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Você sabe o que é Tibieza?

Descubra neste artigo o que é a tibieza, quais são suas espécies e quais são os sinais que apontam que uma alma sofre deste mal.

Confira abaixo!

O que é a Tibieza?

A tibieza define-a S. Afonso pelo que a caracteriza : o pecado venial. · 

A tibieza, diz o Santo Doutor, é o hábito do pecado venial plenamente voluntário. 

Guardemos bem esta definição. Para a tibieza essencial, são necessárias três condições: 

1. O pecado venial plenamente voluntário; 

2. O hábito do pecado venial voluntário; 

3. A paz com este hábito e a ausência de esforços para se corrigir. 

Desde que falte uma destas condições, já não há tibieza propriamente dita. Uma alma talvez caia de vez em quando nalguma falta venial. Cai por fragilidade, por miséria. 

Emenda-se logo. Toma boas resoluções, corrige-se. Todavia é tão grande a fraqueza humana! Uma vez ou outra chora uma falta venial. Não é tibieza. Houve o pecado venial, mas não o hábito do pecado venial e muito menos ainda a paz com o pecado venial. Há esforço, generosidade, boa vontade, arrependimento sincero. 

O Pe. Desurmont define a tibieza, comentando admiravelmente S. Afonso: “A tibieza é o hábito não combatido do pecado venial, ainda que seja um só. É um hábito fundado num cálculo implícito: “Esta falta não ofenderá a Nosso Senhor gravemente, não me há de condenar. Pois vou cometê-la.”

É um ato dificílimo de se desarraigar da alma. É um hábito muito espalhado sobretudo entre as pessoas que fazem profissão de piedade e entre as almas consagradas a Deus. 

Espécies de tibieza 

A tibieza propriamente dita é a que definimos – o hábito do pecado venial voluntário e a paz com este hábito. Há, entretanto, outras espécies de tibieza. 

1. A tibieza de fragilidade e irreflexão. 

Até os Santos a experimentaram. Só a Virgem Imaculada não a teve. Nosso Senhor permite nos Santos algumas fragilidades e misérias, para conservar neles as virtudes fundamentais da humildade, a desconfiança de si, a compaixão para com as misérias alheias, o desapego da terra e o desejo do céu. Oh! os santos tiveram as suas pequenas fragilidades e misérias. Como se humilhavam! 

2. Tibieza da vontade. 

É mais grave que a de fragilidade. É a vontade enfraquecida. Deus a permite para confusão de nosso orgulho e melhor nos convencer de nossa miséria. Um firme propósito, um gesto de arrependimento sincero, com a resolução de se vigiar com mais cuidado, e tudo está reparado. A tibieza de vontade é facilmente remediável. 

3. Tibieza do pecado venial voluntário e habitual e é desta que aqui vimos tratando. 

Sinais da tibieza 

Os sinais da tibieza em geral são os oito seguintes: 

1. Omissão fácil das práticas de piedade. 

A alma fervorosa tem a sua vida de piedade toda dirigida por um regulamento particular fácil de ser observado e bem criterioso. Não omite facilmente qualquer prática de piedade. É de uma fidelidade extrema, sobretudo à meditação. Se graves ocupações ou verdadeira necessidade a impedem, procura, logo que seja possível, suprir a falta. A alma tíbia sob qualquer pretexto omite os exercícios de piedade, passa dias sem meditação, e até mesmo sem práticas de piedade de qualquer espécie. Ora, isto é exatamente o contrário do fervor. 

2. Fazer exercícios de piedade com negligência. 

Na tibieza também há oração, missas, confissões, comunhões, terços, etc., mas a rotina vai inutilizando tudo. A rotina e a má vontade. Confissões e comunhões mal preparadas, orações com inúmeras distrações voluntárias. E pior ainda a falta de generosidade e de todo esforço para se corrigir. 

3. Outro sinal de tibieza é a alma sentir-se aborrecida com o pensamento de que tudo vai mal na sua vida espiritual. 

Não se sente inteiramente à vontade com Deus. Não sabe exatamente onde está o mal, mas tem certeza de que tudo não está em ordem. É um mau estar, um aborrecimento interior. E, sem paz, o tíbio se agita inutilmente e vai deixando arraigar-se-lhe no coração o hábito do pecado venial. Este sinal anda sempre com os dois primeiros. Desde que faltou generosidade numa alma para ser fiel aos seus deveres de piedade, estas omissões e negligências acabam deixando-a num estado lamentável de aborrecimento das coisas santas e até de Nosso Senhor. 

