferno os pecadores com os olhos abertos, mas primeiramente os cega com a malícia de seus próprios vícios: Excæcanit enim illos malitia eorum – “Enganam-se, sua malícia os cega” (Sb. 2, 21), e depois os conduz consigo à eterna perdição. Assim o inimigo procura nos cegar primeiro para que não vejamos o mal que fazemos, bem como a ruína que preparamos para nós mesmos ofendendo a Deus.

Logo que tenhamos pecado, procura nos cegar para que não confessemos por vergonha, e assim nos ata com uma dupla corrente para nos conduzir ao inferno, fazendo que depois do pecado cometido cometamos outro ainda maior: o sacrilégio.

É sobre este assunto que quero falar-vos hoje, para que conheceis toda a gravidade e as consequências de calar pecados na confissão.

Santo Agostinho, escrevendo sobre aquele texto de Davi: Pone, Domine, ostium circumstantiæ labiis meis – “Ponde, Senhor, um cadeado que feche meus lábios eternamente” (Sl 140), comentou-o da seguinte maneira:

“[O salmista] não disse: um claustro que feche e sim: ‘uma porta’. A porta abre-se e fecha-se; portanto, se é porta, abre-se e fecha-se. Abre-se para a confissão dos pecados, fecha-se para escusá-los”. Quer dizer com isso que o homem deve ter como uma porta na boca para fechá-la às palavras desonestas, às murmurações e às blasfêmias, e abri-la para confessar os pecados cometidos.

O calar, quando nos vemos instigados a pronunciar palavras injuriosas contra Deus ou contra o próximo, é um ato de virtude. Porém, calar na confissão os pecados cometidos é a ruína da alma. É isso o que o demônio espera de nós, que tenhamos a boca fechada depois que pecamos e não nos confessemos.

Refere Santo Antonino, que viu o demônio certa vez em uma igreja, andando ao redor de algumas pessoas que buscavam a confissão; perguntou-lhe o que fazia naquele lugar, e recebeu como resposta: “Estou aqui restituindo aos penitentes aquilo que antes lhes tirei; tirei-lhes a vergonha para que pecassem e agora lhes restituo para que não confessem”.

“São fétidas e purulentas as chagas que a minha loucura me causou” (Sl 37, 6). As chagas quando gangrenam acarretam a morte ; o mesmo acontece com os pecados omitidos na confissão, porque são como chagas gangrenadas da alma.

São João Crisóstomo disse que Deus colocou a vergonha no pecado para que não o cometamos e, por outro lado, nos dá a maior confiança na confissão prometendo o perdão ao pecador que se acusa. O demônio faz o contrário, inspira confiança ao pecador com a esperança do perdão para que peque, mas, depois que pecou, o acumula de vergonha para que não se confesse.

Um discípulo de Sócrates, ao sair da casa de uma mulher sem honra, viu seu mestre que passava por ali e voltou atrás como que se escondendo para não ser avistado. Então, Sócrates, aproximando-se da porta o disse: “Filho meu, vergonhoso é entrar nessa casa, mas sair dela não o é. Assim também os digo agora: irmãos meus, pecadores, coisa vergonhosa é ofender a um Deus tão grande e tão bom, mas confessar os pecados depois de tê-los cometido não o é.

Por acaso, Santa Maria Madalena, ao se converter, teve vergonha de se confessar como uma mulher pecadora em público aos pés de Jesus Cristo? Aquela confissão foi o que a fez santa! Teve Santo Agostinho vergonha não somente de confessar seus pecados como também de escrevê-los para que fossem conhecidos de todo o mundo? Teve vergonha de se confessar Santa maria Egipcíaca, que fora por tantos anos uma mulher desonesta? Assim agiram estes santos, e hoje são venerados nos altares.

Nos tribunais da terra se diz que o que confessa é condenado, mas no tribunal de Jesus Cristo aquele que confessa obtém o perdão e recebe a coroa do paraíso.

São João Crisóstomo disse que depois que o penitente se confessa recebe uma coroa: Post confessionem, datur pænitenti corona.

Aquele que queira curar uma ferida deve expô-la ao médico, pois de outro modo ela piorará e o arrastará à morte. Diz o Concílio de Trento: Quod ignorat medicina non curat.

Portanto, irmãos, caso vossa alma estejais manchada pelo pecado, não vos envergonheis de manifestá-lo ao confessor, porque de outro modo perecereis: Não te envergonhes de dizer a verdade quando se trata de tua alma.

Direis, porém: “Eu, padre, tenho muita vergonha de confessar aquele pecado”. Filhos meus, respondo eu, essa vergonha é a que deveis vencer se quereis serdes salvos: Est enim confusio adducens peccatum, et est confusio adducens gloriam et gratiam – “Há vergonha que conduz para o pecado e há, também, vergonha que conduz para a glória e a graça” (Eclo 4, 25).

Uma conduz os homens ao pecado, a vergonha que vos leva a calar durante a confissão os pecados cometidos; a outra é aquela que se sente ao confessá-los, e nos faz receber a graça de Deus nesta vida e a glória do paraíso na outra. Pro anima tua ne confundaris dicere verum (Eclo 4, 24).

Santo Agostinho escreve que o lobo agarra a ovelha pelo pescoço com os dentes para que ela não escape de suas mãos, e não possa pedir socorro gritando: assim a leva em segurança e a devora. O diabo faz o mesmo com tantas ovelhas infelizes de Jesus Cristo: depois de fazê-las pecar, ele as agarra pelo pescoço para que não confessem, e assim conduz a presa com segurança para o inferno.

Depois que alguém comete um pecado sério, não há outra maneira de salvar a si mesmo do que confessá-lo. Mas que esperança de salvação ele tem ao se confessar e calar o pecado, valendo-se da confissão para ofender ainda mais a Deus e se tornar mais escravo do diabo? O que você diria de um doente que tomou um copo de veneno em vez do remédio que o médico receitou? E o que é a confissão para um pecador que esconde seus pecados senão uma taça de veneno que acrescenta à sua consciência o mal do sacrilégio?

Quando o confessor absolve o penitente, ele asperge sobre ele o sangue de
Jesus Cristo, visto que o absolve do seu pecado pelo mérito daquele santíssimo sangue. Mas, o que ele faz quando cala os pecados na confissão? Imprime em si o sangue de Jesus Cristo. E se ele também recebe a comunhão em pecado, segundo São João Crisóstomo, ele como que atira a hóstia consagrada em uma fossa: Non minus detestabile est in os pollutum, quam in sterquilinium mittere Dei Filium.

Quantas pobres almas a maldita vergonha arrasta ao inferno, porque, como diz Tertuliano, ela se preocupa mais com a vergonha do que com a salvação. Essas almas desgraçadas só pensam na vergonha e não pensam que estão irremediavelmente condenadas se não confessarem seus pecados.

Alguns dizem: “O que dirá meu confessor quando souber que cometi tal pecado?” O que dirá? Dirá que sois miseráveis, como o são todos quantos vivem nesse mundo; dirá que, se cometestes pecado tereis realizado uma ação gloriosa vencendo a vergonha que tenhais de confessá-lo.

Outros dizem: “Se eu confessar tal pecado, temo que seja conhecido de muitos”. A estes eu pergunto, a quantos confessores tem que confessar? Basta contar a um único sacerdote, e, assim como ele ouve o seu pecado, ele também ouve muitos outros de muitas outras pessoas. Basta que o confesse uma vez, para que o confessor o satisfaça e, assim, a sua consciência fique tranquila.

“É verdade”, diz o pecador, “mas tenho grande relutância em manifestar meu pecado a meu pai espiritual”.

Bem, diga a outro confessor, seja ele qual for: “Mas o meu confessor compreenderá mal se vier a saber que eu confesso a outro”. Bem, o que você quer fazer? Você quer cometer um sacrilégio ao confessar erroneamente e condenar-se para não desagradar seu confessor? Esta seria a maior loucura.

Outro pecador diz: “Temo que o confessor torne meu pecado conhecido para os outros”. O que você está dizendo? Quão tolo é suspeitar que o confessor seja tão perverso ao ponto de quebrar o segredo da confissão e comunicar o seu pecado aos outros? Não sabes que o segredo de confissão é tão estreito que o confessor, ao sair do confessionário, não pode falar uma palavra, nem mesmo de um pecado venial, mesmo com quem o confessou, e que se desrespeitasse tal segredo cometeria um crime gravíssimo?

Mas o pecador replica: “Receio que, quando o confessor souber da minha fraqueza jogue-a na minha cara e fique irritado”. Mas você não vê, respondo-lhe, que todos esses medos são truques do diabo para arrastá-lo para o inferno? O confessor não atirará nada na sua cara, nem se irritará, mas com a doçura evangélica típica de um discípulo de Cristo, ele lhe dará os avisos que lhe convierem. E saiba que o maior consolo que qualquer confessor pode ter é absolver o penitente que se acusa de seus pecados com sinceridade e verdadeira dor.

Se uma rainha fosse mortalmente ferida por uma escrava e você pudesse curá-la com algum remédio, que alegria não teria se a libertasse da morte? Pois um prazer semelhante recebe o confessor que absolve a alma que estava em pecado: com a sua ajuda a liberta da morte e a torna rainha do paraíso, fazendo-a recuperar a graça divina.