4. O quarto sinal é agir sem pureza de intenção, sem ordem nem método. 

A pureza de intenção consiste em fazermos com um fim honesto e sobrenatural todas as ações de nossa vida: práticas de piedade, deveres de estado, trabalhos de cada dia ou qualquer coisa por mínima que seja. É aquele olhar interior sempre fixo em Deus e desviado das criaturas. Tudo fazer para a glória de Deus, e ver em tudo a vontade de Deus e a ela se submeter com espírito de fé e resignação. Eis a mais pura intenção que se pode imaginar, o mais elevado princípio e o mais perfeito ideal de uma alma fervorosa. A alma tíbia faz tudo por amor próprio e capricho, seguindo em tudo a natureza. É a leviandade, a preocupação da vontade própria, os cálculos muito humanos, a vaidade quando faz o bem, o desejo de agradar às criaturas e de aparecer. Anda à cata de louvaminhas e aborrece o sacrifício oculto, a abnegação e outras virtudes que não brilham aos olhos das criaturas e constituem o segredo. Oh! como a tibieza rouba e despoja a pobre alma, quando lhe arrebata a pureza de intenção.

5. Contentar-se com a mediocridade e negligência em formar hábitos de virtude. 

Se a mediocridade já é desastrada na ciência, na literatura e na arte, o é em proporção verdadeiramente calamitosa quando se trata da prática da virtude. O medíocre não gosta da palavra: Santidade. Não compreende o heroísmo das almas generosas, a abnegação, o sacrifício. Para ele, a virtude heróica é o exagero! A santidade é um misticismo! E que entende por misticismo? Algo de loucura e anormal. Contenta-se com o meio termo. E assim não se esforça por adquirir hábitos de uma virtude só. O desprezo das pequenas coisas. Os santos fugiam das menores imperfeições, e se purificavam a cada dia das pequeninas faltas. O tíbio, não. Ri-se do que ele chama escrúpulo das almas fervorosas: – a fidelidade nas pequenas coisas. E não nos esqueçamos destas grandes verdades: primeira – os santos se tornaram santos pela repetição contínua duma multidão de ações insignificantes, pelo cuidado infatigável das pequeninas coisas. E segunda: – só fizeram eles grandes coisas quando chegaram à santidade. Os pequeninos sacrifícios ocultos, as pequeninas cruzes, as pequeninas virtudes, as pequeninas mortificações, tudo isto a cada dia, a cada minuto, aceito com generosidade, como santifica uma alma! É o caminho batido de S. Teresinha, a pequenina via da Infância espiritual. Que fonte riquíssima de graças! A tibieza, porém, seca esta fonte, esteriliza a vida espiritual, sonha com êxtases e comete cada dia o pecado quase sem remorso. É muito grave desprezar habitualmente as pequeninas coisas. 

7. Pensar mais no bem já feito do que no bem que ainda resta a fazer.

É uma presunção que leva a descansar e afrouxar no caminho do sacrifício e da virtude, porque julga ter feito alguma coisa no passado para a salvação. Nada de esforço e generosidade. Nosso Senhor dizia no seu Evangelho que, depois de termos feito muito, deveríamos dizer : – somos servos inúteis. E prosseguir na luta, porque o ideal da perfeição é o Infinito: “Sede perfeitos como vosso Pai Celeste é perfeito”. A tibieza, como já dissemos, contenta-se com a mediocridade. Julga ter feito muito a alma tíbia, porque no passado foi bem fervorosa e trabalhou pela sua santificação, lutou, praticou boas obras de zelo e de caridade, sacrificou-se na luta do bem. Agora, quer repouso. Descansa, não luta mais, deixa-se ficar na indolência e faz de seu coração o campo do preguiçoso. O tíbio não se compara aos mais santos e fervorosos, mas sempre se julga melhor do que tantos outros piores do que ele. E é assim que adormece tranquilamente. Não quer progredir na virtude. Que perigosa ilusão! Lembrem-se os tíbios, sobretudo se já receberam graças de Nosso Senhor, como por exemplo sacerdotes, religiosos e almas consagradas a Deus, oh! Lembrem-se de que é terrível abusar da graça e muitas almas chamadas ti santidade, diz o 

Todos estes sinais de tibieza andam em geral com este último e infalível: 

8. Pecado venial voluntário e habitual. 

Os outros sinais podem ser atenuados ou alguns falham, mas este é infalível. Onde existe o hábito do pecado venial, existe tibieza com todo o cortejo de males e desgraças que ela acarreta à vida espiritual.

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O trecho completo se encontra na obra “A Tibieza”, de Monsenhor Ascânio Brandão. Acesse-o agora mesmo no nosso aplicativo de leitura!

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