Os pecadores, têm muitos medos infundados e não têm medo de se condenarem por cometerem um pecado tão grande, como os pecados do silêncio na confissão. Tens medo de irritar o confessor, e não tem medo de irritar Jesus Cristo, que te julgará na noite da morte.

Temes que os teus pecados sejam conhecidos pelos outros, pois isso é impossível, uma vez que os revelas em segredo ao confessor, e ele deve guardar o segredo com precisão.

Tu não temes que no dia do julgamento todos os habitantes do mundo conheçam os teus pecados, se agora você os calar. Se soubesses que, por não confessar aquele pecado ao confessor, todos os teus parentes e conhecidos viriam conhecê-lo, certamente você o confessaria. Mas tu tens fé ou não? Não sabes, diz São Bernardo, que se não contar tua culpa a um pecador igual a você, esse pecado será conhecido no dia do julgamento, não apenas por todos os teus parentes e conhecidos, mas todos os homens do mundo?

O próprio Deus, para tua confusão, se não te confessares agora, então publicará não apenas aquele pecado que calaste por vergonha, mas toda a sujeira que cometeste durante vida, na presença dos anjos e de todos os homens: Revelabo pudenda tua in facie tua: Vou descobrir as tuas infâmias diante de ti.

Escutai então, pecador, o que Santo Ambrósio aconselha: O diabo preparou o processo de todos os seus pecados para acusar-te no tribunal de Deus. Se quiseres evitar essa acusação, diz o Santo, assumi o comando do teu acusador, acusa-te a um confessor e, então, não haverá quem te acuse: Præveni accusatorem tuum; si te ipse accusaveris, accusatorem nullum timebis.

Pelo contrário, diz S. Agostinho, quem não se acusa na confissão esconde o seu pecado e fecha a porta ao perdão de Deus: Excusas te, includis peccatum, excludis indulgentiam.

Coragem então, meus irmãos; e se algum de vós cometestes o erro de silenciar vossos pecados por vergonha, esforçai-vos e revelai-os a um confessor: dai glória a Deus com um coração alegre e confundireis o demônio. Ele induz um certo penitente a não confessar por vergonha um pecado que cometeu mas finalmente decide confessar.

Enquanto procurava o confessor, o demônio apareceu-lhe e disse: Aonde vais? ele respondeu com coragem: vou confessar-me a mim e a ti. Portanto, digo-lhe agora: se ficaste calado sobre algum pecado grave, diga-o ao confessor e, assim, confunda o diabo. Tenha em mente que quanto mais vos violáreis para fazer essa confissão, maior será a recompensa que Jesus Cristo vos dará.

Eia, pois, desamarre essa serpente que tens presa na tua alma e cujas mordidas contínuas não te deixam acalmar-te. Que inferno cruel sofre uma pessoa que guarda um pecado na alma, que deixou de confessar por vergonha! É realmente um inferno previsto.

Para te livrar dele, basta dizeres ao confessor: “Padre, tenho um certo escrúpulo de não ter confessado um pecado da minha vida passada; mas tenho vergonha de dizer isso”.

Então o confessor terá o cuidado de tirar do teu coração essa cobra que corrói tua consciência. E para que não tenhas escrúpulos infundados, saiba que se este pecado que temes confessar não é mortal, ou não o consideraste assim, não és obrigado a confessá-lo, porque não somos obrigados a confessar senão os pecados mortais.

Além disso, se duvidas teres confessado ou não algum pecado de tua vida passada, mas tem certeza de que, desde então, fez o exame de consciência escrupulosamente e que não guardou silêncio sobre nenhum pecado voluntariamente ou por vergonha; nesse caso, embora seja muito grave a falta da dúvida se o confessou ou não, tu não és mais obrigado a confessá-lo, tendo a certeza de que já o confessou antes.

Pelo contrário, se sabes que essa ofensa é grave e não a confessaste, é necessário confessá-la ou te condenarás. Mas não, vades logo ao confessor, queridas almas, que Jesus vos espera de braços abertos para perdoar e abraçar a partir do momento em que confessardes vossa falta.

Garanto que, após uma confissão completa, sentireis uma grande alegria por ter sua consciência limpa e a graça de Deus restaurada; graça que abençoará o momento em que resolvestes fazer uma confissão sincera.

Apressai-vos em encontrar um confessor, não permitais que o diabo tenha tempo para tentar-vos ou atrasar mais esta salutar confissão: vades arrependidos, porque Jesus Cristo vos espera como pai amoroso que deseja abraçar seus filhos.

Compartilhe agora mesmo:

Você vai gostar também:

Para enviar seu comentário, preencha os campos abaixo:

Deixe uma resposta


*


*


Seja o primeiro a comentar!

JUNTE-SE A MAIS DE 100 MIL LEITORES

Entre para nossa lista e receba conteúdos exclusivos e com prioridade